>Orgulho e Preconceito (Pride & Prejudice, 2005)

publicado em:20/02/06 12:28 PM por: Kamila Azevedo Uncategorized

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Na Inglaterra do século XIX, numa época em que as mulheres eram criadas para se casarem logo cedo, Lizzie Bennet (Keira Knightley, a zebra na indicação para o Oscar 2006 de Melhor Atriz) era totalmente diferente das outras garotas. Lizzie não tinha nenhum dos atributos consideráveis de uma “garota para casar” (ela não sabia pintar, desenhar ou tocar piano); mas, tinha uma sensibilidade exarcebada e uma determinação: só se casar quando encontrasse o seu grande amor – talvez um amor igual ao que ela vê em muitos dos livros que ela lê.

Lizzie é a segunda filha de um casal (Donald Sutherland e Brenda Blethyn) em decadência financeira. Ao lado de suas quatro irmãs (Jane, Lydia, Kitty e Mary), eram as esperanças dos pais para que encontrassem um casamento de conveniência para livrarem a família da miséria. Em um baile, Lizzie e sua irmã mais velha Jane (Rosamund Pike) irão conhecer os ricos Sr. Bingley e o Sr. Darcy (Matthew MacFadyen). Enquanto Jane e o Sr. Bingley trocam flertes, Lizzie estabelece uma relação de amor e ódio com o Sr. Darcy.

É bom fazer um parêntese neste momento, porque, durante a maior parte de “Orgulho e Preconceito”, filme de Joe Wright baseado no clássico romance de Jane Austen (uma das maiores escritoras inglesas de todos os tempos), a visão que a platéia tem do Sr. Darcy é aquela que nos é passada por Lizzie. Dominada pelo seu preconceito (de que todos os ricos são pessoas iguais e intragáveis), Lizzie só enxerga Darcy como um cavalheiro rico, arrogante, rude, taciturno, introvertido e antipático. Ou seja, Darcy é apresentado para nós da platéia como um galã completamente às avessas.

Na medida em que as peças da narrativa do filme vão se encaixando e os mal-entendidos vão sendo colocados em pratos limpos, entra em cena a segunda porção da personalidade de Lizzie. Em decorrência do seu orgulho, ela hesita durante muito tempo em admitir que ela talvez estava errada sobre quem era Darcy e que ele não é tão desagradável quanto parece. É justamente quando Lizzie começa a perceber estes certos detalhes que “Orgulho e Preconceito” começa a ganhar a sua maior força, se transformando em um filme que contém todos os ingredientes de uma linda história de amor.

Grande parte do carisma de “Orgulho e Preconceito” vem dos personagens – e, em conseqüência, dos atores que os interpretam. Keira Knightley começa interpretando Lizzie com um show de caras e bocas, mas, na medida em que a sua personagem vai amadurecendo, a atriz encontra o tom certo e faz a melhor performance de sua (ainda curta) carreira. Brenda Blethyn como a mãe alcoviteira está engraçadíssima. Rosamund Pike, Jena Malone, Talulah Riley e Carey Mulligan como as irmãs doidas para se casar de Lizzie estão perfeitas. Judi Dench, na pequena participação que faz no filme, também está impecável. Já Matthew MacFadyen interpreta Darcy com uma performance tão econômica e, ao mesmo tempo, tão intensa, que, desde a sua primeira aparição em tela, já ganha a simpatia da platéia – o que faz a torcida por ele e Lizzie se acertarem ser logo instantânea.

Tudo isso é a prova de que a história criada por Jane Austen continua a ter força mesmo depois de anos após ser escrita. Em seu primeiro longa metragem, o diretor Joe Wright entrega um filme sem erros e que tem um excelente trabalho de reconstrução de época – os figurinos e a direção de arte de “Orgulho e Preconceito” foram merecidamente indicados ao Oscar 2006 –, sem esquecer de retratar aquela grande paisagem bucólica inglesa, que exala um ar de ingenuidade e de frescor. Em outras palavras, o lugar perfeito para presenciar o nascimento de uma bela, forte e inesquecível história de amor.

Crédito Foto: Yahoo! Movies



Kamila Azevedo

Jornalista e Publicitária



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