>V de Vingança (V for Vendetta, 2006)

publicado em:8/04/06 7:41 PM por: Kamila Azevedo Uncategorized

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Toda a ação de “V de Vingança”, do diretor James McTeigue, se passa em uma Inglaterra futurista, dona do poderio político do mundo. Um país aonde o medo é a principal matéria-prima do governo, que planta histórias mentirosas na imprensa para fomentar este sentimento, com o objetivo de lembrar ao povo por quê eles precisam tanto daquele tipo de governo. Um país aonde não existe liberdade e a população tem os seus direitos mínimos cassados – a rotina do povo está sujeita a um toque de recolher diário e à vigilância dos homens-dedo.

Ou seja, a história do filme poderia muito bem estar sendo passada nos Estados Unidos atuais (que, em “V de Vingança”, são uma nação em decadência, justamente como conseqüência para uma série de guerras que eles começaram a viver a partir do início da década de 2000). Ou, até mesmo, ser situada na Alemanha nazista – o governante máximo da Inglaterra de “V de Vingança” é o chanceler Adam Sutler, que usa um símbolo muito próximo da suástica do governo de Adolf Hitler e que fez dos homossexuais inimigos número um de seu regime.

Por causa disso, não é surpresa nenhuma observar que os dois personagens principais de “V de Vingança” são duas vítimas desse sistema de governo. Evey Hammond (Natalie Portman) é uma jovem que trabalha na emissora de televisão do governo inglês e que viu o seu irmão ser morto em decorrência de um ataque biológico e seus pais ativistas políticos serem presos e mortos. Já o “herói” do filme, V (Hugo Weaving), foi um dos que, na condição de prisioneiro, sofreu nas mãos do governo de Sutler; e, depois de ganhar a sua liberdade, decidiu entrar numa cruzada em busca da vingança e, mais precisamente, da justiça que deixou de existir a partir do momento em que Sutler ascendeu ao poder na Inglaterra.

A partir das ações de V, o roteiro do filme deixa claro qual é a sua intenção: mostrar que as idéias têm o poder de mudar o mundo e de que o povo é o motor principal para que estas mudanças aconteçam. Para os Irmãos Wachowski (autores do roteiro de “V de Vingança”), é o governo que tem que temer a população, e não o contrário. Dessa forma, “V de Vingança” é feito de muitas frases de grande efeito; porém, com certeza, as ações que a platéia vê serem retratadas no filme não devem ser usadas como fonte de inspiração. Existem melhores maneiras para se enfrentar governos intransigentes do que ficar explodindo prédios que representam anos e anos da história social e política de alguns países.

Os Irmãos Wachowski mudaram o curso do cinema contemporâneo quando lançaram, em 1999, o filme “Matrix”. Para suceder a trilogia do predestinado Neo, eles escolheram a história de “V de Vingança”, que foi baseada nos quadrinhos de Alan Moore. Uma história atual e procedente, mas que, nas mãos de James McTeigue, perde muito de sua força. Poucas cenas realmente são memoráveis, como aquela em que Evie sai na chuva, em que V enfrenta os homens de Creedy e em que o Parlamento inglês é explodido. É melhor prestar atenção mesmo ao roteiro do filme, que pode ser resumido perfeitamente por uma frase que o personagem V repete muito no decorrer de “V de Vingança”: “os artistas usam as mentiras para contar a verdade”.

Crédito Foto: Yahoo! Movies



Kamila Azevedo

Jornalista e Publicitária



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