>Treze Homens e um Novo Segredo (Ocean's Thirteen, 2007)

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Nos anos 50, um grupo formado por Frank Sinatra, Dean Martin, Sammy Davis Jr., Joey Bishop e Peter Lawford ficou conhecido como o “Rat Pack” e, com seus filmes e shows, passaram a ser os maiores embaixadores de um estilo de vida que conhecemos como “bon-vivant” – aquele que aprecia o luxo, a diversão, os amores, ou seja, aquilo que eles consideram como os maiores prazeres da vida. Os rapazes tinham como sede a cidade de Las Vegas, a qual é quase um sinônimo de tudo aquilo em que eles acreditavam – com os seus cassinos, hotéis luxuosos e a possibilidade concreta de se fazer ou de se arruinar em meio a tanta pompa e ostentação.

No começo desta década, George Clooney resolveu fazer a sua própria versão do “Rat Pack” e convidou alguns dos astros mais importantes do cinema atual, como Brad Pitt e Matt Damon, para fazer uma série de filmes “caça-níqueis”, cujo sucesso os permite financiar aqueles projetos mais pessoais e, digamos, artísticos. Como se não bastasse a reunião de três grandes estrelas, Clooney ainda convenceu seu parceiro na Section Eight, o diretor Steven Soderbergh (um dos poucos atualmente a ter pleno domínio do seu ofício), para dar a aura cool e desinteressada que a série tanto pretendia ter.

Assim como aconteceu com o Rat Pack, Clooney e seus amigos também adotaram a Cidade do Pecado como sede de seus filmes (com exceção da continuação “Doze Homens e um Outro Segredo”). “Treze Homens e um Novo Segredo” tem a mesma estrutura dos outros filmes. Entre um assalto e outro, cada um dos membros dos “Onze de Ocean” vive sua própria vida, fazendo seus golpes sozinhos. Aqui, eles se reúnem por causa do infarto que quase mata Reuben (Elliott Gould). Acontece que ele estava fazendo negócios com Willy Bank (Al Pacino), superpoderoso do ramo hoteleiro, e que passou a perna no inocente golpista. Para defenderem a honra de Reuben, Danny Ocean (Clooney), Rusty Ryan (Pitt) e Linus (Damon) reúnem a turma, mais uma vez, para aplicar um golpe milionário no dia da inauguração do hotel de Bank.

Um detalhe chama logo a atenção dos cinéfilos em “Treze Homens e um Novo Segredo”. O diretor Steven Soderbergh e os roteiristas Brian Koppelman e David Levien colocam o foco no planejamento e na execução do assalto perfeito, deixando de lado as tramas paralelas que envolviam especialmente Danny Ocean e Rusty Ryan com as mulheres que entravam em suas vidas. Neste sentido, o roteiro dá a oportunidade para que cada um dos membros dos “Onze de Ocean” brilhe. Ao mesmo tempo, ao fragmentar a trama em demasiado, Soderbergh e os dois roteiristas meio que tiram o foco em muitos momentos daquilo que realmente importa: acompanhar a capacidade de improvisação, de criatividade e raciocínio rápido que estes rapazes têm para justamente bolar o plano perfeito e saírem ricos e despreocupados para tocarem as suas vidas.

“Treze Homens e um Novo Segredo” carrega com maestria o fardo dos outros dois filmes. Como entretenimento, é uma peça de primeira. No entanto, o mais importante – e que está refletido em excesso na grande tela – é o fato de que os atores que fazem o filme continuam se divertindo bastante ao brincarem de ladrões. Enquanto George Clooney, Brad Pitt, Matt Damon, Don Cheadle, Elliott Gould, Andy Garcia, Casey Affleck, entre outros, encararem os filmes da série como uma bela maneira para fazer algo despretensioso entre seus projetos pessoais, os filmes sobre os “Onze de Ocean” continuarão a funcionar.

Cotação: 8,0

Crédito Foto: Yahoo! Movies

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