007 - Quantum of Solace

Em uma determinada cena de “007 – Quantum of Solace”, filme do diretor Marc Forster, o personagem Dominic Greene (Mathieu Amalric, de “O Escafandro e a Borboleta”) olha para James Bond (Daniel Craig) e afirma que “tudo o que ele toca murcha e morre”. Esta frase fica martelando na mente do espião e nos indica os dois grandes temas do roteiro da nova aventura do agente inglês, a qual foi escrita por Paul Haggis, Neal Purvis e Robert Wade: a confiança e o desejo de vingança.

 

Desde que viu a mulher que amava (Vésper Lynd, interpretada pela francesa Eva Green) morrer, em “007 – Cassino Royale”, Bond ficou com a sensação de que nunca mais iria poder confiar em alguém e de que ele teria que fazer algo para vingar aqueles que machucaram Vésper. É claro que isto vai influenciar a vida profissional do agente e, a partir do momento em que vê James completamente sem controle, M. (Dame Judi Dench) decide afastá-lo de suas funções como espião da MI6.

 

Como não existem limites para um homem cheio de motivação (Jason Bourne que o diga), James Bond encontra uma parceria perfeita em Camille (Olga Kurylenko), jovem que também tem toda uma bagagem emocional e o desejo de vingar a morte dos pais, que foram cruelmente assassinados. Quis o roteiro de “007 – Quantum of Solace” que os alvos dos dois fossem pessoas bem próximas: o já citado Dominic Greene (o presidente de uma companhia que se diz ecologicamente correta, mas, na realidade, explora muitos recursos naturais) e o General Medrano (Joaquín Cosio), o ditador de um país da América Latina que está prestes a fazer negócios com Greene.

 

É impossível assistir a “007 – Quantum of Solace” e não pensar na trilogia estrelada por Jason Bourne. Na repaginação do agente inglês, os produtores se inspiraram muito no personagem criado pelo escritor Robert Ludlum. Nesta continuação, tais semelhanças foram ainda mais aprofundadas. A impressão que temos é a de que “007 – Cassino Royale” foi o “A Identidade Bourne” de James Bond e que este “007 – Quantum of Solace” é o “A Supremacia Bourne” do agente idealizado por Ian Fleming. Apesar do diretor Marc Forster repetir muito da qualidade técnica do longa de Paul Greengrass, falta à nova aventura do espião inglês um roteiro que empolgue, que nos deixe ansiosos para o que vai vir por aí.

 

Cotação: 7,0

 

007 – Quantum of Solace (Quantum of Solace, 2008 )

Diretor: Marc Forster

Roteiro: Paul Haggis, Neal Purvis e Robert Wade (com base nos personagens criados por Ian Fleming)

Elenco: Daniel Craig, Olga Kurylenko, Mathieu Amalric, Dame Judi Dench, Giancarlo Giannini, Gemma Arterton, Jeffrey Wright

27 comments

  1. João Paulo 12 novembro, 2008 at 19:28 Responder

    Quando eu leio o nome Bourne … me dã ansia de vomito, diarreia … qualquer sinonimo de mau gosto …

    Tirando essa bosta de personagem que é o Bourne, QoS significa um longa de transição, um filme que só vai ter algo concreto ou alguma resposta após alguns anos para solucionar a grande pergunta de todos. no qual se o reboot da série foi uma ótima jogada ou um erro. Por incrivel que pareça QoS faz o mais importante, manter a fio o personagem e com o final dele faz remeter que agora a franquia volta aos trilhos.

    E acredite, muitas vezes é comum comparar a saga do agente com outras franquias de sucesso, exemplo, ainda existe comparações entre Moonraker de 1979 com a saga de Star Wars. Acho que o publico deveria raciocinar e pensar que não é um personagem como o Jason “Bunda” Bourne é um personagem que influencia a todos. Mas sim, pensar que a mentalidade mudou e que o ultra realismo é mais convincente do que uma aventura extremamente mentirosa. Por isso que alguns derivados do agente como o xXx caiu no ostracismo por causa dessa necessidade do publico … simples …

    Beijos Milla …

  2. Kamila 12 novembro, 2008 at 19:36 Responder

    João, calma!! Eu concordo com você que o mundo mudou e o ultra-realismo é bem mais convincente. “Quantum of Solace” pode ser um longa de transição, acredito que veremos um Bond mais “clássico” nos próximos filmes. O longa do Forster pode até agradar aos fãs, mas me deixa a impressão de que é um retrocesso, se comparado com “Cassino Royale”. Beijos!

    Marcel, eu concordo que o roteiro é o ponto mais fraco deste filme.

  3. João Paulo 12 novembro, 2008 at 19:45 Responder

    Entendo … é por que eu tenho uma agonia vendo as comparações de Bourne e não percebe que na realidade é que a tendencia ultrarealistica é o fator de sucesso e não um filme … compreendes …

    Desculpe Milla …

  4. Romeika 12 novembro, 2008 at 20:13 Responder

    Nossa, Kamila, acho que estes roteiristas tem que suar muito pra criar uma trama tao interessante como as dos filmes de Jason Bourne. Apesar de ter gostado de “Cassino Royale” (um bom filme de acao), esse fica muito abaixo de “A Identidade Boune”, na minha opiniao de nao Bond fan. Ouvi dizer q essa continuacao “nao eh la essas coisas”, e por isso esperei sua critica pra ver se valeria a pena a ida ao cinema.

  5. Brenno Bezerra 12 novembro, 2008 at 21:27 Responder

    Achei Quantum of Solace somente barulhento, conteúdo que é bom não foi visto…
    Curioso é que nunca pensei que eu fosse torcer para Bond não ficar com a bond-girl, Olga estragou o filme completamente !!!!
    Triste surpresa para quem ficou impressionado com a qualidade de Cassino Royale.

    beijos Kamila

  6. Anderson Siqueira 12 novembro, 2008 at 21:48 Responder

    Vi e gostei. Uma das características que reparei nos filmes de Daniel Craig é o Le Parkur, explícito nos dois “007”.

    NOTA (0 a 5): 4
    ****

  7. Kamila 13 novembro, 2008 at 00:51 Responder

    João, fica tranquilo. Não precisa pedir desculpas. A questão é que, por Jason Bourne ter vindo primeiro com toda esta questão de ultra-realismo, de histórias com repercussões globais, é natural que as comparações subsequentes sejam feitas com estes filmes. Mas, o Bond, sem dúvida alguma, é um herói da modernidade. Beijos!

    Romeika, dizer que a continuação “não é lá essas coisas”, acho que seria injusto com tudo o que o filme traz de bom. O que me incomodou mesmo, no filme, foi a falta do roteiro bem feito, com os elementos interessantes vistos em “Cassino Royale”.

    Brenno, eu não acho que a Olga estragou o filme. Acredito que a personagem dela tinha muito a ver com os dois temas centrais da continuação. E achei ótimo que os roteiristas não tenham forçado o romance dela com Bond. Beijos!

    Anderson, não sei nem o que é o Le Parkur. Pode me explicar, por favor?? 🙂

  8. Otavio Almeida 13 novembro, 2008 at 01:45 Responder

    Não gostei do filme, Kamila. Pra mim isso não é Bond. É uma tentativa de acompanhar a “Jasonbournização” do cinema de ação. Pra mim, Daniel Craig faz um novo herói de ação… hmm… inspirado em 007.

    Bjs!

  9. Vinícius P. 13 novembro, 2008 at 05:17 Responder

    Pelo jeito os melhores aspectos do filme estão relacionados com sua parte técnica, já que em termos de trama parece ter deixado um pouco a desejar em comparação com “Cassino Royale”. Sem muitas expectativas, espero conferir “Quantum of Solace” ainda nessa semana.

  10. Robson santos Costa 13 novembro, 2008 at 13:16 Responder

    Kamila, gostei muito do filme. Acho que ele está formando sutilmente a identidade do velho Bond aos poucos (já que é um recomeço).
    Sou fá do Bond (tenhos todos os filmes, etc.) e do Bourne também.

    Lê minha crítica depois. Abraço.

  11. Ramon 13 novembro, 2008 at 13:20 Responder

    Então, acho que concordamos na maioria dos pontos.
    Também acho que eles irão, aos poucos, retomando o prumo antigo do James Bond. Pelo menos, torço por isso.

  12. Rick Lima 13 novembro, 2008 at 14:45 Responder

    Infelizmente, a comparação com a trilogia Bourne é inevitável. Tirando este detalhe Quantum of Solace é um filme até agradável, se levarmos em conta o fato que o agente secreto inglês ainda está caminhando para se tornar o que a gente sempre conheceu ao longo dos 20 filmes anteriores ao reboot. Com essa mania de comparação, daqui a pouco vamos comparar o filme do Capitão América com Batman – O Cavaleiro das Trevas…

  13. Kamila 13 novembro, 2008 at 14:56 Responder

    Otavio, não vou tão longe e dizer que não gostei deste filme. A verdade é que achei inferior ao “Cassino Royale” e, por isso, fiquei um pouco decepcionada, já que esperava que “Quantum of Solace” mantivesse o nível de qualidade visto no filme anterior. Beijos!

    Vinícius, espero que consiga assistir o filme e vou ficar no aguardo pela sua opinião.

    Robson, vou dar uma passada em seu blog para ler sua crítica sobre o filme. Abraço!

    Ramon, eu concordo e espero que o João esteja correto ao dizer que este filme é mais um ponto de transição na repaginação da série e do personagem.

    Rick, as comparações são inevitáveis e até mesmo naturais. A gente sempre vai tentar encontrar algum equivalente nos filmes que assistimos. Mas, concordo que este é um filme até agradável. No entanto, não custa nada a gente esperar um entretenimento de melhor qualidade.

  14. Matheus 13 novembro, 2008 at 15:45 Responder

    Kamila, tivemos uma opinião muito semelhante quanto a “Quantum Of Solace”, tanto que demos a mesma cotação! Realmente, o filme se parece muito com a trilogia Bourne (principalmente naquela corrida em cima do telhado logo no começo) e eu acho que o longa tem muitos aspectos positivos e até melhores que “Cassino Royale”. Mas foi como você disse, falta um roteiro mais empolgante.

  15. Adilson Jose Nogueira 13 novembro, 2008 at 18:23 Responder

    Um bom filme de ação mas um pessimo filme JAMES BOND. Os reais fans de Bond não vão ao cinema ver realismo (se quiser isto vá assistir 174, Carandiru, etc). Os verdadeiros fans de Bond buscar aventura e imaginação. O roteiro é ridiculo e sim, infelizmente, é mais um filme ação como Bourne, Dirty Harry, Duro de Matar, etc…). Onde estão os clássicos (carros, tecnologia, ironia, Q, MoneyPeny, etc, etc.) Aliás os diálogos são dignos de Conan o Bárbaro. O Daniel não fale nem o clássico “meu nome é Bond, James Bond” ele deveria logo falar meu nome é Bourne, Jonas Bourne (irmaõ gemeo do Janson). Definitivamente não é Bond.

  16. Kamila 13 novembro, 2008 at 20:35 Responder

    Matheus, e vou concordar com seu comentário! 😉

    Adilson, gostei de ler a sua perspectiva, como fã de filmes do James Bond. Acho que existe mesmo esta saudade de ver o Bond mais clássico.

    Fabi, a Olga tem um tipo bem exótico, único. É bonita, sim!

    Hypado, e o Marc Forster fez um bom trabalho! Ele está bem nas cenas de ação.

  17. Kau 13 novembro, 2008 at 20:37 Responder

    Ahhh, a nota é boa! =)
    Mas não é o primeiro comentário que leio sobre o défit de empolgação… rsrsrsrsrsrs.

    E Kami!!!!!!!!!!!!!! Eu estava tentando lembrar quem era aquele ator e agora lembrei (Dominic Greene). Ele estava tão irreconhecível em O Escafandro e a Borboleta…

    Bjos!

  18. Kamila 13 novembro, 2008 at 20:59 Responder

    Kau, mas o Mathieu estava por baixo de alguma maquiagem e se lembre que a gente viu muito pouco close do personagem dele em “O Escafandro e a Borboleta”. Beijos

  19. Mayara Bastos 13 novembro, 2008 at 21:58 Responder

    Olá, Kamila! Tdo bem?

    Vi esses dias “007 – Cassino Royale” e gostei dele. Achei o Bond de Daniel Craig bem maduro. Agora, este verei com certeza! Parece ser um pouco melhor do que o filme anterior!

    Fique bem! Beijos! 😉

  20. Wally 16 novembro, 2008 at 20:14 Responder

    Gostei mais do filme. Cassino Royale foi melhor mesmo, mas acho que este novo não deixa tanto a desejar. Tem suas falhas e seu roteiro demora para decolar mesmo, mas adorei as sequências de ação e acho que o filme cumpriu com muito bom gosto o que prometeu. Craig ainda está fantástico e o elenco secundário não decepciona. Agora, aquela cena de ação na ópera ficou sensacional!

    Nota 8,0

  21. Kamila 16 novembro, 2008 at 20:19 Responder

    Wally, eu gostei de uma referência que li sobre o filme: é um longa perfeito para quem gosta de ação e pouco roteiro. O melhor momento de “Quantum of Solace”, para mim, foi aquela cena na ópera. Bem escrita, atuada, dirigida. Seria bom que o novo filme do Bond mantivesse aquela qualidade por todo o tempo.

  22. Alex Sandro Alves 18 novembro, 2008 at 13:44 Responder

    Concordo contigo Kamila! O filme tem suas qualidades técnicas (e competentes cenas de ação, mas não memoráveis), mas a trama é fraca (os vilões não estão à altura do agente 007, a bondgirl é apenas bonita e nada mais), não nos envolve, não empolga como você mesma disse. Agora tiro o meu chapéu para Daniel Craig! O cara arrebenta! Um abraço!

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