Austrália

publicado em:2/02/09 11:47 PM por: Kamila Azevedo Cinema

Naquele que é considerado o maior épico de todos os tempos, “… E O Vento Levou”, do diretor Victor Fleming, encontramos uma personagem que é uma das mais importantes que o cinema já viu. Scarlett O’Hara (Vivien Leigh) era uma jovem rica e mimada que vivia no Sul dos Estados Unidos e que vai conhecer a pobreza, a dor e o sofrimento a partir do momento em que a Guerra da Secessão começa. É importante perceber que Scarlett não irá amadurecer por causa do que viu, e sim porque ela não tinha outra opção naquele momento a não ser passar por aquela experiência; ou seja, ela foi forçada pelas circunstâncias a vivenciar tudo aquilo.

 

A personagem principal de um épico mais moderno chamado “Austrália”, do diretor Baz Luhrmann, é também uma mulher acostumada a viver no luxo e na riqueza. É justamente na intenção de manter seu estilo de vida que Lady Sarah Ashley (Nicole Kidman, em sua segunda parceria com Luhrmann) viaja para a Oceania de forma a reencontrar o marido e convencê-lo a vender a fazenda que eles possuem – afinal, eles precisam do dinheiro, senão irão falir. Após chegar lá e se descobrir viúva, Sarah não tem outra opção a não ser unir forças com o Capataz (Hugh Jackman) para conduzir duas mil cabeças de gado até a cidade de Darwin e tentar recuperar financeiramente sua fazenda.

 

A experiência – e, principalmente, o desejo de Neil Fletcher (David Wenham, um dos pontos mais altos do filme) de que tudo dê errado com ela – fará com que Lady Sarah Ashley ganhe em força e autoconfiança e descubra uma nova família pautada pelo amor, pela vontade de sonhar e pelo respeito, a qual irá formar com os aborígenes que vivem em sua fazenda, com o Capataz e com Nullah (Brandon Walters), uma criança mestiça que perdeu a mãe. É importante mencionar que todo esse processo terá como pano de fundo a Austrália que está prestes a enfrentar os bombardeios das tropas japonesas durante a Segunda Guerra Mundial – por isso, as analogias feitas entre este filme e “… E O Vento Levou”.

 

O diretor australiano Baz Luhrmann é alguém que preza muito a qualidade estética de suas obras. Em “Austrália”, não foi diferente, uma vez que elementos como a fotografia e os figurinos são de extremo bom gosto. No entanto, o ritmo videoclíptico que o diretor imprime às suas obras acaba não encaixando bem com o formato épico de seu trabalho mais recente. Filmes desse gênero necessitam de um ritmo mais lento e, principalmente, de um bom desenvolvimento de história. E é justamente em relação a este último aspecto que “Austrália” peca mais – o roteiro escrito por Luhrmann, Stuart Beattie, Ronald Harwood e Richard Flanagan desperta mais sono do que interesse pela jornada de Lady Sarah Ashley.

 

Cotação: 6,0

 

Austrália (Australia, 2008 )

Diretor: Baz Luhrmann

Roteiro: Baz Luhrmann, Stuart Beattie, Ronald Harwood, Richard Flanagan (com base na história de Baz Luhrmann)

Elenco: Hugh Jackman, Nicole Kidman, Brandon Walters, David Wenham



Kamila Azevedo

Jornalista e Publicitária



Comentários


Kamila, acho que o que define “Austrália” é o péssimo erro de ter Baz Luhrmann na direção. É ele quem compromete o resultado do longa!

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Kamila, na verdade eu não achei “Austrália” um filme sonolento. Pelas reclamações até mesmo sobre a metragem da obra eu imaginava que teria muitos faniquitos (ehehehe) na sessão. Mas você toca um ponto que arruina completamente a experiência de se ver o épico: o ritmo, o comando do cineasta sob a história que conta. Tudo acaba sendo tocado de forma muito artificial e pouco conseguimos valorizar tanto nas mudanças dos personagens quanto do local onde tudo se passa. E isto torna o misticismo do roteiro algo quase risível e as atuações um fracasso (sério mesmo que você achou David Wenham um ponto positivo do longa?).

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Matheus, acredito que o roteiro consegue ser um erro maior que a presença de Baz Luhrmann na direção.

Alex, eu dormi no cinema assistindo a este filme!!! E eu gostei do David Wenham. Achei ele muito bom! Concordo com o resto do seu comentário!

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Olá, Kamila! Tudo bem?

Hoje, quase vi este filme, mas optei por “O Curioso Caso de Benjamin Button”, que o achei muito bom, por sinal. Sabe, como é, o cinema está um pouquinho caro, até dividi minha mesada para poder ver os filmes do Oscar que mais quero ver. rsrsrs. Quem sabe, quando sobrar $, eu vejo este. rsrsrs

Beijos! 😉

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Kamila, sua crítica me deixou até um pouco curioso. Mas ao assistir ao trailer e perceber a pretensão do diretor, fico com uma preguiça enorme de assistir ao filme. Li também que o que salva o “longo longa” é a atuação do pequeno Brandon Walters. Acho que poderei esperar para conferir em dvd. Você assistiu A Troca? Já escreveu aqui e eu perdi?

Até Mais!

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‘Austrália’ tinha tudo para ser um grande filme (bom elenco, qualidade técnica), mas infelizmente é apenas um filme grande. Não que seja ruim, pois não acho que seja, mas as escolhas equívocadas (sutileza e foco narrativo passam longe daqui) conscientes de Lurhmann tornaram seu épico romântico um programa no mínimo decepcionante, mas o belo par central e o simpático garotinho amenizam a sensação. Abs!

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O roteiro é o menor dos problemas, já que o grande foco desse filme é o guri … o problema é a pretenção exarcebada de Baz em muitos momentos. Se reparar bem, ele cria muitos momentos falsos, onde era perceptivel e horroroso o uso do cromakey e fora os takes “heroicos” para dar aquele tom épico ao filme.

Um filme longo quando termina … parece que vimos alguem fazendo palhaçada com os antigos épicos e ainda se acha bom …

E fora outras cenas que fica ruim de engolir …

Kisses Milla …

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Juro que “Austrália” seria ao menos um filme bom, mas após tantos comentáris negativos, nem sem mais o que esperar. Na verdade nem estou com tanta vontade de vê-lo agora, se não der tempo, talvez até deixe para o DVD (se bem que tenho a tradição de ver o máximo de indicados ao Oscar antes da cerimônia, mesmo aqueles que concorrem numa só categoria).

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Kami, concordo que o roteiro gira em tornos de clichês e que, no geral, é CHEIO de erros. Tb concordo que há uma tentativa desesperada, por parte de Baz, em produzir um épico. Mesmo assim, achei uma delícia assistir ao filme, rsrsrsrsrsrs. Tecnicamente? Pra mim, um deslumbre!!

Ahhh, tem desafio e selo pra vc no Bit!!

Beijos!

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Não conferi mas acho que não irei gostar muito também não! Parace forçado demais… o dinheiro tá curto, acho que terei que esperar em DVD mesmo!

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Kamila, por todos os comentários negativos, imaginava que Asutrália seria bem pior. Acho que o filme funciona como épico, principalmente na primeira parte, mas na tentativa de alongar a história e criar outro ato dramático, o filme tenha caido em meu conceito. Mesmo assim, é uma grande produção e a direção do Baz Luhrman não chega a comprometer, mas podia ser mais ousada.

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Como eu já havia comentado, Kamila: vi o trailer e não preciso mais ver o filme! rs… Sério, quase três horas de épico romântico com Hugh Jackman – tô fora!

Bjs!

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Kamila, não vi o filme, mas não me contenho para discordar de ti. Não acho que um filme épico deva ser lento, ou seja feito como receita de bolo, acho que ai entra a qualidade do diretor, até pq se não entrar aqui, é melhor despedir, pq os roteiros hoje em dia são quase uma receita de filmar.

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Kamila… concordo com tudo. O filme é exatamente isso, e a referência ao …E O Vento Levou… chega a ser irritante. Só faltou falar mal da personagem criança, que tentando ser engraçadinha acaba parecendo uma novela global.
Etâ nóis, que filminho decepcionante!
O único que se escapa, além do já citado David Wenham foi o Hugh Jackman. Acho que ele conseguiu não ser tão chato quanto o resto do filme.
A nota está perfeita!

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Eu não me apeguei bastante ao filme. Pra mim, foi apenas mais um filmezinho de romance. A qualidade técnica do filme supera roteiro e direção. Fato. Abraço!

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KAMILA… AINDA NÃO ASSISTI (ACHO Q SÓ VOU VER EM DVD) … PARA VC, SE ELE NÃO TIVESSE SIDO TÃO SUPERESTIMADO PELA PRODUÇÃO ANTES DO LANÇAMENTO, ELE PODERIA TER SIDO MAIS BEM RECEBIDO PELA CRÍTICA ?

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Mayara, tudo bem, obrigada. E com você? Para mim, você está mais do que certa. Assista, primeiro, aos filmes do Oscar. Longas como “Austrália” podem esperar. Beijos!

Amauri, eu não gostei do garotinho Brandon. Ainda não assisti “A Troca”. O filme do Eastwood não estreou ainda em minha cidade. Até mais!

Alex Sandro, concordo com tudo o que você escreveu, exceto com o fato de que não gostei do par central, nem do garotinho. Abraços!

João Paulo, pela primeira vez, o exagero do Luhrmann não funcionou a seu favor. O filme peca pelos excessos do seu diretor. Beijos!

Vinícius, como eu disse para a Mayara, se fosse você, eu privilegiaria outros filmes e deixaria “Austrália” para depois – até do Oscar, se possível. Abraços!

Kau, mas de que adianta um filme ser tecnicamente perfeito se peca na história, nas atuações, na direção? Beijos!

Robson, o filme não é forçado. É ruim mesmo! 🙂

Rafael, como eu disse em meu texto, fora a parte técnica, a coisa que eu mais gostei, em “Austrália”, foi da atuação do David Wenham.

Dudu, e você faz bem! 🙂 Beijos!

Cassiano, mas e quando o roteiro não tem nem uma receita? É este o caso de “Austrália”. O filme é uma sucessão de erros.

Ramon, nem do Hugh Jackman eu consegui gostar, e olha que tentei ser super simpática com ele e seu personagem. 🙂

Rafael Moreira, concordo. Abraço!

carranca, seja bem-vindo de volta!

Brenno, acho que não. Filme ruim como esse merece mesmo ser criticado de forma negativa.

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Ae Kamila…
discordo da crítica…
adorei o filme…
adorei a performance do Brandon…
não dormi no filme…
quero ver denovo

abs
moognix

ps o matte painting da Digital Domain por si só vale o ingresso…

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