O Casamento de Rachel

Tadinha de Rachel (Rosemarie DeWitt). Todos estão na casa da família dela para o seu casamento com Sidney (Tunde Adebimpe). O ambiente está movido a base de muita música, amor e emoção. Entretanto, ela não está no centro das atenções. Todos os olhares estão voltados para a irmã mais nova dela, Kym (Anne Hathaway, indicada ao Oscar 2009 de Melhor Atriz), que volta pela primeira vez ao lar depois de um bom tempo em mais uma de suas tentativas de reabilitação do vício em drogas. 

Esta é a maneira mais fácil de tentar resumir a trama do filme “O Casamento de Rachel”, do diretor Jonathan Demme. Porém, por trás da aparente reunião familiar para uma ocasião que, na maior parte das vezes, representa a celebração do início de uma nova etapa, se encontra um roteiro (escrito por Jenny Lumet, filha do diretor Sidney Lumet) que fala sobre a vontade de reparar os erros do passado, de enfrentar uma situação difícil de forma a encontrar a força necessária para seguir em frente. 

Neste sentido, há que se aplaudir o roteiro de “O Casamento de Rachel”, que não se satisfaz somente em lançar um olhar sob a vulnerável Kym, que tem que enfrentar olhares curiosos de seres que sabem da sua história, que tem que lidar com o monitoramento do preocupado pai (Bill Irwin), o medo de enfrentar a mãe (Debra Winger) ou o receio de desapontar a irmã. O longa também mostra com destaque a visão de uma família despedaçada pela tragédia e pelo vício, de pessoas calejadas pelas incertezas, desconfianças e recaídas do caminho e de personagens que esconderam suas mágoas por muito tempo. 

Incrível como tudo isso fica em segundo plano no decorrer do dia do casamento de Rachel e das belas festividades que fizeram parte da ocasião. Neste instante, todos ficam em comunhão, em um só espírito. Tudo o mais parece pequeno. Tais sensações nos são passadas com competência por um elenco em total harmonia com o seu diretor, o qual soube arrumar a estratégia correta de colocar a história de Jenny Lumet em tela. As imagens em tom documental combinam com esse senso de vida que “O Casamento de Rachel” nos passa. 

Cotação: 8,0 

O Casamento de Rachel (Rachel Getting Married, 2008)
Diretor: Jonathan Demme
Roteiro: Jenny Lumet
Elenco: Anne Hathaway, Rosemarie DeWitt, Bill Irwin, Anna Deavere Smith, Debra Winger

50 comments

  1. Leandro 26 junho, 2009 at 23:58 Responder

    Eu achei incrível o jeito que esse filme me surpreendeu,eu assisti ao filme na expectativa de ver um bom trabalho de elenco e de repente um bom filme!
    Mas nossa me surpreendeu muito mais do que eu achava ser!

  2. Mayara Bastos 27 junho, 2009 at 00:14 Responder

    Olá, Kamila! tudo bem?

    O que me conquistou em “O Casamento de Rachel” é simplicidade do roteiro em contar um tema tão delicado. E o elenco está ótimo, com destaque para a surpreendente atuação de Anne Hathaway. 😉

    Beijos e tenha um ótimo fim de semana!

  3. Bruno Soares 27 junho, 2009 at 00:17 Responder

    Vi semana passada e gostei tanto quanto vc Kamila, nota 8.

    O roteiro é demais mesmo e, com o perdão do trocadilho, “casa” perfeitamente com a direção do Demme. rs

    • Kamila 27 junho, 2009 at 00:32 Responder

      Leandro, eu também fiquei surpreendida com esse filme.

      Mayara, tudo bem, obrigada. E com você? Eu concordo contigo. Beijos e ótimo final de semana!

      Bruno, exatamente!! 🙂

  4. Rafael Carvalho 27 junho, 2009 at 00:44 Responder

    Engraçado pensar que esse filme tenha sido realizado pelo mesmo cara que nos deu O Silêncio dos Inocentes. A câmera na mão, o drama arraigado daquela família, travestido por uma festa de casamento, não parecem características do cinema do Demme. Mas tudo isso funciona no filme, desde o roteiro incrível da novata Jenny Lumet, às atuações do elenco (DeWitt ótima, Hathaway impecável) e a naturalidade das ações. Aquela cena da brincadeira do lava-louça, aparentemente inocente, é extremamente cortante. Grande filme, um dos melhores do ano.

  5. Rafael Carvalho 27 junho, 2009 at 00:48 Responder

    Ah, mas preciso discordar de uma coisa com você, Kamila. Não acho que durante a festa os personagens consigam ficar em comunhão, a mãe dela parece bastante desconfortável naquele ambiente. Lembra da cena do corte do bolo, que ela retira displicentemente a mão dela das demais? Ou a saída da festa mais cedo? Acho que isso revela a distência que ela tem daquelas pessoas, e acredito que tenha também sua parcela de culpa pela situação desestruturada da família.

    • Kamila 27 junho, 2009 at 03:48 Responder

      Rafael, concordo com a primeira parte de seu comentário. Quanto ao seu segundo: acho que é doloroso para a mãe estar ali, naquela situação, com aquelas pessoas. Claramente, ela não conseguiu superar o que viveu e não sabe como se reaproximar de sua família. A distância é a maneira que ela encontrou para se sentir segura.

  6. Charles 27 junho, 2009 at 05:14 Responder

    Belo texto Kamila! É estranho, e ao mesmo tempo surpreendente, imaginar que um cara detalhista como o Jonathan Demme esteja por trás das câmeras. Mas o que mais me chamou a atenção foi a emoção sincera que os atores transmitiram no filme. Embora tenha toda uma improvisação dá a impressão de que o elenco se envolveu de corpo e alma no projeto. Filme muito, muito bom…

    • Kamila 27 junho, 2009 at 12:24 Responder

      Charles, obrigada. A emoção sincera também me chamou a atenção. Parecia que eu estava vendo um retrato da vida real em tela. Adorei “O Casamento de Rachel”.

  7. André C. 27 junho, 2009 at 12:31 Responder

    Bom Dia Kamila!
    Eu achei um bom filme, principalmente a atuação do elenco feminino. Anne Hathaway, Rosemarie Dewitt e Debra Winger. Admito que não conhecia Rosemarie Dewitt, e seu trabalho me deixou de queixo caído.

    Sobre State Of Play, infelizmente só tem por aqui http://www.mininova.org/tor/1665648, se quiser apagar depois, sem problemas!

    Abraços,
    André.

  8. Roberto Queiroz 27 junho, 2009 at 13:23 Responder

    É o segundo bom texto que leio recomendando O Casamento de Rachel e ainda não consegui assistir. A Anne Hathaway tem me surpreendido a cada filme. Achei que ela seria mais uma Julia Roberts dos EUA.

    • Kamila 27 junho, 2009 at 23:30 Responder

      André C., eu adorei a performance da Rosemarie DeWitt, que conhecia de “Mad Men”. Obrigada pelo link, mas, infelizmente, não vou poder baixar a série. Abraços!

      Roberto, eu também achei que ela ia ser a nova Julia Roberts. Que bom que ela tem nos surpreendido.

      Cassiano, eu acho que gostei mais desse filme que você.

  9. Mandy 27 junho, 2009 at 17:22 Responder

    Hahahaha pode ter certeza que eu tenho mais filmes e livros que maquaigem. HSUahasu É que filme eu não compro dvd =D Mas eu tenho 1 senhora videoteca. Por sinal o casamento da Rachel, eu gostei, mas não gosteio ao mesmo tempo… teve horas que foi chato, mas ela tava ótima no papel!!!

  10. Otavio Almeida 27 junho, 2009 at 17:53 Responder

    Oi Kamila! Neste bom filme, Demme celebra a união dos povos, das raças. Para o diretor, muita gente já aprendeu a conviver com indivíduos de diferentes culturas e costumes. E em um mundo marcado por guerras, preconceitos, violência e inveja, isso é algo a ser comemorado. Mas todos esses elementos estão inseridos no filme de forma sutil, sendo representados por personagens e situações.

    Bjs! Bom final de semana!

    • Kamila 27 junho, 2009 at 23:32 Responder

      Mandy, eu compro DVD todo mês. rsrsrsrsrsrsrrsrrsrs E eu não achei esse filme chato.

      Otavio, exatamente. Não tinha visto este filme por este ângulo. Muito bom. Beijos e bom final de semana!

      Romeika, eu fiquei impressionada com a Anne Hathaway, mas, quem deixou a melhor impressão em mim, foi a Rosemarie DeWitt.

  11. Vinícius P. 27 junho, 2009 at 20:54 Responder

    Fiquei bastante surpreendido com “O Casamento de Rachel”. Esperava apenas uma grande atuação da Anne Hathaway, algo que realmente ocorreu, mas o filme acaba sendo muito bom em seu conjunto. Inclusive acho que o elenco merecia mais reconhecimento…

    • Kamila 27 junho, 2009 at 23:33 Responder

      Robson, não achei o filme cansativo.

      Vinícius, eu concordo contigo. O elenco do filme é um dos maiores pontos positivos de “O Casamento de Rachel”.

      Cleber, eu estava doida para conferir este filme e, finalmente, consegui fazer isso.

  12. Carol 28 junho, 2009 at 02:31 Responder

    Olá, Kamila!
    Já vi esse filme tem um tempo e achei várias cenas cortantes, daquelas doloridas de querer cavar um buraco e se esconder, como a da brincadeira com a lava-louças.
    Gostei do filme, mas achei que em algumas partes ele se perdia com muita dança, música…sei lá!
    Vai ver não captei totalmente! rsrs

    Beijinhos!

  13. Gabriel Oliveira 28 junho, 2009 at 03:53 Responder

    Realmente é um filme maravilhoso… a Rosemarie DeWitt está ótima e a Anne Hathaway está brilhante, fantastica… interpretação digna de Oscar… pena que Kate não foi Indicada na categoria coadjuvante… se fosse, esse Oscar já seria de Anne.. pena que foi esquecido em varias categorias e a Anne era a unica do Elenco que estava representando esse maravilhoso filme, no Oscar…. mais vamos ver se a Anne vai ganhar Oscar interpretando a Lendaria Judy Garland… Disseram que esse Filme Promete e Anne Hathaway é forte candidata a ganhar grandes prêmios do cinema…

    UM ABRAÇO KAMILA…

    • Kamila 28 junho, 2009 at 19:40 Responder

      Airton, eu adoro a Anne Hathaway. Acho que ela tem um belo futuro pela frente. Beijo!

      Carol, acho que o objetivo daquela dança, música era mostrar aquilo que o Otavio falou: povos, culturas diferentes convivendo pacificamente. Beijos!

      Gabriel, eu também acho que, se a Kate tivesse como coadjuvante, a Anne sairia com o Oscar. Ainda mais depois de ver a atuação over da Meryl em “Dúvida”. Eu quero muito ver a Anne como Judy Garland. Pode ser o papel da vida dela. Abraço!

  14. Ciro 28 junho, 2009 at 18:36 Responder

    Esse filme é incrível. Um dos melhores do ano passado. Roteiro muito bom, atuações muito boas – especialmente a Anne Hathaway. Bastante forte, mas na medida certa.

    beijos!

    • Kamila 28 junho, 2009 at 19:41 Responder

      Filipe, assista que ela está ótima.

      Brenno, eu espero que goste do filme, quando assisti-lo. Beijos!

      Ciro, concordo. Beijos!

  15. Régis 28 junho, 2009 at 20:19 Responder

    Eu gostei muito do filme, mas admito que 70% deste “gostei” se deve a Anne… qualquer um que me conheça um pouquinho sabe que eu amo, venero, a Kate Winslet. Digo e repito quantas vezes for necessario, que ela é minha atriz preferida… mas GOD, também sou o primeiro a dizer que neste ano, nem a pau ela tava melhor que a Anne Hathaway… pra mim, ninguém bateu a atuação da Anne, de todos os filmes que eu vi este ano… Ninguém… só pela parte que ela pergunta pra irmã: “Did I sacrifice every bit of… love I’m allowed for this life because I killed our little brother?”… eu já daria pra ela todos os prêmeios de atuação.

  16. Alex Pizziolo 28 junho, 2009 at 20:48 Responder

    Juro que não esperava muito do filme, mas ele me surpreendeu de uma maneira positivíssima!
    Está no meu Top 5 do ano passado!

    • Kamila 28 junho, 2009 at 21:36 Responder

      Régis, das atuações indicadas ao Oscar de Melhor Atriz, neste ano, a minha favorita, até agora, foi a da Anne Hathaway. Especialmente porque a da Kate Winslet é uma performance coadjuvante.

      Alex, o filme não entraria no meu top 5 do ano passado, mas foi, sem dúvida, uma agradável surpresa.

  17. Thyago 29 junho, 2009 at 00:04 Responder

    ainda não vi o filme, apesar de parecer interessante pelo seu breve resumo.
    e ocasiões como casamento ou o nascimento de um novo membro sempre unem a família, mesmo que momentaneamente. sei bem o que é isto XD

  18. Mandy 30 junho, 2009 at 03:59 Responder

    hehehe eu gostei, até q chegou no fim eu comecei a adiantar =D Hehehehe eu tenho bocado de filme tb!!! No momento tem uns 300 + seriados… tenho um html com os filmes, as notas q dei, as sinopses, onde esta guardado, é 1 dvdteca mesmo. Tem 1 programa q uso p/ arquivar tudo!!!

  19. Expedito Paz 1 julho, 2009 at 05:06 Responder

    Muito bom filme, a única coisa que me incomodou um pouco foi o estilo câmera na mão usado em muitas cenas. Eu sei que era pra deixar tudo com cara de documentário familiar, mas depois de certo ponto, passou a encher o saco.
    Fora isso, um filme tenso na medida certa, e a Anne Hathaway está espetacular.

  20. Wally 2 julho, 2009 at 02:54 Responder

    Um belíssimo filme sobre o ser humano. Diria que é até contundente em sua visão sobre o espírito humano. Digno cinema. Elenco fenomenal.

    Nota 8.5

  21. "Ricki and the Flash: De Volta Para Casa" (Ricki and the Flash, 2015) - Cinéfila por Natureza 22 setembro, 2015 at 00:43 Responder

    […] A mãe que era alijada do convívio familiar, agora tem a chance de poder, com suas particularidades, ensinar aos filhos um pouco sobre leveza, sobre se manter fiel àquilo que se é verdadeiramente e sobre ter a resiliência necessária para encarar as porradas que a vida, de vez em quando, nos dá. De uma certa maneira, tais temas encontram uma ressonância muito importante dentro da própria filmografia de seu diretor, que já explorou famílias disfuncionais antes em filmes como O Casamento de Rachel. […]

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