Budapeste

Já está implícito na própria palavra. O ghost-writer (escritor-fantasma) é aquele profissional de alto nível que presta serviços como redator de monografias, livros, artigos, discursos, entre outros gêneros textuais. Para exercer esta profissão, é necessário que o escritor tenha uma personalidade altamente discreta e esteja disposto a trabalhar silenciosamente, a desaparecer completamente após o trabalho ser finalizado e tenha um espírito altruísta necessário para ceder toda a propriedade intelectual do que foi escrito à pessoa que lhe pagou. 

O personagem principal do filme “Budapeste”, do diretor Walter Carvalho, é justamente este cara. José Costa (Leonardo Medeiros, excelente como sempre) não chama a atenção para si mesmo, passa despercebido a maior parte do tempo e é tão introvertido que nem mesmo a sua própria esposa, a jornalista Vanda (Giovanna Antonelli) sabe que tipo de trabalho ele faz. Principalmente, acima de tudo, Costa possui um dom raro para a palavra, é muito competente no que faz e já foi autor de textos que acabaram dando a fama para terceiros. 

Quando está passando por uma séria crise de identidade, José Costa terá uma oportunidade de reinvenção quando decide fincar raízes em Budapeste, capital da Hungria – cidade que, curiosamente, possui uma atração turística chamada Estátua ao Escritor Desconhecido, de Miklós Ligueti, que homenageia aquele que adaptou a história do país para a Literatura sem nunca esperar qualquer tipo de reconhecimento. Ele aprende a falar e a escrever em húngaro (que seria a única língua que o diabo respeita) com Kriszta (Gabriella Hámori) e se transforma em Kósta Zsoze, o qual também é um ghost-writer, com a diferença de que ele amplia seus horizontes literários e se vê bem mais feliz com o caminho que decidiu seguir. 

Baseado na obra homônima escrita pelo cantor e compositor Chico Buarque, “Budapeste” é um filme que exige uma certa paciência do espectador. Todo o roteiro se apoia no estado de espírito do seu personagem principal e é necessário colocar toda a sua atenção em José Costa para entender as nuances da trama do longa. “Budapeste” é um filme sobre escolhas e, especialmente, sobre como todos nós temos a necessidade de sermos valorizados, especialmente se for para causar orgulho naqueles que nos rodeiam e a quem amamos – é interessante perceber que todas as crises vividas pelo protagonista foram ocasionadas pela reação de suas mulheres ao trabalho que ele realizava, mas elas não sabiam que era dele. 

Cotação: 6,3

Budapeste (2009)
Diretor: Walter Carvalho
Roteiro: Rita Buzzar (com base no livro de Chico Buarque de Hollanda)
Elenco: Leonardo Medeiros, Gabriella Hámori, Giovanna Antonelli, András Balint, Andrea Balogh, Ivo Canelas, Antonie Kamerling

23 comments

  1. Vinícius P. 15 agosto, 2009 at 01:16 Responder

    Só vi comentários não muito positivos a respeito desse longa, fato pelo qual não tenho nenhuma curiosidade de ver “Budapeste”.

    • Kamila 15 agosto, 2009 at 01:27 Responder

      Thiago, tudo bem, obrigada. E com você? Obrigada pela visita, pelo comentário e pelo link. Bom final de semana!

      Vinícius, mas o filme tem aspectos legais. Eu recomendaria, ao menos, uma espiadinha.

  2. Mandy 15 agosto, 2009 at 02:39 Responder

    Em reusmo?

    Eu tenho sérias resistências. De uma forma geral eu quase sempre odeio, não consigo ouvir o que é dito, pois o audio é abafado. Os filmes que gosto são raras excessões. O cinema nacional se repete muito em cima das temáticas: boemia, comédia estilo Didi pastelão e pobreza, eu fico chateada.

    Só mesmo Bicho de 7 Cabeças, o Auto da Compadecida, Cidade de Deus e alguns outros para eu gostar mesmo…

    De forma geral eu não gosto e não pago 1 centavo hehehe!

    Guida não é 1 delícia? Dá voltade de morder a barriguinha rosa de porco dela!

    • Kamila 15 agosto, 2009 at 15:06 Responder

      Mandy, sua cadela é linda demais. AMEI! Quanto ao cinema nacional: eu apoio e assisto as obras, mesmo as de qualidade duvidosa. Tento valorizar aquilo que é produzido no meu país. E nossa qualidade técnica está ótima, pau a pau com a de outras indústrias cinematográficas.

      Otavio, obrigada. Beijos e bom final de semana!

      Carranca, espero que você não sente o pau em “Budapeste”. rsrsrsrsrrsrsrss Bom final de semana!

  3. altieresmachado 15 agosto, 2009 at 12:41 Responder

    Olá Kamila

    já tinha ouvido falar que esse filme é meio paradão e exige certa paciência dos expectadores. Não é um longa que chamou muito a minha atenção, mas quero mesmo assim conferir um dia.

    Bjos e até mais.

  4. Bruno Soares 15 agosto, 2009 at 15:54 Responder

    Nem li, nem vi. Estou esperando “À Deriva” chegar por aqui pra gastar meu dinheirinho com o cinema tupiniquim.

    Abs!

  5. luis galvão 15 agosto, 2009 at 21:07 Responder

    Esse é um dos livros que estão na minha estante de filas para eu lê. Ainda não assitir o filme, mas acho que darei uma oportunidade. Afinal, sou brasileiro, e nunca perco as esperança de um filme tupiniquim. Mesmo já sofrendo bastante durante esse anos. /)

    • Kamila 16 agosto, 2009 at 02:11 Responder

      Bruno, eu quero muito ver “Á Deriva” também! Abraços!

      Luís, eu não me interessei em ler o livro.. Mesmo após ter visto o filme. E eu sempre tento ver os filmes tupiniquins.

      Airton, você notou esse narigão? Eu nem percebi! rsrsrsrsrs Beijos!

  6. Vulgo Dudu 16 agosto, 2009 at 17:49 Responder

    Todas as pessoas que conheço que viram o filme não tiveram essa “paciência” requerida. Eu não li o livro e nem vi o filme, por isso não vou nem dar palpite. Mas Chico Buarque não é dos meus preferidos. Portanto, deve ficar para bem mais tarde…

    Bjs!

    • Kamila 16 agosto, 2009 at 22:56 Responder

      Dudu, como eu disse, a paciência é fator importante na experiência de se assistir a este filme, até porque a história pede tempo para se desenvolver. Beijos!

      Ciro, eu não li o livro e nem tive vontade de fazer isso após assistir à adaptação. Beijos!

  7. Ygor 19 agosto, 2009 at 20:00 Responder

    p çovro é otimo adorei, e quero muito ver o filme, infelizmente deixei passar no cine, spbre o filme, em especial pela presença do Leonardo medeiros , estou muito afim de ver, adoro todas as atuações dele até em novela consegue ser bom rsss

    abraço!!

  8. Eliéser Baco 24 agosto, 2009 at 03:08 Responder

    Leu o livro Kamila? EU fiz um artigo para a pós que faço, sobre esse livro do Chico, o filme não quis ver antes de terminar o artigo. Caso tenha paciência para ler depois te passo por email o artigo. Mas é sobre o livro e não o filme.

    te cuida!

    Parabens pelo post

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