9 - A Salvação

Quando se dá conta de que tem vida correndo dentro de si mesmo, o boneco 9 (dublado por Elijah Wood) começa a enfrentar o mundo. O grande porém, nessa história, é que a realidade que 9 irá conhecer é pós-apocalíptica, na medida em que os seres humanos foram dizimados por completo por máquinas destrutivas que caracterizam mais um caso em que a tecnologia criada e desenvolvida pelo homem se volta contra ele mesmo. 

A animação “9 – A Salvação”, do diretor Shane Acker, coloca o foco justamente no olhar do personagem principal sob esse mundo, os segredos que ele guarda e os caminhos tortuosos que ele deve evitar. Neste sentido, o filme tem uma certa riqueza, pois 9 encara tudo com um olhar sem contaminação por pensamentos anteriores, fato que o coloca em conflito direto com os membros de uma pequena comunidade de seres como ele, os quais preferem viver escondidos a enfrentar as máquinas exterminadoras que ainda ficam vagando por aí em busca deles. 

Apesar de ser um longa no gênero de animação, “9 – A Salvação” não é uma obra recomendada para as crianças. O roteiro escrito por Pamela Pettler trata de temas bastante espinhosos como a covardia diante das situações que nos causam medo, a coragem para enfrentar os elementos de autoridade da sociedade, a importância de se questionar aquilo que nos é mostrado e a necessidade de se conhecer profundamente tudo com o que entramos em contato (até mesmo para nos posicionar de forma correta diante disso). 

Produzido por gente do porte de Tim Burton e do russo Timur Bekmambetov, “9 – A Salvação” seria uma animação excelente se não fosse por um pequeno detalhe: em vários momentos o que vemos em tela nos lembra o que assistimos em uma obra chamada “Wall-E”. Desde o uso de uma clássica canção de um musical, passando pelos bonequinhos como último resquício da humanidade até chegar ao tipo de relacionamento que nasce entre os seres similares à 9. Custava pedir um pouco de originalidade a um filme cheio de idéias interessantes? 

Cotação: 7,0

9 – A Salvação (9, 2009)
Diretor: Shane Acker
Roteiro: Pamela Pettler (com base na história de Shane Acker)
Com as vozes de: Christopher Plummer, Martin Landau, John C. Reilly, Crispin Glover, Jennifer Connelly, Elijah Wood

26 comments

  1. Reinaldo Matheus Glioche 17 novembro, 2009 at 01:05 Responder

    Ainda não vi 9 – A salvação. Para ser franco, apesar dos nomes de Tim Burton e Bekmambetov, não me entusiamei a ir ao cinema conferir o longa. vou deixar para quando passar na tv por assinatura. Inadvertidamente, sua critica corrobora minhas suspeitas. Contudo, cinéfilo que sou, verei o filme. Mas confesso, mais como uma imposição pessoal do que por vontade. (Momento confessionário rsrs )
    Bjs

  2. Thiago 17 novembro, 2009 at 12:29 Responder

    Não me interessei por esse filme e nem lendo críticas sobre ele me faz querer ir aos cinemas. E você disse sobre o roteiro não ser para crianças, muitas animações são assim, Madagascar fala constantemente sobre ideologia, divisão de classes, etc.

    Ótima crítica Kamila.
    Abraço.

    Thiago @thiagoomb

    • Kamila 17 novembro, 2009 at 22:38 Responder

      João Paulo, então, de qualquer forma, verás o filme. 🙂 Beijos!

      Luís, exatamente!

      Thiago, eu acho que “Madagascar” é um filme totalmente direcionado ao público infantil. Nunca pensei nele dessa outra forma. Abraço e obrigada!

  3. WILLIS DE FARIA (Cinefilomaniacos) 18 novembro, 2009 at 01:09 Responder

    Anexando grandes nomes como Tim Burton e Timur Bekmambetov para um filme de animação é uma forma inteligente de chamar o público. Adicionar estrelas como Elijah Wood, C. John Reilly, Jennifer Connelly e Christopher Plummer a voz dos personagens, e o filme pode apenas quebrar a bilheteria. O stitchpunks são pequenas criaturas feitas de saco de estopa com os olhos da câmera de íris e um fecho de bronze gigante atravessando sua barriga, que se abre para encontrar acessórios incalculável e habilidades reveladas ao longo do filme. Cada superfície texturizada é minuciosa, o filme parece tão real, o público pode chegar a quase dentro da tela e pegar um stitchpunk para si próprio. Ao longo do filme que eles encontram máquina depois de roupa, cada um mais aterrorizante do que o passado, lutando para descobrir por que eles existem e como eles podem sobreviver. Cada criatura um tem um aspecto individual: 1 e 2 são supostos ser mais velhos, assim que seu pano parece um pouco mais desgastado, 7 é uma fêmea , e seu pano é mais suave que os outros. Os tímidos, os gêmeos infantil, 3 e 4, nunca falam, mas eles roubam a cena sempre que aparece, infinitamente arquivamento tudo à sua volta com um piscar de olhos. O filme é realmente lindo de se ver. O monstro assustador, cérebro contra a qual as criaturas devem defender-se lembra das máquinas em Matrix, olhos brilhando vermelho centrado em uma massa de tentáculos metálicos. Embora a voz atores seja talentosa, o diálogo é pouco, distante no meio, e sem importância para a trama do filme. O 9 é uma peça, inteligente maravilhosas da animação que vai deixar o público extasiado. O filme é a última linha de mão do mundo para o público. “O mundo é nosso agora”, diz 9, “É o que faz dele.” De fato é, o filme parece pedir que, como nós nos esforçamos para as inovações tecnológicas, não podemos nos perder no processo. Foi dada especial atenção aos olhos de 9 e de seus compatriotas, e apenas as pequenas coisas que as criaturas fazem com seus corpos traz em seus personagens. Eles têm pequenos movimentos que parecem torná-los como pessoas reais com caprichos individuais. Quando você está assistindo, você pode entender o que cada personagem está prestes em apenas alguns minutos, e isso ajuda um pouco com a minha capacidade de entrar na história. Nota: 9,0

  4. Rafael Carvalho 18 novembro, 2009 at 11:46 Responder

    Realmente Kamila, o filme se aproxima em alguns detalhes de Wall-e, mas sua narrativa segue um outro caminho e os resultados são bem bons. Estranhei que muita gente não tenha gostado do filme, para mim todo o dilema do 9 e as descobertas que ele irá fazer são muito pertinentes.

    • Kamila 18 novembro, 2009 at 22:52 Responder

      Rafael C., eu também achei o filme muito interessante e é como disse antes. Esse filme passou completamente despercebido nos cinemas. Uma pena!

Deixe uma resposta