500 Dias com Ela

Não precisa nem da eficiente narração de Richard McGonagle para saber que o casal central de “500 Dias com Ela”, filme de Marc Webb, não terá um final feliz. Também não precisa ser a pessoa mais experiente na arte do amor para saber que Tom Hansen (Joseph Gordon-Levitt) e Summer Finn (Zooey Deschanel), apesar de bastante compatíveis um com o outro, são aquele tipo de casal que não adianta querer forçar a conexão, especialmente se eles se encontram em momentos de vida completamente diferentes, em que cada um tem uma expectativa a respeito de um relacionamento e daquilo que espera de seu parceiro. 

O roteiro escrito por Scott Neustadter e Michael H. Weber é bem claro no sentido de nos mostrar as diferenças entre Tom e Summer. Enquanto ele acredita piamente naquela noção do amor verdadeiro, que cada pessoa tem a sua cara metade e que, provavelmente, ao encontrá-la, ele viverá feliz para sempre; Summer, uma filha de um lar desfeito, não acredita na instituição do casamento, ou no amor em si, e pula de relacionamento casual em relacionamento casual, sem se deixar se envolver muito pela pessoa. 

“500 Dias com Ela” também é muito claro em seu título, uma vez que acompanhamos, no filme, um processo que tem a perspectiva da parte mais otimista deste par. Tom nos relembra daquele sentimento de euforia que é comum à descoberta da paixão e, principalmente, à possibilidade de vivê-la. Porém, ao mesmo tempo, Tom é o retrato vivo de que o amor é uma via de duas mãos. De nada adianta ter tanto amor para dar se não existe algo para se receber em troca. Isso só traz infelicidade. 

Por isso, a decisão de enfocar o roteiro no olhar de Tom se revela a mais acertada por parte dos roteiristas. “500 Dias com Ela” é uma comédia romântica totalmente diferente daquelas que conhecemos. Especialmente pelo fato de colocar em confronto uma visão realista sobre o amor (Summer) e uma visão idealizada do sentimento (Tom). No final, ficamos todos nós com uma bela lição: não existe destino, nem universo conspirando para que algo aconteça. O que existe de mais determinante nos nossos dias é a coincidência. O fato de termos uma rotina e dos eventos que vivemos serem totalmente ordinários e comuns. A coincidência, a casualidade é o que faz o amor acontecer – se não com uma pessoa, com outra, com mais outra... 

Cotação: 9,0

500 Dias com Summer ((500) Days of Summer, 2009)
Diretor: Marc Webb
Roteiro: Scott Neustadter e Michael H. Weber
Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Zooey Deschanel, Clark Gregg, Minka Kelly

44 comments

  1. Robson Saldanha 29 janeiro, 2010 at 22:27 Responder

    Sou suspeito para falar deste filme. ele me conquistou de maneira muito interessante, talvez pelo fato de ter passado por ‘coisas’ parecidas. O roteiro é brilhante, a trilha é tocante e as atauções super bem colocadas. E me deu uma certeza: Todo homem é idiota, em qualquer parte do mundo. E eu me incluo nessa. ¬¬’

    • Kamila 29 janeiro, 2010 at 22:29 Responder

      Brenno, legal! Mas, acho que esse filme mexe com a estima das pessoas de uma forma diferente, até porque o Tom sofre muito no filme. Beijos!

      Robson, eu também fui conquistada pelo filme totalmente. Amei a trilha, o roteiro. E nem todo o homem é idiota, tá??? Se esquece que muitos de vocês fazem a gente de idiota também??? rsrsrsrrs A questão é que homem apaixonado é igual em qualquer lugar do mundo!

  2. Marcus 29 janeiro, 2010 at 22:30 Responder

    Uma breve passagem que sintetiza perfeitamente a crueldade do amor nesse filme:

    “E esse, com os corações bonitinhos? Acho que sei o que é esse cartão. ‘Feliz dia dos namorados, docinho. Eu te amo’. Isso é lindo. O amor não é ótimo? É exatamente disso que estou falando. O que isso significa? Amor. Você sabe? Se alguém me desse esse cartão, Sr. Vance, eu o comeria. São esses cartões, os filmes e as músicas pop. São os culpados por todas essas mentiras. E os desgostos. Tudo. Somos responsáveis. Eu sou responsável. Nós fazemos uma coisa ruim. As pessoas deveriam poder dizer como se sentem. Como realmente se sentem, não umas palavras que um estranho coloca na boca delas. Palavras como amor… não significam nada.”

    Bjs Kamilinha!

  3. Luis Galvão 29 janeiro, 2010 at 23:14 Responder

    Acho que Webb soube trazer toda a experiência dele dos videoclipes e transformou um filme simples numa bela obra inspirada e tocante. A trilha é perfeita, o casal é maravilhoso, as situações são hilárias e verossímeis. E acho que aquela cena dele dançando e cantando ao som de ‘You Make My Dreams Come True’ maravilhosa e uma das melhores.

  4. Yuri 30 janeiro, 2010 at 00:06 Responder

    O filme é delicado de certa forma, consegue contar uma história que facilmente cairia na cliché e na mesmice de forma original, que nos faz acreditar naquilo que vemos, além da ótima edição, direção e atuação do casal protagonista. Mesma nota pra mim =)

    Beijos

  5. Mayara Bastos 30 janeiro, 2010 at 00:23 Responder

    Amiga, sabia que você iria gostar de “(500) Dias com Ela”. Que filme gostoso e uma grata surpresa. Gostei da sacada do roteiro, como a famosa cena da Realidade X Expectativa e mostra como deve ter vários Toms ou Summers na realidade. Teve horas que me dava vontade de dar uns cascudos na Summer por causa de sua atitude com ele, rsrsrs. E me apaixonei pelo Tom. rsrsrsrs

    Beijos! 😉

    • Kamila 30 janeiro, 2010 at 01:28 Responder

      Yuri, concordo plenamente com teu comentário. Beijos!

      Mayara, eu não esperava gostar tanto do filme, tinha expectativa em relação a ele e elas foram totalmente cumpridas. O Tom é apaixonante mesmo! Beijos!

      Leo, obrigada pela visita e pelo comentário!

  6. Rogerio 30 janeiro, 2010 at 02:21 Responder

    Legal, gostei da tematica do filme, e parabens pela análise na resenha.
    Olha só, ali embaixo na ficha técnica vc errou o nome em portugues, take a look.
    Bjus e bom fim de semana

    • Kamila 31 janeiro, 2010 at 20:22 Responder

      Alexandre, verdade. O filme cult de 2009! 🙂

      Rogerio, obrigada! E percebi depois que tinha confundido o nome original do filme. Vou conferir! Beijos! Bom domingo!

      Bruno K., obrigada! A trilha sonora é excelente mesmo!

  7. João Paulo 30 janeiro, 2010 at 13:20 Responder

    Assim, a nota do filme para mim não só apenas reflete a eficiencia maravilhosa desse filme simples mas que sabe muito bem fazer a diferença com o que tem. Acredito que tanto ele quanto Paper Heart mostram de como é visto os relacionamentos atualmente, apesar dos 500 dias de verão não ter terminado como deveria terminar.

    Fazer o que né Milla, a vida imita a arte … ou o inverso?
    Beijos

  8. Pedro Henrique 30 janeiro, 2010 at 14:20 Responder

    Pô, eu não gostei muito não. Acho que o diretor fez um esforço tão grande pra identificar o filme com referências (Smiths, etc…) e colocou dois personagens inúteis (os amigos do Tom) dentro de uma história bastante interessante. ejo os dois amigos dele apenas como meros bonecos para representar um clichê (fazer piadas, ser os bobões da história). Não senti intimidade suficiente entre esse trio que, a princípio, se conhece a anos. Quanto a narrativa, é um bom esboço, mas existe uma diferença entre relatar os sentimentos e fazer um filme realmente sentimental.

    • Kamila 31 janeiro, 2010 at 20:27 Responder

      João Paulo, acho que a vida imita a arte e vice-versa. Beijos!

      Otavio, hum, essa eu teria que pensar. Não sei mesmo se é a melhor comédia romântica da última década. Beijos!

      Pedro, os amigos de Tom são mesmo inúteis. O filme poderia ficar só nos dois personagens principais mesmo.

  9. Reinaldo Matheus Glioche 30 janeiro, 2010 at 14:42 Responder

    Gostei desse filme. Com uma narrativa muito inventiva. Embora não seja essencialmente original ( comédias como separados pelo casmaneto e terapia do amor já antecipavam essa tendência) o tom do registro é original. E acerta em cheio. Além da ótima trilha e da bela interpretação de Levitt.
    Bjs

  10. Victor Nassar 30 janeiro, 2010 at 23:08 Responder

    Muito, muito bom!!! A cena da tela dividida e a da disney são as melhores pra mim! heuhsa
    Acho que a idéia “do que a gente quer que ocorra, com o que realmente ocorre” sempre acontece nas nossas vidas. Sempre criamos uma expectativa, imaginamos os acontecimentos e acaba sempre tudo muito diferente…
    A trilha também é demais!
    “500 dias com ela” é um fôlego pro gênero!

    Beju Kamila!

    • Kamila 31 janeiro, 2010 at 20:28 Responder

      Reinaldo, o tom do registro é original mesmo! Beijos!

      Ciro, obrigada! Beijos!

      Victor, a cena de dança foi a melhor para mim. E é normal criarmos expectativas, mas a gente não poderia se prender tanto a elas e acho que é isso que este belo filme mostra. Beijos!

  11. Rafael Moreira 31 janeiro, 2010 at 05:52 Responder

    Kamila, finalmente você pode conferir esse filme. Eu achei fantástico, me cativou logo no início. Possui uma história simples, mas que sai da mesmice, levando-nos até um final espetacular. Bjos!

  12. Vinicius Silva 1 fevereiro, 2010 at 00:49 Responder

    amei esse filme. Tenho nem palavras, digo que é a Annie Hall do nosso tempo (na falta de uma outra expressão). Talvez eu esteja vislumbrado demais, mas é o que significa pra mim.

  13. Vinicius Silva 1 fevereiro, 2010 at 02:09 Responder

    @Kamila

    auisuishhsuiuhiauhiuhiauhisuhiauhis

    Pode ser um exagero, né? Mas, sei lá. Assim como Annie Hall, ‘500 Dias com Ela’ é um desses filmes que conseguem mexer com aquilo que a gente sente. Eu fiquei impressionado ao perceber o tanto que eu pareço com o Tom e, principalmente, como o meu relacionamento com a minha namorada se parece tanto com aquele que ele teve com a Summer auihsuihs

    eu acho que é por isso que eu gostei tanto dele. Ainda no fim de semana passada, eu e minha namorada estávamos revendo o filme. E ela diz: nossa, eu sou tão a Summer, você é tão Tom. Como é que a gente ainda dá certo?”, vai entender aiuhuishs

    beijos!

  14. Weiner 1 fevereiro, 2010 at 20:29 Responder

    Com toda certeza “500 Dias Com Ela” é uma das melhores comédias dramáticas dos últimos anos, sou capaz de afirmar que desde “Annie Hall” (filme com o qual ele se comunica bastante) não tínhamos um filme tão inteligente deste gênero.
    Beijos, Kamila!

    • Kamila 1 fevereiro, 2010 at 22:10 Responder

      Vinícius Silva, ah, você se identificou com o filme por isso as comparações empolgadas. Mas, legal quando isso acontece. Beijos!

      B., eu acho difícil que isso aconteça. Vou ver sua relação lá!

      Weiner, olha! Mais um que compara o filme com “Annie Hall”. Beijos!

  15. Lara 5 janeiro, 2011 at 20:59 Responder

    Bom, em algum ponto, sou obrigada a deixar de concordar com você. Entendi o filme numa linguagem sutilmente irônica. A mensagem que ele nos passa, especialmente em seu final, é muito mais do que falar sobre coincidências!

Deixe uma resposta