Um Homem Sério

publicado em:27/05/10 10:40 PM por: Kamila Azevedo Filmes

Existem certos momentos da vida da gente em que nós sentimos como se estivéssemos vivendo um inferno astral porque só recebemos uma notícia ruim atrás da outra. Nestes casos, existem duas opções: ou a pessoa irá pirar ou irá enfrentar tudo com muita força e naturalidade. O professor de física Larry Gopnik (Michael Stuhlbarg) passará por uma fase dessas de forma serena – apesar de ele estar, literalmente, se desmoronando por dentro. 

No decorrer de “Um Homem Sério”, filme dos irmãos Ethan e Joel Coen, Larry vai ver o mundo em que ele acredita ruir por completo. Sua esposa Judith (Sari Wagner Lennick) está deixando-o, pois se apaixonou por um dos seus colegas (Fred Melamed). O irmão Arthur (Richard Kind) vive lhe causando problemas. Os dois filhos (Aaron Wolff e Jessica McManus) não o respeitam. E, no trabalho, Larry vive a expectativa de ser efetivado ou não na universidade aonde ele dá aulas. 

De origem judaica, Larry segue os conselhos de alguns amigos mais próximos e se volta à religião. Ele procura conforto nas palavras de três diferentes rabinos. No final, o que ele vai depreender disso tudo é que a vida não somente é uma caixinha de surpresas, como é um verdadeiro teste, em que momentos tristes e alegres se revezam de forma a nos fazer alcançar uma verdadeira perspectiva daquilo que somos e do que somos feitos. 

Antes de assistir a “Um Homem Sério”, eu pensava que este filme era mais uma daquelas comédias non-sense que os irmãos Coen, de vez em quando, costumam fazer. Ledo engano. O filme é um drama sobre o cotidiano, sobre o nosso dia a dia, sobre encarar a vida por aquilo que ela é. Fundamental nessa proposta é a excelente performance de Michael Stuhlbarg. Ele conquista a nossa empatia logo de cara. 

Cotação: 7,5

Um Homem Sério (A Serious Man, 2009)
Direção: Joel e Ethan Coen
Roteiro: Joel e Ethan Coen
Elenco: Michael Stuhlbarg, Richard Kind, Fred Melamed, Aaron Wolff, Jessica McManus, Sari Wagner Lennick



Kamila Azevedo

Jornalista e Publicitária



Comentários


Tinha medo deste filme, já que li comentários meio mornos com relação a narrativa e o final dele, mas unanimes com relação a atuação do Michael Stuhlbarg. E, fiquei mais animada para assistir o filme depois de seu texto. Agora, é só esperar ele chegar na locadora. rsrs.

Beijos! 😉

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Um Homem Sério e Amantes são as duas obras americanas mais lúcidas do ano de 2009. Mas Um Homem Sério, por ser ainda auto-biográfico, é mais visceral. Sim, Um Homem Sério é capaz despertar no espectador os sentimentos mais depressivos. Também não diria que a obra defenda a misantropia, como o querem alguns, mas que apenas é pessimista em sua essência. O roteiro é genial, daria um livro divagar suas nuances. As atuações são muito precisas. A direção clássica mas impecável. Amo muito este filme, cada mm da película! Por ser hermético, foi o filme menos apreciado dos irmãos. Uma pena!
Um abraço!

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É com muito pesar que venho aqui admitir que ainda não conferi o mais recente trabalho dos irmãos coen. Estou devendo isso a eles! Pelo que pude ver no trailer (a começar pela trilha do Jefferson Airplane) me atraiu bastante. É bem o estilo tresloucado da dupla! A conferir.

P.S: aproveitando que você comentou Aconteceu em Woodstock – amei esse filme!!! Lúdico, histórico, é tudo de bom.

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Cassio, ainda não assisti “Amantes” e nem sabia desse aspecto auto-biográfico de “Um Homem Sério”. Também acho uma obra pessimista, o final é muito “injusto”, mas assim é a vida, às vezes. Abraço!

Roberto, assista, é bom mesmo! E eu não gostei tanto quanto você de “Aconteceu em Woodstock”.

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Kamila, com certeza, você vai gostar Amantes. Na minha opinião, o melhor filme do ano. Simplesmente esnobado pela crítica e pela Academia (vergonhoso, Paltrow ganhar um Oscar por Shakespeare Apaixonado e, na melhor performance de sua carreira, nem ser nomeada – revelando as “forças invisíveis” que movem, inclusive, as premiações). Breve ganhará um post no DC. Aliás, recomendo o livro “Do Amor e das Diversas Fases dessa Doença”, do filósofo Sthendal, ou ainda, Ética de Spinoza, para melhor compreensão da obra.
Outro abraço.

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Cassio, espero gostar muito de “Amantes”. Ele está passando na programação dos canais Telecine e espero poder assistí-lo em breve. Obrigada pela recomendação de leitura também. Abraço!

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Novamente os Coen me surpreenderam e continuo fã do cinema deles. Realmente é um filme bastante “lúcido” deles, talvez o melhor da dupla em algum tempo.

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O filme questiona o sentido da vida e satiriza a sociedade americana de uma forma fantástica. Gosto muito dos irmãos Coen. Só discordo quanto a uma coisa, acredito que todos os filmes deles, de uma forma ou de outra, fazem reflexões sobre a natureza humana não apenas este.

abraços

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Um dos filmes mais sem nexo, mais bizarro, mais estranho que eu já vi na minha vida. (Até agora não entende o fundamento daquela cena inicial, mas…) Mas não é que eu gostei? lol O Michael Stuhlbarg tá bem demais.
Bjs bom final de semana Kam!

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Vinícius, você não gostou de “Onde os Fracos Não Têm Vez”?? Eu gostei de “Um Homem Sério”, mas acho a primeira obra que eu citei bem melhor.

Amanda, obrigada pela discordância e, de uma certa maneira, você tem razão. Abraços!

John, mas a cena inicial está TOTALMENTE ligada à cena final. É a conclusão daquilo que assistimos no início. Bom final de semana pra você também!

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Legal, Kamila! Eu adorei o filme. E ainda estou pra ler uma crítica bem fundamentada sobre os porquês do filme não ser bom. Falar que o filme é lento, chato, parado, isso é conversa pra boi dormir.

Até mais!

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Os irmãos Coen sempre nos apresentam filmes com um algo a mais e neste caso não foi diferente.

Pode não ser o melhor trabalho dos caras, mas com certeza é algo que vale a pena ser assistido.

Abs!

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Pedro Henrique, eu também gostei do filme. Bastante. Fiquei bem surpreendida com isso. Até mais!

Bruno, exatamente. Abraços!

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hunmn. de fato naõ posso negar que os Coen estão sendo bastante respeitados por todos, porém achei o filme um pouco monótono demais e se não fosse pelo Stuhlbarg não prenderia tanto minha atenção.

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Não consigo enxergar o que quase todo mundo viu nesse filme. Achei monótono e pouco interessante. O único aspecto que realmente gostei foi a interpretação do Michael Stuhlbarg!

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Eu acho o filme perfeito. Sou super fã dos Coen – inclusive, acho que nunca fizaram um filme nonsense! rs… Esse ai é uma volta aos trabalhos mais consistentes deles, lá do começo da carreira. Depois de Queime depois de ler eles precisavam de uma pequena obra-prima como essa. É uma aula de roteiro, de fotografia, de montagem, de direção de atores etc.

Bjs!

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Dudu, eu acho que eles fizeram vários filmes non-sense. rsrsrsrsrsrsrrsrsrsrsrrss Eu adorei esse filme. Concordo com teu comentário! Beijos!

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