Toy Story 3

Nos dois primeiros filmes da série “Toy Story”, os brinquedos de Andy tinham um único medo: o de serem deixados de lado por seu dono. Em “Toy Story 3”, do diretor Lee Unkrich, o dia fatídico chegou, mas não por quê Andy se afeiçoou a novos brinquedos, e sim porque ele cresceu. Com 17 anos e prestes a ir para a faculdade, Andy sofre as pressões da mãe para decidir aquilo que ele irá levar consigo na nova etapa de sua vida, aquilo que ele irá armazenar no sótão de sua casa ou aquilo que será destinado à doações ou será colocado no lixo. 

Como sempre aconteceu nas estruturas narrativas dos dois filmes anteriores, a trama de “Toy Story 3” ganha em movimentação a partir do momento em que o primeiro ponto de transição da história se apresenta: achando que serão jogados na lata do lixo, os demais brinquedos de Andy – incluindo aqui Buzz Lightyear (dublado por Tim Allen) – decidem mudar seu destino e embarcam em uma jornada numa creche, aonde serão os novos companheiros de brincadeiras de outras crianças. Como sempre, neste caso, entra a figura de Woody (dublado por Tom Hanks), que, por ter uma lealdade enorme àqueles que possuem seu apreço, sai em busca do resgate de seus amigos, tentando mostrar para eles que Andy, na realidade, nunca intencionou descartá-los no lixo, como se eles fossem seres sem importância. 

Um lado interessante dos filmes da série “Toy Story” é que eles ensinam aos pequenos sobre temas importantes como lealdade e companheirismo. Isso tem de sobra nesta terceira parte, mas, aqui, temos o registro do lado agridoce que representa a rejeição – ou o medo dela acontecer. Através da história de Andy e de seus brinquedos, o que “Toy Story 3” ensina é que a rejeição não vem porque não existe mais amor ou o sentimento de carinho. A rejeição vem do senso de que aquela parte da vida chegou ao fim. O que vale, no final, é que estes momentos ficarão nas nossas memórias e sempre faremos parte das existências uns dos outros. 

São elementos como esses que diferenciam os filmes produzidos pela Pixar dos outros longas do gênero de animação. Obras como “Toy Story 3” ou “Up – Altas Aventuras” ou “Ratatouille” ou “Procurando Nemo” possuem características peculiares: uma forma de falar universal, que emociona e entretém crianças e adultos, sobre temas que fogem do padrão dos longas dirigidos ao público infantil. Tome-se como exemplo disso o ato final de “Toy Story 3”. Ele nos mostra que o término de algo não é necessariamente um fim. Ele pode significar um novo começo e a possibilidade de traçar uma nova história em que toda uma gama de novos sentimentos se apresenta. Quer coisa mais verdadeira – e linda – que isso? Um fechamento perfeito para uma franquia que conseguiu seu lugar cativo no coração de cinéfilos do mundo inteiro. 

Cotação: 9,3

Toy Story 3 (Toy Story 3, 2010)
Direção: Lee Unkrich
Roteiro: Michael Arndt, Andrew Stanton, John Lasseter e Lee Unkrich
Com as vozes de: Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Kelsey Grammer, John Morris, Michael Keaton, John Ratzemberger

30 comments

  1. Amanda Aouad 2 julho, 2010 at 02:38 Responder

    Eu ainda me arrepio lembrando da cena final. Essa questão de ensinar valores aos pequenos, é mesmo muito interessante. E interessante essa questão de que o término de algo não é necessariamente um fim.

  2. Marilia Costa 2 julho, 2010 at 14:13 Responder

    Gostei muito da sua resenha sobre esse filme. Eu o assisti na primeira semana de lançamento e tive essa mesma impressão. O amor entre eles ficou, mas é hora de um novo começo.

    Você conseguiu expressar o que pensei!
    =D

  3. Johnny Strangelove 2 julho, 2010 at 14:23 Responder

    Ainda ecooa na minha cabeça os momentos finais … Porém em realidade o que mais me emocionou não foi a cena especifica, mas a preparação dela e de uma personagem fundamental … a mãe de Andy … acho que vc sabe qual é o filme …

    Um filme belissimo e concreto … com certeza Toy Story 3 é mais um acerto dessa empresa (quase) perfeita … Mas o 3D dele é bem refinado … mas ainda não foi a melhor animação que vi em 3D (o posto ainda continua sendo de Tá Chovendo Hamburger que é um dos melhores que já vi …)

    Xerim Milla! Um grande bejo pra vc! Também confire a resenha no blog!

    • Kamila 2 julho, 2010 at 16:32 Responder

      Reinaldo, concordo! Beijos!

      Marília, obrigada! Também assisti ao filme na sua primeira semana de lançamento.

      João, na minha mente também! Não sei qual filme você se refere! Não é a melhor animação em 3D, nem o melhor filme da Pixar, mas é uma das melhores obras de 2010. Beijo!

  4. Luis Galvão 2 julho, 2010 at 15:23 Responder

    Mais uma ótima crítica sobre esse filme que me desperta bastante interesse. Toy Story realmente fez parte da minha infância e o seu fechamento parece ter sido perfeitamente executado. Preciso assistir urgentemente.

  5. Paulo Ricardo 2 julho, 2010 at 16:04 Responder

    Vou ver essa animação amanhã.Estou animado pelos roteiristas Michael Arndt(do excelente,Pequena Miss Sunshine) e Andrew Stanton.Bjs.

    *Futebol sempre foi minha paixão.Sou flamenguista doente e torço pela seleção brasileira.Escrevo esse texto após a eliminação para a Holanda.É triste constatar que a Holanda foi superior ao Brasil.Jogadores do porte de Sneijder,Huntelaar,Van Persie e Robben é pra se respeitar.Não foi o Brasil que jogou mal(gostei do 1° tempo da seleção),foi os Holandeses que foram superiores a seleção.Agora volto minhas atenções ao cinema,e acho que a Argentina se ganhar amanhã da Alemanha caminha para o tri-campeonato mundial.É triste constatar que grandes jogadores como Ronaldinho Gaúcho,Paulo Henrique Ganso e Roberto Carlos foram subestimados por Dunga e sequer foram convocados.A vida segue sem copa do mundo…

    • Kamila 2 julho, 2010 at 16:37 Responder

      Luís, assista mesmo!

      Paulo Ricardo, assista mesmo! Eu assumi, no Twitter, que, em Copa do Mundo, sempre me divido entre Brasil e Holanda. Sou uma apaixonada por futebol também e, particularmente, este jogo foi muito difícil para eu assistir. Mas, não podemos ser cegos. A Holanda foi superior ao Brasil no segundo tempo inteiro. Sneijder foi um MONSTRO em campo hoje. Robben fez o seu papel. Van Persie também. Van Bommel excelente na marcação. A dupla de zaga holandesa muito segura, assim como o goleiro do time. Minha torcida, contrariando a de todos, a partir de agora, é totalmente da Holanda. E espero, sinceramente, que a Argentina esteja na final. É bom pro espetáculo, mas a sensação que eu tenho é a de que dará Alemanha e Holanda na final e este será um belo duelo!

  6. Marilia Costa 2 julho, 2010 at 16:44 Responder

    Kamila, eu acho que se formos analisar realmente, “stardust” não é um filme muito bom mesmo. Mas confesso que fantasia acaba por receber uns créditos a mais na minha opinião (obviamente que nem todos se salvam, ainda que sejam fantasia).

  7. Cristiano Contreiras 2 julho, 2010 at 18:13 Responder

    SIMPLESMENTE ÚNICO!

    Saí emocionado e contagiado pelo ritmo, roteiro e produção do filme – como pôde ser tão perfeitinho? sim, Toy Story 3 consegue ser mais criativo e mais humano que os dois primeiros, sem dúvida coloca no chinelo as chatices repetitivas de Shrek e é mais digno, prazeroso e mais legal que outras animações por aí.

    Achei muito bom mesmo a maneira como coloca a questão dos brinquedos – buscam, mais que tudo, o afeto dos humanos; querem atenção e não querem ser esquecidos jamais pelos seus donos – estes, inevitavelmente, crescem e tem que lidar com escolhas também.

    O roteiro é muito bem dosado – é mais ousado na parte de delinear detalhes da vida e motivação do urso roxo…da forma como recria os diálogos e entrosamento de Woody e cia; da maneira como toca em nós nas cenas finais de Andy despedindo-se dos brinquedos…na maneira como a ação se desenrola com o humor…nunca ri tanto e, confesso aqui, que chorei no final…me arrepiei sim…e saí apaixonado!

    Fiquei feliz mesmo! Toy Story fez parte de minha infancia, e pelo visto será definitivo pra toda vida!

    Abraços

    • Kamila 2 julho, 2010 at 22:00 Responder

      Marília, eu não sou muito fã de filmes de fantasia. Acho que esta é a questão maior!

      Cleber, não diria que é uma obra prima, mas, sem dúvida, é um belo filme!

      Cristiano, é um filme único mesmo! Também saí emocionada do cinema. Concordo que é o melhor longa dos três da série, fora ser o grande destaque do gênero de animação neste ano. Adorei sua interpretação sobre o filme. Concordo com muita coisa que você escreveu! Abraços!

    • Kamila 2 julho, 2010 at 22:01 Responder

      Otavio, concordo! Que lindo comentário! É impossível não se emocionar com aquele final? Todos já estivemos naquele lugar, provavelmente. Beijos!

  8. Renan Canuto 7 julho, 2010 at 14:45 Responder

    Boa resenha, Kamila. Meu foco, entretanto, foi mais na questão do desapego. Pensamos de forma parecida, mas retratamos o que sentimos de forma diferente – acho que é mais ou menos por aí.

    Toy Story 3 conseguiu a proeza de começar e terminar bem. Trilogia estupenda, muito embora a crítica não tenha gostado tanto deste último. Quem disse que a crítica sabe tudo, não é?

    Beijos! Ah, repito: to lendo Clarice Lispector! rs

    • Kamila 7 julho, 2010 at 22:43 Responder

      Renan, obrigada! E é sempre bom ler opiniões diferentes da nossa. Muitas vezes, a gente abre o olhar pra essa visão diferente. E que bom que está lendo Clarice Lispector! 🙂

  9. Nayara 15 julho, 2010 at 21:17 Responder

    Adoro Toy Story, mas não posso dizer que fez minha infancia como muitas pessoas daqui pode dizer, quando surgiu o primeiro deveria ter um ano ou menos dependendo do dia e mes que lançou. Mas amo muito o filme, e sim não é o final, pois a Pixar está pensando em fazer um quarto, mas ainda não é definido.

  10. AMPAS Seleciona 15 Filmes de Animação « Cinéfila por Natureza 17 novembro, 2010 at 01:12 Responder

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