A Garota Ideal

Não é normal para um jovem da idade de Lars (Ryan Gosling) querer ficar sozinho o tempo inteiro, evitando o mínimo contato com as pessoas. Não é normal para um jovem da idade de Lars comprar, na Internet, uma boneca inflável e fingir que ela é alguém que ele conheceu na Internet. Da mesma forma, também não é normal para as pessoas que fazem parte do convívio de Lars entrar nessa ilusão dele e começarem, também, a fingir que Bianca (a tal boneca inflável) é uma pessoa real e que tem ocupações e uma rotina bem definida. 

Como se pode perceber, existem coisas muito estranhas na trama de “A Garota Ideal”, de Craig Gillespie. Elementos que poderiam até mesmo afastar pessoas da vontade de assistir ao longa. Mas, por trás de uma premissa totalmente bizarra, o roteiro escrito por Nancy Oliver (indicada ao Oscar 2008 de Melhor Roteiro Original) é, na realidade, uma grande história de amor cujos maiores vértices não são Lars e Bianca, e sim Lars e as pessoas que fazem parte do convívio dele. Por amarem Lars, por quererem vê-lo bem, por enxergarem o quanto que Bianca fez bem para ele (que passou a ter uma vida social novamente) é que todas as pessoas da cidadezinha aonde ele moram irão embarcar nesta jornada peculiar, porém bonita. 

Ou seja, em “A Garota Ideal”, temos o retrato daquele que é o tipo de amor mais verdadeiro que existe: aquele que exige de nós sacrifícios, de forma a vermos um outro mais feliz. É um tipo de amor altruísta e que não é egoísta. Para entrarmos também neste sentimento e, consequentemente, em toda a história de “A Garota Ideal”, seria necessário um Lars que causasse na gente o tipo de compaixão e simpatia necessárias. Felizmente, Ryan Gosling é aquele tipo de ator que desperta na gente todos os melhores sentimentos. Por ele, nós também seríamos capazes de aturar até mesmo as coisas mais estranhas. 

Cotação: 8,0

A Garota Ideal (Lars and the Real Girl, 2007)
Direção: Craig Gillespie
Roteiro: Nancy Oliver
Elenco: Ryan Gosling, Paul Schneider, Emily Mortimer, Patricia Clarkson

25 comments

  1. Alexsandro Vasconcelos 9 agosto, 2010 at 23:55 Responder

    Bonito demais esse filme. Acho-o subestimadíssimo, em especial no que diz respeito ao Ryan Gosling e a Emily Mortimer, que mostraram duas performances excelentes. Como você disse, não se trata só do amor entre um rapaz e uma boneca inflável, mas de todo um grupo de pessoas que fazem isso “dar certo” por amarem o protagonista.

  2. Otavio Almeida 9 agosto, 2010 at 23:57 Responder

    Pode demorar um pouco, mas quando chegar a linda sequência do boliche ou os 10 minutos finais, qualquer tipo de espectador acreditará em Bianca. Ou no que ela representa.

    Ryan Gosling tem um talento curioso. Sua performance como o incompreendido Lars é única. Ao mesmo tempo, sua criação é enigmática, encantadora e perturbadora. Algo difícil de ser explicado com palavras. É uma atuação que, obviamente, torna-se mais intensa e completa com a colaboração do elenco – especialmente Paul Schneider, Emily Mortimer (extraordinária) e Kelli Garner – focado na redescoberta da bondade escondida em algum lugar da alma.

    Bjs!

    • Kamila 10 agosto, 2010 at 00:10 Responder

      Alexsandro, o filme realmente é bem subestimado, especialmente estas duas atuações desses dois atores que você citou.

      Otavio, exatamente. Perfeito, Otavio! O Ryan Gosling, para mim, é o melhor ator da geração dele. Ele é brilhante e me lembra demais o Edward Norton, não sei por quê. rssrsrs E a Emily Mortimer foi minha coadjuvante favorita. Beijos!

  3. Yuri 10 agosto, 2010 at 00:35 Responder

    É um filme despretensioso que surpreende, depois de um enredo que aparenta ser algo muito estranho, como você diz. Muito pela interpretação excepcional de Ryan Gosling o excelente roteiro é a alma do filme. ****

  4. cleber eldridge 10 agosto, 2010 at 01:15 Responder

    O desempenho de Ryan Gosling é incrivel, o ator só tem escolhido excelentes projetos, e merece respeito por isso. Em ‘A Garota Real’, que prima por um roteiro bem escrito e desenvolvido, com ótimos personagens e passagens desde engraçadas até as mais dramaticas. É um excelente filme que merecia mais atenção.

  5. Vulgo Dudu 10 agosto, 2010 at 14:15 Responder

    Vi esse filme há muito tempo, e adorei. É o tipo de argumento que, em mãos erradas, viraria pastiche. Mas a direção é segura o suficiente para extrair drama da situação. É, no fim das contas, um filme bonito.

    Bjs!

    • Kamila 10 agosto, 2010 at 19:33 Responder

      Cristiano, procure mesmo. Acho que você vai gostar. Beijo!

      Reinaldo, e bota atuação inspirada nisso! Beijos!

      Dudu, concordo plenamente com o teu comentário! Beijos!

  6. Vinícius P. 10 agosto, 2010 at 16:43 Responder

    A Nancy Oliver trabalhou nesse filme um tema que facilmente poderia cair no ridículo, mas que é tratado de maneira tão sensível que é improvável não se emocionar. Acho que esse é o maior mérito do longa, o que juntamente às maravilhosas atuações o torna uma dramédia exemplar.

    • Kamila 10 agosto, 2010 at 19:40 Responder

      Vinícius, perfeito! Não poderia concordar mais! Só acho que um crédito maior deveria ser dado também ao Craig Gillespie, que adotou o tom certo pro roteiro da Oliver.

  7. Vinicius Silva 11 agosto, 2010 at 05:03 Responder

    Excelente filme, Kamila. Ele é tão simples que chega a encantar. Foi um dos melhores filmes que vi no ano passado. E foi uma pena que ele não recebeu o carinho merecido para ser melhor distribuído aqui no Brasil, sendo lançado diretamente em DVD (se não me engano). Temos esse problema, como sempre.

    Ryan Gosling está impecável. Juntamente com o Leonardo DiCaprio, sempre quando vejo que ele está no elenco de algum filme fico com vontade de assistir (mesmo quando o filme não é muito bom). “A Passagem”, por exemplo, eu considero uma obra fraca, mas ele atua super bem. Enfim, memorável atuação e um filme maravilhoso.

    Boa semana!

    • Kamila 11 agosto, 2010 at 12:47 Responder

      Vinícius Silva, concordo plenamente. Uma pena que o filme só tenha chegado aqui em DVD, e olhe lá! Ainda bem que existe a TV por assinatura. O Ryan Gosling é um dos grandes atores da geração dele. Boa semana!

  8. Cassio Bezerra 11 agosto, 2010 at 23:19 Responder

    Belo recorte, feito na medida certa: conciso e eloqüente.
    Há tempos que este filme figura na lista dos filmes que devo assistir antes de morrer.
    Espero conseguir vê-lo!
    Rsrsrsrs
    Abraço.

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