
Há que se tirar o chapeu para o diretor e roteirista Christopher Nolan. Com “A Origem”, ele faz para a indústria cinematográfica, em 2010, o que James Cameron fez pela mesma indústria, em 2009, com “Avatar”. As duas obras são extremamente corajosas e são um sopro de criatividade, de originalidade e de olhar de autor em uma Hollywood que carece disso, especialmente em anos recentes. Filmes como “A Origem” e “Avatar”, para os cinéfilos, são uma prova concreta de que ainda temos diretores com visão em uma cidade em que um olhar mais independente, às vezes, pode ser totalmente castrado.
Antes de chegar aos cinemas, “A Origem” já tinha todo um hype ao seu redor, muito em parte por causa da reputação que Christopher Nolan construiu entre os cinéfilos. Após trailers que eram totalmente incompreensíveis e deixavam aquela pulga atrás na orelha de que “A Origem” poderia ser um daqueles filmes que fala, fala, mas acaba não comunicando nada, é até um alívio perceber que a trama idealizada por Nolan não é nada misteriosa e complicada.
Temos muitos personagens em tela, todos interpretados por excelentes atores (Ken Watanabe, Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard, Cillian Murphy, Pete Postlethwaite, Tom Berenger, Michael Caine e Ellen Page, só para citar os nomes mais conhecidos), mas a verdadeira jornada de “A Origem” é a vivida pelo personagem interpretado por Leonardo diCaprio (na sua segunda grande atuação do ano – a primeira tendo sido em “Ilha do Medo”, de Martin Scorsese).
Cobb é o líder de uma equipe que trabalha “invadindo” e construindo realidades paralelas que se apresentam na forma de sonhos para determinadas pessoas. Isto tudo tem o objetivo de angariar informações que as pessoas só revelariam mesmo num estado em que suas defesas estão totalmente baixas. E nem é preciso ser psicólogo para compreender que o subconsciente da gente revela os nossos maiores medos, desejos, angústias, paixões sem qualquer tipo de julgamento de valor.
Partindo deste princípio, o roteiro de Christopher Nolan aborda temas muito interessantes, mas, talvez, a grande sacada dele tenha sido levar esta intenção do grupo de Cobb ao limite máximo. Um outro ponto muito crucial para “A Origem” é o fato de a história se tornar uma espécie de limbo do próprio Cobb, que tem também seus fantasmas a exorcizar, para que ele possa deixar o território “seguro” que o sonho lhe proporciona, de forma a encarar o mundo real e a sua própria idéia de plena felicidade natural.
É até um pouco injusto tentar fazer um texto sobre “A Origem”, porque se corre o risco de escrevermos algo que não faça jus à complexidade desta obra. Basta dizer que o filme concebido por Christopher Nolan é uma obra cujos elementos visuais são tão – ou mais – importantes do que os elementos textuais. A impressão que se tem, em vários momentos, é a de que estamos assistindo a uma verdadeira sinfonia em tempo real. Com Nolan sendo o maestro que orquestra imagens e sons que se complementam e vão formando um verdadeiro castelo de informações e de elementos a serem processados. E é de jogos como esses, da vontade de instigar o espectador e de colocá-lo dentro da discussão que são feitos os grandes filmes. “A Origem”, com certeza, será um deles – se já não é um deles.
Cotação: 10,0
A Origem (Inception, 2010)
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Christopher Nolan
Elenco: Leonardo diCaprio, Joseph Gordon-Levitt, Ellen Page, Tom Hardy, Ken Watanabe, Dileep Rao, Cillian Murphy, Tom Berenger, Marion Cotillard, Pete Postlethwaite, Michael Caine, Lukas Haas
O filme é muito bom mesmo! Acompanho sempre seu blog e pra você dar nota 10, realmente é difícil! rs. Não vejo muita originalidade em Avatar ou em A Origem, percebo mais uma reinvenção de gêneros e histórias, mas esses exemplos são sim mto bem vindas já que o cinema está sobrevivendo de adaptações e mais adaptações.
Agora é aguardar o novo projeto de Nolan. Só não entendo como alguns críticos não viram nada de especial em ‘A Origem’… vai entender..
IvanN, obrigada pela visita e pelo comentário! Realmente, é difícil aparecer um 10 por aqui, mas este filme mrece. Concordo com seu comentário sobre “Avatar” e “A Origem”. Sempre tem alguém que acha obras assim nada especiais e a gente tem que respeitar a opinião deles.
DEEEEEEEZZZZZZZZ! Muito bem, Kamilinha! Gostei muito da ligação que fez entre AVATAR e INCEPTION. Filmes importantes, sem dúvida alguma! E este é o filme que fez todo mundo falar sobre cinema neste ano! Bem ou mal, mas fez. E isso já é muito bom!
Bjs! Bom final de semana!
Otavio, obrigada! Com certeza, “Inception” já merece nosso respeito por fazer as pessoas em geral, não só os cinéfilos, comentarem sobre a sétima arte. Beijos e bom final de semana!
Verdade, é complicado falar desse filme, mas você falou bem e fez jus ao que nos encantamos no cinema. Que bom que temos filmes assim.
Oi, Kamila,
como você viu lá no meu blog, discordo um pouco quanto a originalidade do filme. Não digo que ele copia ninguém, mas ele não mostra nada de realmente novo. Avatar, por sua vez, mostrou no que diz respeito ao uso do 3D, da nova tecnologia desenvolvida por Cameron.
Concordo que é um bom filme, acima da média. Mas não é uma obra-prima.
Abraço!
Tamo na mesma sintonia … ehehehe
Um novo classico, fato. Não sou fã de Nolan porém há de reconhecer que ele teve tudo ao seu favor … e toda vez que vejo a minha resenha do filme e lembro da experiencia de ver no IMAX, não só apenas vi um simples filme de ficção … mas sim algo que entrou em nossas mentes e vai ser dificil tirar ele de nossas cabeças …
Abraços e Beijim!
Amanda, obrigada!
Mateus, sim, me lembro do seu texto. Eu acho que é um bom filme acima da média e que será considerado uma obra prima, no futuro. Abraço!
João, um novo clássico, sim. Também não sou fã de Nolan, mas, aqui, ele fez um trabalho muito bom e isto há de ser reconhecido. Eu que queria ter conferido essa obra no IMAX. Você é sortudo!
Beijo!
Belo texto Ka. Importantes observações e intervenções pontuais como a deferência a jornada de redenção do personagem de Leonardo DiCaprio, para mim, uma das grandes sacadas intertextuais do filme de Nolan. Para não dizer que fui só elogios, tenho que manifestar meu descontentamento com sua comparação entre a obra de Nolan e o filme de Cameron. Avatar é, se muito, inovador do ponto de vista tecnológico. Não há originalidade na concepção do filme, do roteiro e de sua misè -en-scene. Embora tenha entendido o que vc quis dizer com “fazer pela indústria do cinema” e concordo com o significado disso, acho que fora o sopro de originalidade (e por originalidade digo filmes ancorados em roteiros originais), não há qualquer outro aspecto que motive essa comparação. Nolan, e A origem, saem-se muito melhor no esquadro.
bjs
Concordo plenamente e também o que “Inception” se tornou. È uma obra tão bem feita, com um elenco em total sintonia e que faz com que o espectador tenha o seu próprio ponto de vista sobre a premissa. Uma ideia ambiciosa, mas muito bem elaborada e conduzida. Filmaço!
Beijos e tenha um ótimo fim de semana!
Òtimo texto, concordo quando diz que é um pouco complicado se escrever algo sobre o filme, uma vez que são pontos de vistas diferentes. É um daqueles filmes que você simplesmente não quer que acabe, acaba por parecer que estamos vivendo o sonho em tempo real, Nolan deu ínicio a mais uma década de cinema de forma gênial.
Reinaldo, obrigada! Em relação à sua discordância: concordo que o roteiro de “Avatar” é fraco, mas falei do significado que as duas obras terão pro cinema e, nisso, você me entendeu bem!
Beijos!
Mayara, perfeito comentário! Beijos e bom final de semana!
Cleber, mas, uma hora, mesmo a gente tendo amado, o filme tem que acabar. O importante é que a discussão que ele provoca continua com a gente.
O Blockbuster do ano.Efeitos especiais perfeitos,e desde de já um dos favoritos a indicações ao Oscar 2011.
Como já disse em outros blogs: o filme é tudo que eu esperava e o Dicaprio encontrou o caminho certo em sua carreira. Aliás, o Nolan vem se especializando em montar grandes elencos.
Paulo Ricardo, poxa, mas “A Origem” é muito mais que um “simples” blockbuster! rsrsrs Concordamos que será o favorito a indicações ao Oscar 2011.
Roberto, DiCaprio tem se revelado excelente ator e irretocável em suas escolhas. Nolan tem mesmo se especializado em bolar grandes elencos, sendo que aqui temos uma pessoa que destoa do resto: Ellen Page. Achei-a deslocada demais.
Com certeza nota 10!
Bárbara, com certeza!
Concordo integralmente contigo, Kamila! Sim, um belo feito este filme e espero que fature pelo menos uns Oscars no próximo ano, hein? Beijo!
…e quero vê-lo de novo, rs!
Cristiano, ah, mas este é um filme que, com certeza, ganhará alguns Oscars em 2011. Beijos!
Boa crítica, Kamila. É despropositada a comparação dos incomparáveis Avatar e A Origem. No mais, adorei a frase “A impressão que se tem, em vários momentos, é a de que estamos assistindo a uma verdadeira sinfonia em tempo real. Com Nolan sendo o maestro…” .
Parabéns!
Um Grande abraço.
O que mais admiro no cinema praticado pelo Nolan é sua capacidade de realizar projetos que são ao mesmo autorais e comerciais. Acho até que com esse êxito, com essa aprovação, ele seja o único. Particularmente, não acho A Origem toda essa bola, mas é um filme muito bom!
Cassio, obrigada! Abraço!
Pedro, concordo plenamente contigo sobre o que você disse do Nolan!
Realmente esse filme está recebendo críticas excelentes e tem gente dizendo que tem grande potencial para o Oscar, estou afim de assisti-lo.
Nayara, com certeza! Assista logo!
Muito bom mesmo, mais um com o pé lá no Japão, assistam Paprika (2006) saberam do que estou falando.
Jasper, dica anotada!