Santuário

Existem certos diretores cuja fama é tão enorme que eles acabam se tornando uma grife hollywoodiana. Faz parte do papel deles abrir espaço para obras menores de outros diretores, mas nas quais eles acreditam piamente. Se Steven Spielberg emprestou seu nome e reputação ao bancar a distribuição efetiva de “Atividade Paranormal” nos cinemas, porque James Cameron não pode fazer a mesma coisa? Além de colocar seu nome como produtor de “Santuário”, filme dirigido por Alister Grierson, Cameron também emprestou as mesmas câmeras e tecnologia 3D que foram utilizadas em “Avatar”.

Entretanto, se a tecnologia 3D se revela um dos grandes trunfos daquela que é considerada a sua obra prima, em “Santuário”, James Cameron não obteve o mesmo efeito. A verdade é que a história que nos é contada pelo roteiro escrito por John Garvin com base nas experiências reais de Andrew Wight pediam a tecnologia convencional 2D, até mesmo para causar o efeito de claustrofobia e de incômodo que o relato tanto pedia – o que acaba acontecendo aqui é o superdimensionamento da caverna, a ponto de prejudicar até mesmo as questões do enquadramento e da projeção.

“Santuário” conta a história de um time de mergulhadores experientes – liderados pelo explorador Frank (Richard Roxburgh, que muitos irão se lembrar por “Moulin Rouge! – Amor em Vermelho”) e pelo rico patrocinador Carl (Ioan Gruffudd) – que acabam presos numa caverna após uma tempestade fechar com a única saída que eles conheciam. Dentro de uma situação de puro pânico e medo, os mergulhadores que ali estão confinados têm que explorar todo o local desconhecido em busca de uma nova saída – a qual significa também a sobrevivência deles naquele momento de adversidade.

Apesar de abordar duas subtramas clichês sobre o difícil relacionamento entre um pai e o filho, bem como o sentimento de culpa de um namorado pela morte da pessoa amada, “Santuário” mostra uma visão bem interessante a respeito de pessoas deparadas numa situação de pura impotência. Na medida em que os acontecimentos vão se desenrolando, uma certeza fica mais clara: a de que, na luta pela sobrevivência, não existe espaço para julgamentos. Você faz o que tem que ser feito sem olhar para trás, pois isso pode significar a possibilidade de acontecer a sua própria perda.

Uma história como a que nos é contada em “Santuário” só funciona se causar na gente o mesmo sentimento que os personagens estão passando. A gente precisa se sentir na pele deles. A gente precisa se imaginar naquela situação. Infelizmente, a obra dirigida por Alister Grierson falha neste sentido, entretanto essa pequena grande falha acaba sendo compensada por uma direção que não compromete e por sólidas atuações de Richard Roxburgh, Ioan Gruffudd (apesar deste elevar, desnecessariamente, seu tom no ato final) e Rhys Wakefield.

Cotação: 6,5

Santuário (Sanctum, 2011)
Direção: Alister Grierson
Roteiro: John Garvin (com base no roteiro e na história de Andrew Wight)
Elenco: Richard Roxburgh, Ioan Gruffudd, Rhys Wakefield, Alice Parkinson, Dan Wyllie, Christopher Baker, Nicole Downs, Allison Cratchley, Cramer Cain, Andrew Hansen

19 comments

  1. @JuniorAd 23 fevereiro, 2011 at 22:27 Responder

    Curioso é que esse filme era um dos que menos me interessava na semana em que estreou, mas pensando bem, seria até injusto julga-lo inferior por conta da pouca divulgação.

    Pretendo ver, mas como minha lista de espera está enorme, nem sei quando, viu.

    Grande abraço!

    • Kamila 24 fevereiro, 2011 at 22:17 Responder

      Cleber, eu não tava também, mas acabei assistindo!

      Flávio, assista e, depois, diga o que achou.

      Reinaldo, sua discordância tá aceita! 🙂 Beijos!

    • Kamila 26 fevereiro, 2011 at 20:04 Responder

      Mayara, isso é porque você não sabe o que eu passei na fila do cinema. Tinha um senhor na minha frente que queria porque queria comprar o ingresso para “Avatar 2”. rsrsrsrsrsrsrsrs Pode???? Beijos!

      Diego, pois é! Abraços!

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