Não, Minha Filha, Você Não Irá Dançar

Em “Não, Minha Filha, Você Não Irá Dançar”, vemos o diretor francês Christophe Honoré retornando a um tema que é bastante recorrente em sua filmografia (notadamente, “Em Paris” e “Canções de Amor”). Aqui, temos como personagem principal, alguém que passou por um ponto de definição em sua vida e que tenta retomar seu caminho. Também em comum com as duas obras que citamos anteriormente, “Não, Minha Filha, Você Não Irá Dançar”, tem a abordagem forte do núcleo familiar dentro das vidas dos protagonistas.

Quando encontramos Lena (Chiara Mastroianni) pela primeira vez, ela acabou de pedir a separação do seu marido Nigel (Jean-Marc Barr). Com os dois filhos a tiracolo, antes de começar uma nova vida em um novo lar, ela parte para a casa da família, a qual fica localizada no interior da França. Portanto, um detalhe que é importante mencionar é que Lena não tem direito a passar sozinha por um período de luto pelo fim de seu casamento. Ela já é jogada na casa da família, pois, talvez, longe de tudo e com a companhia deles, ela possa começar a superar tudo.

O que interessa na narrativa escrita por Christophe Honoré e Geneviève Brisac é nos colocar diante de uma mulher que está claramente muito perturbada emocionalmente tendo que retomar, de uma maneira corajosa, o controle sob sua vida e recolocar também a vida dos dois filhos pequenos nos eixos após uma mudança tão brusca na vida de todos. Não saberemos ao certo se Lena está pronta para encarar as suas novas responsabilidades, mas o lado peculiar deste conflito é que, como a família de Lena é daquelas que é muito participativa na vida de todo mundo, eles se sentiram também com a função de fazer planos para ajudar Lena a reencontrar a sua felicidade. Então, o que importa mais em “Não, Minha Filha, Você Não Irá Dançar”, é o acompanhamento do processo de sufocamento pelo qual Lena irá passar. Ela é uma panela de pressão prestes a transbordar.

Apesar de ter sólidos atores coadjuvantes, notadamente o casal que interpreta os pais de Lena, o grande eixo emocional de “Não, Minha Filha, Você Não Irá Dançar” é a performance de Chiara Mastroianni. Filha de duas lendas do cinema (Catherine Deneuve e Marcello Mastroianni), ela, durante boa parte de sua carreira, foi uma verdadeira coadjuvante de luxo. Porém, Christophe Honoré, com quem ela já havia trabalhado em “Canções de Amor” e “A Bela Junie”, dá a chance para ela brilhar aqui e Chiara aproveitou com afinco. Ela se torna uma presença magnética em tela e faz o filme parecer muito melhor do que ele realmente é.

Cotação: 4,0

Não, Minha Filha, Você Não Irá Dançar (Non ma fille, tu n’iras pas danser; 2009)
Direção: Christophe Honoré
Roteiro: Geneviève Brisac e Christophe Honoré
Elenco: Chiara Mastroianni, Marina Fois, Marie-Christine Barrault, Jean-Marc Barr, Fred Ulysse, Louis Garrel, Alice Butaud, Julien Honoré, Donatien Suner, Lou Pasquerault

11 comments

  1. Vulgo Dudu 18 março, 2011 at 22:51 Responder

    Kamila, faz tempo que não comento nada, né? Ando sem tempo. Esse aí, eu vi nos cinemas. Acho o filme muito arrastado. E a sequência da explicação do título é meio sem sentido… Esperava bem mais.

    Bjs!

    • Kamila 18 março, 2011 at 23:25 Responder

      Dudu, fique tranquilo!!! 🙂 É um pouco arrastado, sim, e concordo em relação à cena que explica o título. Fica meio solta, né??? Eu acho que os filmes do Honoré não são para mim!!! Beijos!

  2. Alan Raspante 19 março, 2011 at 02:16 Responder

    Sabe quando você simpatiza com o título? Então, este é o meu caso! rs Mas prefiro, pelo menos por enquanto, gostar deste título (?), verei o filme sim, mas sem nenhuma pressa…. Até porque, pelo visto não estou perdendo nada.

    []s

  3. Amanda Aouad 19 março, 2011 at 13:47 Responder

    hehe, eu estou que nem o Alan, desde que vi esse título achei tão interessante, curioso, mas faltou algo para sair de casa e ir ao cinema vê-lo. Aí, ele chegou na locadora e sempre fui deixando para depois. Depois de seu texto, ele vai pro fim da fila. Um dia eu vejo.

    • Kamila 19 março, 2011 at 21:21 Responder

      Raspante, eu simpatizo com o título, também. Mas, o filme poderia ser bem melhor!

      Cristiano, 🙂 Beijo!

      Amanda, pois é. Quando assistir, depois fala o que achou!

  4. Luis Galvão 19 março, 2011 at 17:10 Responder

    Eu também achei esse o filme mais ‘difícil’ do Honoré, um filme que gosto bastante. No sentido de ‘complicado’ o filme parece ter mais para falar do que realmente mostra, o que termina comprometendo mesmo o curso e as análises que poderiam ser propostas pelo filme. Mas a Chiara reina.

  5. Carissa 19 março, 2011 at 19:29 Responder

    Já vi Em Paris, canções de Amor e A Bela Junie do Honoré. Pelo que conheci do trabalho dele, fiquei interessada em assistir esse filme.
    Espero em breve assistir o filme.

    • Kamila 19 março, 2011 at 21:22 Responder

      Luís, eu não gosto muito do cinema do Honoré, pra falar a verdade… Acho que os filmes dele não são pra mim!

      Carissa, se você gosta dele, irá apreciar o filme.

Deixe uma resposta