As Coisas Impossíveis do Amor

O elemento mais importante do filme “As Coisas Impossíveis do Amor”, do diretor e roteirista Don Roos, é a sua personagem principal: a jovem Emilia Greenleaf (Natalie Portman). A sinopse da personagem está muito bem contada no decorrer do longa: ela tem rancor por ser filha de um pai que, antes de abandonar a sua mãe de vez, a tinha traído com várias mulheres; porém, ao mesmo tempo, ela se recusa a se ver como uma destruidora de lares – o que de fato ela é, uma vez que ela começou a se envolver com Jack (Scott Cohen, conhecido pelo papel no seriado “Gilmore Girls”) quando este ainda era casado com Carolyn (Lisa Kudrow).

Ao ficar grávida, Emilia viu Jack deixar sua família – além da esposa, o filho William (Charlie Tahan) – para começar uma outra com ela. Boa parte de “As Coisas Impossíveis do Amor” se dedica às inúmeras tentativas de Emilia de estabelecer um relacionamento saudável com William, tendo que lidar, ao mesmo tempo, com as relutâncias do menino em torno do relacionamento novo de seu pai, com as implicâncias de Carolyn em relação a ela e, principalmente, com o seu próprio sentimento de luto depois de ter perdido a filha Isabel (o primeiro fruto de seu casamento com Jack), ainda recém nascida, e como isso tem afetado, não só ela, como a relação dela com Jack e com o resto do mundo.

Uma história densa, não? O interessante nela é que ela é contada por meio de flashbacks que se alternam com o tempo presente. Ou seja, por meio deste artifício narrativo, Don Roos, muitas vezes, “engana” a sua plateia, pois o foco principal do filme vai mudando o tempo inteiro, como se ele quisesse desvendar todas essas camadas de Emilia aos poucos, de forma a nos deixar totalmente surpreendidos. O problema é que essa constante mudança de foco da história faz com que o filme acabe perdendo o olhar daquilo que realmente quer falar: como uma pessoa tão jovem quanto Emilia reage a situações para as quais ela, claramente, ainda não está totalmente preparada para viver. Ela amadurece e se encontra na medida em que supera cada obstáculo que a vida coloca diante dela.

“As Coisas Impossíveis do Amor” foi um filme finalizado em 2009, mas que só encontrou espaço para lançamento neste ano (nos Estados Unidos, em um circuito limitado de cinemas; e, no Brasil, diretamente em DVD). O aspecto mais curioso da obra acaba sendo verificar a atuação de Natalie Portman, muito segura na pele de Emilia, apesar da total falta de química com Scott Cohen. Fique de olho também na ótima atuação de Lisa Kudrow. Ela rouba a cena todas as vezes em que aparece.

Cotação: 6,0

As Coisas Impossíveis do Amor (The Other Woman, 2009)
Diretor: Don Roos
Roteiro: Don Roos (baseado no livro de Ayelet Waldman)
Elenco: Natalie Portman, Scott Cohen, Lisa Kudrow, Charlie Tahan, Lauren Ambrose, Michael Cristofer, Debra Monk, Mona Lerche

22 comments

  1. Fabrício 22 setembro, 2011 at 01:10 Responder

    Que bom saber que o diretor Don Roos fez um filme recentemente, mas pelo enredo e a critica postada aqui, esta obra está longe de atingir o nível do O Oposto do Sexo, que na minha opinião é umas das melhores comédias americanas da década de 90.

    • Kamila 23 setembro, 2011 at 02:06 Responder

      Amanda, pois é. Eu assisti por causa da Natalie.

      Cleber, eu não me decepcionei com esse filme.

      Paulo, discordo que tem cara de projeto feito para televisão. Achei um projeto mediano. Beijos!

  2. Otavio Almeida 23 setembro, 2011 at 14:27 Responder

    Então, a Natalie Portman é uma gracinha, chora bonitinho abrindo um bocão e mereceu o Oscar por “Cisne Negro”. Mas, sério, ela precisa descansar a imagem um pouquinho. Tá parecendo o Selton Mello no cinema nacional.

    Bjs!

    • Kamila 23 setembro, 2011 at 21:59 Responder

      João Linno, pois é. Eu assisti única e exclusivamente por causa dela.

      Otavio, verdade. Mas, ela devia estar se preparando para esse hiato que ela passará longe dos cinemas por causa do nascimento do filho. 🙂 Beijos!

      Fabiana, eu não chorei…

    • Kamila 26 setembro, 2011 at 22:32 Responder

      Mayara, ah, para com isso! rsrsrsrsrs Não diria que o filme é decepcionante, mas é um filme que podia ser bem melhor e não é. Beijos!

  3. Betto Amaral 25 Maio, 2014 at 18:29 Responder

    Muito bom o filme, recomendo! Me emocionei quando Carolyn (Lisa Kudrow) revela a Emilia (Natalie Portman) não matou sufocada a sua filha Isabel recém nascida, motivo pelo qual ela Emilia vinha se torturando, abalando seus relacionamentos afetando e agredindo todas as pessoas que mais a amava.

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