Cena da Semana*

*Atenção aos spoilers

(O final de Os Melhores Anos de Nossas Vidas [1946] - diretor: William Wyler)

Este é um bom filme sobre a vida no pós-guerra, especialmente sobre a readaptação destes três militares (interpretados por Fredric March, Dana Andrews e Harold Russell) às suas vidas comuns, às esposas e namoradas, aos filhos, às suas profissões, enfim, a uma nova realidade que é bastante diferente daquelas que eles deixaram quando partiram para a guerra. O título, aliás, poderia muito bem fazer referência ao pré-guerra deles, uma vez que está subentendido durante o longa inteiro que os melhores anos das vidas desses personagens já passaram e, agora, o que eles buscam é sobreviver no mundo que eles conhecem após um grande período de mudanças.

Em 1947, "Os Melhores Anos de Nossas Vidas" foi indicado a 8 Oscars, dos quais venceu sete, incluindo um prêmio honorário ao ator Harold Russell, que interpreta Homer Parrish, e que, em 1944, enquanto trabalhava num filme do Exército norte-americano, sofreu um acidente com um explosivo que foi detonado acidentalmente, machucando suas mãos ao ponto de que as mesmas precisaram ser amputadas. A storyline que envolve a personagem dele é a melhor do longa. Uma pena que é tão mal explorada. Ela encontra seu ápice justamente nessa bonita cena, que encerra o filme dirigido por William Wyler.

11 comments

  1. Pedro Paulo 4 Março, 2012 at 19:23 Responder

    Nossa, esse é um filmaço, comovente demais, um dos melhores dp grande Wyler… O harold Hussel també ganhou o Oscard e Coadjuvante. Mirna Loy tem sua melhor atuação na carreira.

    Ka, você ainda tem uma dívida com Billy Wilder: Pacto de Sangue. Obra-prima! Não se esqueça, hein?

    • Kamila 4 Março, 2012 at 20:40 Responder

      Pedro, sim, um filmaço. O Russell ganhou o Oscar de Ator Coadjuvante também, além do prêmio honorário. Não me esqueço de “Pacto de Sangue”, pode deixar.

      • Pedro Paulo 4 Março, 2012 at 20:49 Responder

        Ele e Haing S. Ngor (já assistiu “Os Campos de Extermínio”?) foram os únicos amadores a ganhar Oscar.

        Me descupe a falta de revisão do primeiro comment, e a atuação do elenco de OMADNV é excelente…

  2. João Paulo Rodrigues 4 Março, 2012 at 21:19 Responder

    A tematica de voltar para casa após uma guerra, seja qual for, sempre rende ótimos frutos já que um dos temas mais periogoso e mais interessantes do universo humano se reside ai, no qual o que é voltar para a casa após e perceber que a guerra nunca mais vai sair de você? Desde uma cena assim até a do supermercado em The Hurt Locker evidenciam isso com muita clareza e por que não, tristeza.

    Linda cena anjinho!

    • Kamila 5 Março, 2012 at 13:36 Responder

      Pedro, não assisti ainda “Os Campos de Extermínio”. Eu não sabia que o Harold Russell era um amador antes desse filme. Pra mim, ele era ator mesmo. Ele é tão natural em cena.

      João, na realidade, acho que a guerra sai desses personagens, mas eles sofreram mudanças profundas em seus seres e viram o mundo que eles conheciam se modificar também. Então, acho que o mais interessante neste filme é mostrar a readaptação deles a si mesmos e às suas vidas pregressas. Que bom que gostou da cena!

      Amanda, que bom que gostou da cena!

      • Pedro Paulo 5 Março, 2012 at 15:15 Responder

        Errei o nome do título no Brasil, Ka, é “Os gritos do silêncio” (The Killing Fields), filmaço de 1984 que retrata a ditadura pesada que estabeleceu na Mongólia.

        Haing S. Ngor pasou por tudo aquilo na vida real, assim como Harold passou pela guerra na vida real como no filme. E realmente ele atuou muito bem…

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