Teatro - "A Última Gota de Absinto"

Em apresentação única na noite do dia 10 de março, no Teatro Alberto Maranhão, foi encenada a peça “A Última Gota de Absinto”, do diretor Júnior Dalberto. Baseada no célebre conto “A Dama da Noite”, de autoria de Caio Fernando Abreu, a peça tem como estrela principal a atriz Cláudia Magalhães. Na forma como foi adaptado, o texto mantém a sua característica de ser um monólogo, com a Dama da Noite falando sobre temas diversos, como a solidão, a morte, o sexo e os medos e os anseios que rodeiam todos esses assuntos.

A ação se passa no decorrer de uma noite, em um bar. Acompanhamos uma interlocução entre a personagem principal e um homem, que não vemos, mas sabemos estar dividindo a mesa com a Dama da Noite. Para permear os momentos mais pungentes do texto escrito por Caio Fernando Abreu entram em cena canções da música popular brasileira, como “Roda Viva”, de Chico Buarque, e “Todo Amor que Houver Nessa Vida”, de Cazuza. As canções foram executadas ao vivo pela banda formada por Eduardo Taufic (diretor musical do espetáculo), Darlan Marley e Airton Guimarães. É justamente com eles, com o seu interlocutor invisível e com a plateia que Cláudia Magalhães vai interagindo.

Por misturar a ação dramática com momentos musicais, por ter uma decoração de cena basicamente simples (o cenário é composto somente por uma mesa, duas cadeiras e uma garrafa de whisky (não de absinto, como o título poderia deixar subentendido), “A Última Gota de Absinto” lembra – e muito – a última peça que foi apresentada por Cláudia Magalhães: o musical “Dolores”, dirigido por Diana Fontes e Jonas Sales, e que foi co-estrelado por Isaque Galvão.

“A Última Gota de Absinto” lembra tanto “Dolores” que, nessa noite de apresentação no Teatro Alberto Maranhão, tivemos a mesma grande falha de sonoplastia que percebemos quando assistimos “Dolores” no Teatro de Cultura Popular, em julho de 2011. Assim como ocorrido naquela noite, Cláudia Magalhães soube muito bem segurar a onda e continuar naturalmente em cena – apesar de poder ser ouvido, na plateia, pedidos do tipo “liga o microfone”.

Por ela ser uma atriz de grande talento, uma das melhores do RN, Cláudia Magalhães é uma presença magnética em cena, seja na comédia ou no teatro. Vem dela, do sentimento que ela emana, da força das palavras que ela encena, da emoção que vem da sua interpretação das canções do espetáculo, a grande força por trás de “A Última Gota de Absinto”. Uma pena que não exista a intenção de fazer uma temporada com esse espetáculo. A história merecia...

A Última Gota de Absinto
Direção: Júnior Dalberto
Direção Musical: Eduardo Taufic
Atriz: Cláudia Magalhães
Baseada no conto “A Dama da Noite”, de Caio Fernando Abreu

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