Como Agarrar Meu Ex-Namorado

Divorciada, bonita, desempregada e falida. Não, não estamos falando de Erin Brockovich, personagem que rendeu o Oscar de Melhor Atriz para Julia Roberts no filme “Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento”, do diretor Steven Soderbergh, e sim sobre Stephanie Plum (Katherine Heigl), a protagonista da comédia “Como Agarrar Meu Ex-Namorado”, que se veste como Erin, usa o cabelo como Erin (com a diferença da tonalidade da cor das madeixas) e possui uma personalidade forte como Erin - até porque as duas trabalham em meios em que elas têm que ser assertivas, senão vão ser feitas de bobas pelos outros. A diferença aqui é que a diretora Julie Anne Robinson não tem o talento de Soderbergh e o roteiro escrito por Stacy Sherman, Karen Ray e Liz Brixius não chega aos pés da história desenvolvida por Susannah Grant.

Sem saída, Stephanie Plum tem que aceitar o único emprego disponível para ela, no momento: ajudar o primo Vinnie (Patrick Fischler) em sua empresa que caça foragidos da justiça em busca das recompensas que são oferecidas. O roteiro de “Como Agarrar Meu Ex-Namorado” enfoca justamente os primeiros dias de Plum no emprego novo, em que ela está tentando se adaptar a um mundo que é bem desconhecido para ela e encontrar a sua própria maneira de agir como caçadora de recompensas. A dificuldade para ela é que o maior caso dela é tentar descobrir o paradeiro do policial Joe Morelli (Jason O’Mara), com quem ela teve um caso amoroso que terminou de forma desastrosa. O grande desafio de Stephanie, nesse caso em particular, é separar o lado pessoal do profissional, mas isso se revela impossível.

Parece ser até redundante, tendo em vista que, em resenhas críticas anteriores, estamos reforçando o fato de que as comédias românticas recentes têm adicionado elementos de filmes de ação às suas tramas, entretanto “Como Agarrar Meu Ex-Namorado” é mais um dos longas do gênero que segue este caminho. O filme se divide muito entre os momentos que retratam o cotidiano de Stephanie com a sua família (a mãe e a avó dela roubam a cena quando aparecem e poderiam ser melhor aproveitadas na história), na sua profissão (o destaque aqui vai para o personagem interpretado por Daniel Sunjata e pela secretária da empresa de Vinnie que é uma caricatura por si só) e aqueles outros instantes que mostram o jogo de flerte e charme eterno que se desenvolve entre Stephanie e Joe.

Quando abandonou a série “Grey’s Anatomy”, em 2010, para se dedicar à sua carreira no cinema, que estava em ascensão, Katherine Heigl tomou uma decisão muito acertada, tendo em vista que ela vinha do sucesso de filmes como “Ligeiramente Grávidos”, “Vestida Para Casar” e “A Verdade Nua e Crua”. Heigl era uma das candidatas a um posto que anda sem dona em Hollywood, desde que atrizes como Meg Ryan e Julia Roberts “envelheceram” para esse tipo de papel: o de namoradinha da América, heroína de comédias românticas. Ela tinha potencial para isso, mas é frustrante ver suas escolhas de filmes desde então, já que ela não conseguiu repetir o mesmo sucesso de outrora. “Como Agarrar Meu Ex-Namorado” é mais um desses equívocos, já que é um longa mais do mesmo. Talvez, por isso mesmo, ela andou dando declarações recentes de que sente saudades da série criada por Shonda Rhimes...

Cotação: 3,0

Como Agarrar Meu Ex-Namorado (One for the Money, 2012)
Direção: Julie Anne Robinson
Roteiro: Stacy Sherman, Karen Ray e Liz Brixius (com base no livro de Janet Evanovich)
Elenco: Katherine Heigl, Jason O’Mara, Daniel Sunjata, John Leguizamo, Sherri Shepherd, Debbie Reynolds, Debra Monk, Fisher Stevens, Patrick Fishler

11 comments

    • Kamila Azevedo 26 abril, 2012 at 23:31 Responder

      Cassiano, eu também gosto do trabalho da Katherine, acho que ela tem muito potencial e, como você bem disse, todas erram… Ela não será a última a cometer equívocos.

      Raspante, eu só assisti a este filme mesmo por causa dela.

  1. Celo Silva 27 abril, 2012 at 00:46 Responder

    Bem, é o tipo de filme que não me chama muita atenção. Gostei de Ligeiramente Grávidos, mas tinha um carater mais cool. Realmente o cinema americano carece de uma heroina feminina para comédias romanticas. Até pq parece q hj em dia, as atrizes estão mais interessadas em fazer papeis de action-heros. Curioso isso…hehe

  2. Paulo Ricardo 27 abril, 2012 at 01:17 Responder

    Quer mais filmes nessa linhagem? “Terra Fria”,”Conviction” e “Revolução em Dagenhaam”.”Erin Brokovich” gosto particulamente desse filme porque ele usa uma história que o público americano adora com um novo frescor,Steven Soderbergh transpôs perfeitamente o roteiro de Susanah Grant para as telas e Julia Roberts está ótima no papel.O último paragrafo da sua resenha está ótimo,vc descreveu muito bem a carência de encontrar a nova “queridinha da américa”(as últimas na minha opinião foram Julia Roberts e Reese Whiterspon).Acrescento as que vc citou Sandra Bullock.Achei que apos a saída da série “Grays Anatomy” a carreira de Heigl decolaria(minha expectativa aumentou após “Ligeiramente Grávidos”,mas pelos últimos projetos ela tem decepcionado).Faço do seu último paragrafo,minhas palavras.Nada a acrescentar,você já disse tudo.

    Beijos

    Beijos

    • Kamila Azevedo 27 abril, 2012 at 23:16 Responder

      Celo, pois é. Mas, é porque ser a namoradinha da América é se estereotipar demais… Acho que as atrizes querem fugir disso.

      Paulo, Reese Witherspoon foi a última. Eu pensava que a Anne Hathaway seria a próxima namoradinha da América, mas ela quis seguir um caminho diferente, sabiamente. Beijos!

      Bruno, esse é totalmente meu tipo de filme. Amo comédias românticas…

    • Kamila Azevedo 27 abril, 2012 at 23:17 Responder

      Amanda, pois é, eu concordo. Ela poderia muito mais do que isso. E ri com você dizendo que esse filme é uma “piada de mal gosto”. rsrsrs

  3. Luís 30 abril, 2012 at 04:30 Responder

    O filme parece bem ruim, mas confesso que eu o assistiria facilmente numa noite de chuva e meio apática como essa! Mas, agora que você comentou sobre Erin… acho que prefiro vê-lo, hein!

    • Kamila Azevedo 1 maio, 2012 at 02:34 Responder

      Luís, fiz a comparação com “Erin Brockovich”, mas saiba que esse filme aí não chega aos pés da obra do Steven Soderbergh.

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