Espelho, Espelho Meu

Baseado em um popular conto de fadas compilado pelos Irmãos Grimm, “Espelho, Espelho Meu”, filme dirigido por Tarsem Singh, segue a linha de um filme como “Shrek” e “Deu a Louca na Chapeuzinho Vermelho” na medida em que apresenta esta história por um viés novo, que tem um olhar mais moderno - se bem que, no caso do diretor indiano, a palavra mais adequada seria exagerada, tendo em vista que o uso de fortes cores nos figurinos e na direção de arte, especialmente, além de cenas com um forte senso musical que fazem com que este longa tenha também a cara de uma produção saída de Bollywood, a indústria cinematográfica indiana.

Podemos dizer que o roteiro de “Espelho, Espelho Meu”, que foi escrito por Jason Keller e Melisa Wallack, tem muita influência, por exemplo, de um filme como “Enrolados”. A Branca de Neve (Lily Collins) é a filha única de um rei (Sean Bean) amado pelos seus súditos. Desde que ele ficou viúvo, passou a se dedicar à criação de sua filha até que chegou à conclusão de que precisava se casar novamente. A nova Rainha (Julia Roberts) era uma mulher extremamente ambiciosa e, após o desaparecimento de seu marido, passa a controlar seu reino com braço forte e decide manter escondida a enteada no seu quarto no palácio que ambas habitam.

A Rainha é uma pessoa dominada pela vaidade, então fica fácil entender porque ela mantia Branca de Neve encarcerada. Ela sentia ciúmes dos efeitos que a beleza e o carisma da enteada possuíam nos outros - principalmente em pessoas como o príncipe Alcott (Armie Hammer), por quem a rainha também nutre uma atração. Após ser banida do reino, a jovem garota surpreende a todos, pois seu retrato não é de uma moça acomodada, e sim de uma menina decidida, que se une aos sete anões para poder recuperar seus direitos de herdeira do trono de sua comunidade e devolver ao seu reino a paz e a harmonia que estavam faltando.

O diretor Tarsem Singh é um profissional que valoriza muito a linguagem visual de seus filmes. Neste sentido, um dos pontos altos de “Espelho, Espelho Meu” é justamente a sua parte técnica, notadamente os já citados direção de arte e  figurinos (este foi o último trabalho de Eiko Ishioka, figurinista japonesa vencedora do Oscar que faleceu em janeiro deste ano). Um outro aspecto importante deste longa é a atuação de Julia Roberts, caricata na medida certa, claramente se divertindo e destilando uma maldade e uma ironia que não são típicas em sua carreira como atriz. Por falar em caricatura, um detalhe a ser considerado nesta obra é que ela deve ser encarada desta maneira para poder ser apreciada: como uma grande ironia em cima de um clássico conto de fadas. Pena que, na maior parte do tempo, tudo soa muito forçado.

Cotação: 5,0

Espelho, Espelho Meu (Mirror, Mirror, 2012)
Direção: Tarsem Singh
Roteiro: Jason Keller e Melisa Wallack (com base na história de Melisa Wallack e no conto de fadas escrito pelos Irmãos Grimm)
Elenco: Julia Roberts, Lily Collins, Armie Hammer, Nathan Lane, Mare Winningham, Sean Bean

10 comments

  1. Paulo Ricardo 28 abril, 2012 at 19:35 Responder

    Vai direto para bandeja do meu aparelho de DVD pq não confio nesse sujeito depois de “Imortais”.Nada mais a acrescentar rsrs.Até a cena da semana.

    Bjs

    • Kamila Azevedo 29 abril, 2012 at 22:09 Responder

      Amanda, eu ri muito pouco assistindo ao filme, mas AMEI a Julia Roberts aqui! Ela que tornou esse filme tolerável, na minha opinião.

      Raspante, em DVD será PERFEITO! 🙂

      Paulo, como eu disse ao Raspante: em DVD, esse filme será PERFEITO! 🙂 Beijos!

  2. Luís 30 abril, 2012 at 04:37 Responder

    Eu quero muito vê-lo, mas acabarei por vê-lo em casa mesmo, na TV, deitado folgado na cama. E nem é porque todos têm falado bastante mal do filme, mas sim porque tô sem dinheiro e, sobretudo, sem tempo para ir ao cinema!

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