Curso: "Como Ver um Filme 2: Os Gêneros", com Ana Maria Bahiana

A editora do Cinéfila por Natureza teve o prazer de participar, nos dias 02 e 03 de junho, do curso “Como Ver um Filme: Os Gêneros”, que foi ministrado pela jornalista Ana Maria Bahiana, no auditório da Cecomil Megastore, em Fortaleza-CE. O curso foi baseado no segundo capítulo do livro que Bahiana lançou recentemente, intitulado “Como Ver um Filme”, o qual se dedica ao estilo que o cinema adota para estabelecer sua linguagem.

Apesar de ter sido somente uma jornada de oito horas em sala de aula, chamou a atenção, no decorrer do curso, a riqueza do conteúdo oferecido por Ana Maria Bahiana, a forma objetiva e a linguagem fácil que foram utilizadas pela jornalista. Embasada pelos ensinamentos de Aristóteles (filósofo grego que acabou definindo as leis da dramaturgia), Bahiana nos convidou a acompanhá-la em uma viagem que incluiu os principais gêneros cinematográficos (drama, comédia, ação/aventura, suspense e ficção científica), as suas características primordiais, os temas que são recorrentes e os recursos narrativos que são mais usados pelos diretores. Ao final, a jornalista passava aos alunos cenas de filmes (como “Blade Runner – O Caçador de Androides”, “Missão Madrinha de Casamento” e “Alien – O Oitavo Passageiro”) que ilustram muito bem as definições que nos foram repassadas.

Um detalhe interessante a ser observado na explanação de Ana Maria Bahiana foi uma de suas afirmações: a de que o gênero nada mais é do que a repetição de clichês. Isso pode parecer algo óbvio, mas a verdade é que as palavras de Bahiana foram muito verdadeiras. Se formos perceber bem, tendo como base o conteúdo que foi passado pela jornalista em sala de aula, os filmes que se enquadram em determinados gêneros carregam, dentro de si, as mesmas características, a mesma estrutura de base narrativa, as mesmas fórmulas. E isso, é importante frisar, não chega a ser um demérito, afinal cabe a cada diretor colocar uma marca própria dentro desses elementos recorrentes, fazendo com que seus longas resultem em obras únicas e diferenciadas – e é aqui que entra a autoralidade do diretor, que é um fator direto ligado também às redefinições constantes que esses mesmos gêneros passam ao longo da história do cinema.

Ana Maria Bahiana também fez uma reflexão bem pontual sobre a atual crise (criativa e econômica) da indústria cinematográfica hollywoodiana. Para ela, a grande tendência é a internacionalização do mercado, com o aumento de co-produções estrangeiras, com o maior intercâmbio entre os profissionais de cinema de diversos países, com a confirmação dos remakes de obras produzidas por outras cinematografias que não a norte-americana e, principalmente, com a priorização da distribuição internacional – neste sentido, ela citou como exemplo os casos de filmes que estreiam primeiro no mercado estrangeiro para, depois, marcarem presença dentro dos Estados Unidos.

Ao final, foi uma experiência muito enriquecedora. Cinéfilos ou não, por mais que a gente conheça bem as divisões entre os gêneros e os seus subgêneros, os conceitos apresentados por Ana Maria Bahiana em sala de aula contribuirão, com certeza, para uma melhor visão sobre os filmes e suas nuances. Além disso, Ana Maria Bahiana deu uma dica chave para aqueles que gostam de apreciar um bom filme – seja na sala de cinema ou não: o segredo está todo em tentar ver qual a história que aquele longa deseja conta. A partir dessa descoberta, é que se nota os clichês de cada gênero se manifestando.

A foto que ilustra o post é de Daniel Herculano

22 comments

    • Kamila Azevedo 6 junho, 2012 at 18:52 Responder

      Amanda, foi uma experiência excelente mesmo. Tenho certeza de que a Ana Maria Bahiana deve passar por Salvador com o lançamento do livro e do curso. 🙂

    • Kamila Azevedo 6 junho, 2012 at 18:58 Responder

      Flavio, pois é. Ela é uma profissional muito experiente e capaz. Foi uma experiência sensacional a de poder assistir ao curso dela e vê-la compartilhar todo esse conhecimento dela conosco.

  1. Paulo Ricardo 6 junho, 2012 at 21:45 Responder

    Ana Maria Bahiana é ótima e sempre dou uma conferida no blog dela.Isso que você citou da aula sobre gêneros é verdade.Sobre co-produções eu acredito Kamila ter influencia economica.Posta mais fotos no blog que eu quero ver.Que bom vc ter gostado

    Beijos

  2. Ygor MF 7 junho, 2012 at 13:24 Responder

    Parabéns isso ai sempre procurando evoluir, aqui em sp terá um curso rapido também de roteiro com o Di Moretti na Escola de São Paulo, marcado para o mês que vem, vou tentar fazer, você escreve ficção também?

    Até Mais!!!

    • Kamila Azevedo 7 junho, 2012 at 15:44 Responder

      Ygor, sempre estou de olho em novas oportunidades para aprender. Infelizmente, não escrevo ficção. Até mais!

  3. Rafael Carvalho 7 junho, 2012 at 17:19 Responder

    Tenho um pé atrás em relação à Bahiana e o que ela escreve. Porém, tenho uma curiosidade por esse livro dela até pra conhecer melhor suas ideias. Mas com certeza se esse curso fosse ministrado aqui em salvador, gostaria de participar. Mas tá difícil ela vir aqui…

  4. Otávio Almeida 15 junho, 2012 at 21:44 Responder

    Ainda não li o livro. Mas foi por causa da Ana Maria Bahiana que eu comecei a me arriscar com resenhas sobre os filmes que eu via. Tive um primeiro contato com seus textos na coluna semanal “Hollywoodiana”, que ela assinava no jornal “O Globo”. Durou alguns bons anos. E, hoje, meu blog se chama “HollywoodianO” por causa dela.

    Bjs!

  5. Júlio Pereira 16 junho, 2012 at 00:32 Responder

    Muito embora ache toda classificação por gênero limitada (e hei de frisar: é apenas uma visão demasiada pessoal), seu texto explicando o curso ficou ótimo e me instigou a participar (que inveja, provavelmente nunca vem pra cá). Vou procurar ler o livro da Ana Maria Bahiana também, que é um dinossauro da crítica, verdadeira heroína.

    • Kamila Azevedo 16 junho, 2012 at 17:52 Responder

      Otavio, eu conheço essa sua história pessoal com ela e acho muito legal. Ela adoraria saber que influenciou alguém tão talentoso e competente quanto você. 🙂 Beijos!

      Júlio, quem sabe não irá pra sua cidade. Leia o livro dela que é maravilhoso do mesmo jeito.

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