Cena da Semana*

* Atenção aos spoilers no vídeo

(O final de "O Jardineiro Fiel" [2005] - direção: Fernando Meirelles)

Filme indicado a quatro Oscars, "O Jardineiro Fiel" marcou a estreia do diretor brasileiro Fernando Meirelles no cinema norte-americano. Baseado num livro de John Le Carré, apesar de falar sobre a atuação da indústria farmacêutica na África, com a conivência da diplomacia britânica, o longa, na realidade, é uma linda história de amor. A busca de Justin Quayle (Ralph Fiennes) para saber as razões que levaram à morte de sua esposa Tessa (Rachel Weisz, que, pela atuação neste filme, venceu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante), na verdade, esconde uma motivação muito mais interessante: a jornada dele é para conhecer a sua esposa, os motivos que a faziam lutar e, principalmente, quais os segredos que ela escondia dele. A paz de Justin é encontrada a partir do momento em que ele aprende quem é Tessa, com quem ele se casou sem conhecer direito, após uma paixão arrebatadora. E isto está perfeitamente representado nesta belíssima cena que encerra este lindo filme - atenção à estupenda fotografia de César Charlone.

18 comments

  1. Paulo Ricardo 8 julho, 2012 at 21:45 Responder

    Esse filme teve 4 indicações:atriz coadj(rachel),edição,roteiro adap e trilha.Mas bem que podia ter mais 3 de direção(não sei o que Bennete Miller estava fazendo no lugar do Meirelles),fotografia e Best Picture,claro! rsrsr

  2. Alex Gonçalves 9 julho, 2012 at 00:58 Responder

    “O Jardineiro Fiel” é um filme que preciso rever, mas foi um filme do qual não morri de amores quando conferi no lançamento em DVD. Acredito que a decisão da história em trilhar dois caminhos (a cutucada que há na indústria farmacêutica e a busca do protagonista em desvendar a verdadeira personalidade de sua amada) simultaneamente faz com que haja duas resoluções pouco marcantes. Porém, como disse, é um filme que preciso ver mais uma vez.

    • Kamila Azevedo 10 julho, 2012 at 19:02 Responder

      Bruno, esse filme é muito bom mesmo!

      Paulo, obrigada pela correção. Irei acertar o texto.

      Alex, eu gosto muito desse filme, como bem disse. E discordo do que você chama de resoluções pouco marcantes. Essa cena é a prova fiel disso.

  3. Pedro Paulo 9 julho, 2012 at 02:27 Responder

    Amo esse filme. A direção, roteiro, as atuações, fotografia, enfim, tudo.

    Lembro que muita gente achou, até no dia do Oscar, que Michelle Williams ainda podia tirar a estatueta da Rachel (e convenhamos que foi uma disputa forte entre elas e a Amy Adams), mas ela levou e, além do belíssimo discurso, ainda teve uma grande apreciação do amigo Morgan Freeman (a hora que ele anuncia a vencedora e ri, tipo: “minha amiga, que bom!” é excelente).

    Paulo, arrisco dizer que o Ralph também merecia uma indicação (no lugar do Terrence Howard, talvez)…

  4. Paulo Ricardo 9 julho, 2012 at 03:29 Responder

    Pedro Paulo,a única atuação que não vi em 2005 foi de Terrence Howard(gosto dele como coadjuvante em “Crash”).Foi um ano de grandes atuações e Ralph Fiennes merecia uma nomeação.Mas a categoria que eu achei mais injusta foi direção,penso o seguinte:

    Ang Lee-“Brokeback Mountain”:Estatueta merecida para um cineasta estrangeiro que fez sucesso em Hollywood.Considero “Tempestade de Gelo” uma obra prima,”O Tigre e o Dragão” um dos melhores filmes estrangeiros da decada passada e o taiwanes soube adaptar a obra de Jane Austen com ótimo roteiro de Emma Thompson.Mas “Brokeback Mountain” foi a coroação de uma carreira bem sucedido e uma linda história de amor(que obviamente não poderia ser concretizada na Wyoming dos anos 60.

    Paul Haggis-“Crash”:muitos acreditam que ele é melhor roteirista que diretor,mas o trabalho do canadense é muito bom e tem muito do cinema de Paul Thomas Anderson em “Magnólia”.Merecida nomeação.

    Steven Spielberg-“Munique”:Spielberg colocou a “mão em vespeiro” com um tema muito polêmico que foi o sequestro dos atletas israelenses nas olimpiadas de 1972 em Munique na Alemanha.Tenho algumas restrições,mas admirei a coragem de Spielberg.

    George Clooney-“Boa Noite Boa Sorte”:Adoro jornalismo de qualidade e liberdade de imprensa.O roteiro de Clooney e Grant Heslov desenha de forma brilhante a perseguição que a mídia sofria na década de 50 liderada pelo senador Joseph McCarthy.Rodado em preto e branco o filme é uma obra prima.Pra quem gosta de jornalismo ou não.

    esses 4 foram nomeados ao BAFTA e Globo de Ouro(excesso Haggis) e tinha uma vaga que ficou com Bennete Miler por “Capote”.Mas na minha visão 3 cineastas poderiam ocupar essa vaga,são eles:

    Fernando Meirelles por “O Jardineiro Fiel”,Woody Allen por “Match Point” e David Cronenberg por “Marcas da Violência”.E não sou fã de “Orgulho e Preconceito” mas reconheço que não seria um equivoco uma nomeação a Joe Wright.

    Beijos Kamila e ótima semana

    • Pedro Paulo 9 julho, 2012 at 03:57 Responder

      Assino embaixo no que você disse, Paulo.

      Terrence está bem em “Hustle & Flow”, até merecia a indicação, se não houvesse uma concorrência tão forte, além do Ralph, você me fez relembrar do ótimo Match Point (que consideraram como a volta do Woody às premiações, mas morreu na praianinfelizmente, e só revisitou o Oscar este ano), da ótima atuação do Jonathan Rhys Myers e do Mortensen em “Marcas…”

      O ano de 2005 foi inspiradíssimo para os diretores! Woody voltou co tudo (mas foi esnobado pela academia para voltar só este ano), Cronemberg faz um filme excelente, Meirelles provou que não teve sorte de “principiante” e os cinco indicados. A vitória de Ang Lee é incontestável.

      Excelente semana pra todos!

      • Kamila Azevedo 10 julho, 2012 at 19:05 Responder

        Pedro, eu também adoro esse filme. Acho sensacional na parte técnica. Não indicaria o Ralph Fiennes, no entanto, pela atuação neste filme. E nunca achei que a Michelle Williams fosse vencer no lugar da Rachel.

        Paulo, realmente, os filmes, em 2005, foram muito bons e muitos diretores poderiam ter entrado na vaga que foi ocupada por Bennett Miller. Mas, ei, não seria um Oscar se não tivessem injustiças nas indicações. Beijos!

        Pedro, bom, acho que todos concordamos que 2005 foi um ótimo ano para o cinema. Obrigada e excelente semana pra você também!

  5. Flavio Junio 10 julho, 2012 at 00:51 Responder

    Kamila, os preparativos para este filme já renderiam uma novela Com a recusa da Eva Green, várias atrizes foram cogitadas até chegar na Rachel. Além da mídia ter vendido como saia justa um comentário do Meirelles de que a Nicole Kidman já estava madura demais, o não da Naomi Watts em detrimento a KIng Kong e o fato da Kate Winslet estar , segundo o Meirelles, com um ar de matrona na época.

    • Pedro Paulo 10 julho, 2012 at 01:22 Responder

      Rendeu mesmo, eu lembro! Adoro quando as atrizes de emergência superam expectativas, como Bette Davis em “A malvada”, que arrasou, sendoque o papel era da Claudette Colbert…

      • Kamila Azevedo 10 julho, 2012 at 19:07 Responder

        Amanda, eu também gosto muito desse filme, como bem expressei em meu texto.

        Flavio, mas, a Nicole estava mesmo muito madura pra interpretar alguém de 24 anos. Não foi uma saia justa do Fernando. Ele falou a verdade.

        Pedro, eu também adoro quando situações desse tipo ocorrem.

  6. Paulo Ricardo 10 julho, 2012 at 02:25 Responder

    Flávio Junio,o Meirelles recusou a Nicole Kidman porque ela era velha para interpretar Tessa e ele exigiu uma atriz mais nova.Um dos produtores sugeriu “a menina do Cidade de Deus” que era Alice Braga,mas ela não estava preparada para um papel desse porte.Muitos cineastas estrangeiros cede a pressão dos produtores por estrelas consagradas(caso de Nicole Kidman),mas Meirelles bateu o pé e insistiu em uma Tessa mais nova.Rachel Weisz ficou com o papel e de quebra levou um merecido Oscar.Sobre Kate Winslet ela também recusou o papel de Scarlett Johansson em “Match Point”.Foi o ano de recusa de Lady Winslet rsrsrs.

  7. Paulo Ricardo 10 julho, 2012 at 02:36 Responder

    Fernando Meirelles encabeça a lista de cineastas latinos bem sucedidos em Hollywood,só na decada passad tivemos:Lucrecia Martel,Campanella,Pablo Trapero,Guillermo Del Toro,Alejandro Gonzalez Iñarritu,Alfonso Cuáron,Walter Salles,Carlos Reygadas e vou citar um nome que é pouco citado na “invasão latina” mas que já foi ‘pesacdo por Hollywood’:José Padilha,após a nomeação ao DGA de documentarista pela obra prima “Ônibus 174” e sair de berlim com um Urso de Ouro(em cima de um gênio chamado Paul Thomas Anderson) ele confirmou seu talento em “Tropa 2” obtendo a maior bilheteria da história do cinema brasileira(no Brasil Padilha ganhou de James Cameron!).Resultado? roteiro de James Vanderbilt(“Zodíaco” e “O Espetacular Homem Aranha”) e direção de Padilha para o novo “Robocop”.Tomara que assim como Fernando Meirelles,Carlos Saldanha e Walter Salles,José Padilha conquiste o merecido sucesso no cinema americano.

    • Kamila Azevedo 10 julho, 2012 at 19:10 Responder

      Paulo, como eu disse: Fernando estava certo porque a Nicole estava mesmo muito mais velha para interpretar alguém de 24 anos. Kate Winslet também erra, deixa ela! Com muito orgulho, Fernando Meirelles está nessa lista de cineastas latinas bem sucedidos em Hollywood, ao lado de Walter Salles, Carlos Saldanha, entre outros nomes legais do cinema latino. O José Padilha é um dos que está ainda ascendendo em Hollywood. Quem sabe com o novo “Robocop”, ele não adentra esse território? Mesmo assim, acho que o cinema brasileiro ainda tem muito a galgar internacionalmente até conseguir o mesmo prestígio que o cinema argentino tem lá fora, por exemplo.

  8. Roberto Queiroz 10 julho, 2012 at 22:42 Responder

    É difícil pra mim falar do Meirelles porque sou muito fã do cinema dele. O Jardineiro Fiel, quando assisti tinha acabado de ler o romance do John Le Carré e fiquei impressionado com a recriação feita pelo roteirista. O filme é sublime! E concordo com a pessoa que comentou a respeito do que o Bennet Miller estava fazendo entre os indicados ao Oscar de Diretor naquele ano. A vaga sem dúvida era do Meirelles.

  9. Matheus Pannebecker 10 julho, 2012 at 22:51 Responder

    Só conferi “O Jardineiro Fiel” uma vez, então não lembro de muita coisa. Mas o que permanece comigo, até hoje, é a direção do Fernando Meirelles – que foi injustamente esnobada no Oscar daquele ano!

    • Kamila Azevedo 11 julho, 2012 at 01:05 Responder

      Roberto, eu também sou fã do Meirelles. Um grande diretor, sem dúvida. Eu não li o livro do Le Carré, mas, como eu disse aqui, adoro esse filme.

      Matheus, ele deveria ter sido indicado mesmo.

Deixe uma resposta