A Origem dos Guardiões

publicado em:7/12/12 2:56 AM por: Kamila Azevedo Cinema

Baseado na série de livros escrita pelo autor William Joyce, a animação “A Origem dos Guardiões”, do diretor Peter Ramsey, tem como personagens principais um grupo formado por seres que habitam o imaginário infantil – o Papai Noel (dublado na versão original por Alec Baldwin), o Coelhinho da Páscoa (dublado na versão original por Hugh Jackman), a Fada do Dente (dublada na versão original por Isla Fisher), o Sandman e Jack Frost (dublado na versão original por Chris Pine) – e que são os guardiões aos quais o título do longa faz referência. A função deles é trazer esperança, alegrias e sonhos, protegendo as crianças do mundo de todos os males, enquanto elas acreditarem na existência deles.

Essa é uma premissa que funciona demais, especialmente tendo em vista o fato de que é na infância que guardamos uma certa inocência e ingenuidade e somos envoltos por crenças simples como essa: a de que existem criaturas fantásticas que estão nesse mundo para nos trazer um momento de magia e fantasia. Entretanto, “A Origem dos Guardiões”, apesar de ter esse viés um tanto positivo, quer falar mesmo é sobre a possibilidade da perda da inocência na infância, na medida em que introduz a figura de Pitch (dublado na versão original por Jude Law) na história.

Pitch está no nosso mundo para espalhar o medo nos corações das crianças, ao acabar, um por um, com cada um desses mitos em torno dessas criaturas que habitam o imaginário infantil. A questão principal em torno do desejo de Pitch é que o mundo vá se entregando a uma atmosfera de pesadelo, em que não existe  espaço para a esperança e para momentos em que a fuga da realidade se faz mais do que necessário – mesmo que estejamos tratando diretamente, no caso particular de “A Origem dos Guardiões”, com o público infantil.

Talvez, resida justamente nesse elemento o ponto mais positivo da animação. Ao confrontar as crianças com um universo de medo e de desolação, em que, um por um, os mitos em que eles mesmos acreditam são colocados abaixo, o filme mostra para esse mesmo público que nem sempre a vida é colorida ou um verdadeiro espetáculo visual como os que são belamente retratados por algumas cenas da animação, especialmente aquelas que enfocam o papel de Sandman como guardião dos bons sonhos das crianças. Quanto mais cedo as crianças aprenderem isso, melhor.

Entretanto, não é só de um lado obscuro que vive “A Origem dos Guardiões”. O longa dialoga muito bem também com os adultos. Para nós, essa obra acaba soando mágica e emocionante, nos relembrando de como era bom sermos crianças e acreditarmos em algo que era, de uma certa maneira, extraordinário. Neste sentido, num ano em que o gênero de animação ainda não havia entregado uma obra realmente interessante, “A Origem dos Guardiões” vem preencher esta lacuna. Méritos completos do trabalho do diretor Peter Ramsey e, principalmente, do roteirista David Lindsay-Abaire (de “Reencontrando a Felicidade”), que construíram um filme de sentimentos e conflitos reais e que causa uma empatia profunda na plateia, pois aquelas crianças que estão ali poderiam muito bem ser eu, você, nós todos.



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Kamila Azevedo

Jornalista e Publicitária



Comentários


Só críticas elogiosas dessa animação que, me parece, sobrevive ao hype de reunir esses seres mágicos de contos de fadas…
Bejos

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Também achei a animação mais agradável do ano, como você disse fala com as crianças e com os adultos de uma maneira especial, magica mesmo. Sai encantada do cinema.

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Kamilinha, eu detestei o filme. Daqui a pouco subo a minha resenha. Mas detonei, querida.

Acho que sou mais “Bicho-Papão” 🙂

Bjs! E bom final de semana!

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Reinaldo, para mim, trata-se da melhor animação do ano. Beijos!

Amanda, exatamente!! Eu também saí encantada do cinema.

Otávio, que pena que detestou o filme. Vou ler a sua resenha para entender sua opinião. Beijos e bom final de semana!

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Acho visualmente deslumbrante e a história assume muito bem seu lado infantil da crença nos heróis/guardiões, sem se preocupar com o “mundo real”. Mas ainda assim é só mais um bom filme, não vejo grandes qualidades.

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Ainda não assisti esse filme, mas como sou chato com animações, espero mesmo me surpreender. Vou levar meu filho para assistir, espero que ele me deixe analisar o filme…hahaha

Abração!

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pois é, o ano não está dos melhores no quesito animação, mas a origem dos guardiões está sendo muito elogiado… quero assistir e na dublagem original, de preferência!

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Rafael, pois eu gostei MUITO desse filme….

Celo, eu adoro animações e essa me surpreendeu. Abraços!

Bruno, o filme é muito bom. Infelizmente, não vi na dublagem original, mas apreciei da mesma forma.

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Curioso é que eu fui uma criança que não acreditou muito nesses personagens. Mas sempre me encanta quando vejo crianças cheias de fé no Papai Noel, mandando cartinhas pelo Correio, por exemplo. Aliás, o nosso “folclore” na verdade, sempre foi voltado para monstros, já percebeu? Acreditava numa porção deles! rsrsrs
Sobre o filme, concordo com você. Achei que a história apresenta um mundo mais duro às crianças, porém o mundo real. Até porque as de hoje em dia não são tão sonhadoras como as antigas, e sim curiosas. Também sou adepto da verdade, quanto antes melhor. E a animação, em si, é ótima.
Estou tentando voltar com o blog, dei uma pequena reduzida na agenda.
Beijos! Bom estar de volta!

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Weiner, eu acreditava nesses personagens… Até certo ponto da minha infância. Em monstros, acreditava e temia ainda mais! rsrsrsrs Que bom que voltou com o blog. Seja bem vindo, novamente! Beijos!

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Fui assistir esse filme por causa dessa critica de kamila, mas eu achei o filme muito infantil, bem filme para criança mesmo.
E além do mais, o filme foi lançado na época do natal, mas se passa na pascoa,achei bem sem noção isso.
Prefiro mil vezes Valente do que esse.

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Pablo, discordo que seja um filme essencialmente infantil, uma vez que acredito que a obra dialoga muito bem com os adultos também. Outra coisa, acho que você não prestou atenção direito ao filme… O filme se passa em diversas linhas temporais. Ele tem a parte da Páscoa, mas termina com o trabalho do Papai Noel entregando presentes às crianças…

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Aeeee, mais alguém empolgado com o filme.
Faço coro à sua análise, também sai encantado com “a Origem dos Guardiões” e sua belíssima fábula!
Ainda acrescento a crise existencial de Jack Frost, que é muito bem conduzida. A cena do embate dele com o Breu me lembrou até “O Sétimo Selo”. Viajei muito? rs
Considero a melhor animação do ano até por 2012 ter sido um pouco decepcionante nesse gênero, como vc bem aponta.

Bjs, Ka!

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Elton, eu fiquei encantada com este filme. A crise existencial do Jack Frost foi muito bem conduzida mesmo. Como não assisti ainda a “O Sétimo Selo” (sei, vergonha – rsrsrsrs), vou ficar quietinha aqui diante de sua comparação! Também considero esta a melhor animação de 2012 e espero que obtenha o reconhecimento que merece. Beijos!

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