O Canto da Sereia

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Baseada no livro escrito pelo produtor e crítico musical Nelson Motta, “O Canto da Sereia”, do diretor José Luiz Villamarim, foi a microssérie que abriu a tradicional programação de início de ano da Rede Globo. Dividida em quatro capítulos, o programa tem um gênero que é pouco explorado pela dramaturgia nacional: o romance policial. A história se passa em Salvador, no meio da maior festa popular dos baianos: o carnaval, ocasião em que a cantora de axé Sereia (Isis Valverde) é assassinada enquanto se apresentava no seu trio elétrico.

Além de ser investigado pela polícia baiana, o crime de Sereia é desvendado, de forma paralela, pelo chefe de segurança da cantora, Augustão (Marcos Palmeira), que não aceita o fato do assassinato ter acontecido embaixo do seu nariz. É justamente a investigação de Augustão que move a trama da microssérie, a qual é apresentada por meio de flashbacks, que nos introduzem ao mundo de Sereia e às muitas relações turbulentas que ela tinha. Ou seja, muitos são aqueles que tinham motivos para matar a cantora.

Por ser uma microssérie dividida em quatro capítulos, cada um com uma média de 40 minutos, o trabalho dos roteiristas George Moura, Patricia Andrade e Sérgio Goldenberg foi bem desafiante, na medida em que eles tiveram que condensar uma trama complexa, que envolve política, fama, dinheiro, paixão e vícios em um programa curto, com uma certa agilidade nas cenas e no ritmo da narrativa. Entretanto, mesmo assim, a impressão que temos é a contrária: a de que “O Canto da Sereia” se desenvolve de uma forma um tanto corrida.

O ponto mais positivo de “O Canto da Sereia” acaba sendo a sua parte técnica, notadamente a fotografia do experiente Walter Carvalho, e a atuação expressiva de todo o elenco, com destaque para Isis Valverde, Camila Morgado, Marcélia Cartaxo (em curtíssima participação) e o camaleônico João Miguel, o melhor ator brasileiro em atividade, atualmente. Um outro elemento que chama bastante a atenção nesta microssérie é o retrato contundente que ela faz dos bastidores, muitas vezes sujos, da “criação” de um ídolo musical como Sereia.

Cotação: 6,0

O Canto da Sereia (2013)
Direção: José Luiz Villamarim
Roteiro: George Moura, Patricia Andrade e Sérgio Goldenberg (com base no livro escrito por Nelson Motta)
Elenco: Isis Valverde, Marcélia Cartaxo, Marcos Caruso, Fábio Lago, Margareth Menezes, Camila Morgado, Marcelo Médici, Fabiula Nascimento, Gabriel Braga Nunes, Zezé Motta, Marcos Palmeira

11 comments

  1. Clóvis Tayllon 22 janeiro, 2013 at 04:09 Responder

    A história da série me interessou bastante, mas estava a fim de ler o romance antes, por isso, não assisti a “O Canto da Sereia”. Interessante a parte que você atenta ao ritmo da série. Eu achava que quatro capítulos seriam suficientes, mas é bom saber que a trama possui toda essa complexidade. Gostei de saber que o elenco está bem, adoro a Ísis Valverde, acho-a bastante carismática.

  2. José Francisco 22 janeiro, 2013 at 09:50 Responder

    Acho que Isis seja uma das melhores de sua geração. Gostei muito da série e a parte técnica é justamente o que salta aos nossos olhos. Quando se propõe a fazer algo de qualidade, a Rede Globo pode usar os melhores profissionais do mercado. Basta querer!

    • Kamila Azevedo 22 janeiro, 2013 at 11:17 Responder

      Clóvis, não li o livro do Nelson Motta, mas a história da série também me interessou bastante.

      José Francisco, não iria tão longe ao dizer que a Isis é uma das melhores de sua geração. Ela é dedicada, tem muita sorte de ter pego bons papeis. Concordo com seu comentário em relação à parte técnica da microssérie. Concordo ainda mais com seu comentário sobre a Globo. Ela sabe, sim, fazer algo de qualidade e já deu mostras suficientes disso, especialmente com as suas minisséries e microsséries. Até em relação às telenovelas, filão que estava meio saturado, ela conseguiu levar o gênero a outro patamar com “Avenida Brasil”.

  3. Fabrício 22 janeiro, 2013 at 15:05 Responder

    De início até que gostei da série, mas da metade para o fim perdi interesse em conta dos flash-backs intermináveis. E realmente o elenco e a produção é de primeira, mas o roteiro poderia ter sido mais criativo no desenvolvimento da trama…e confesso que ri com a conclusão do mistério.

    • Kamila Azevedo 22 janeiro, 2013 at 18:13 Responder

      Fabrício, os flashbacks eram fundamentais para o desenvolvimento da narrativa. Não achei isso cansativo, pra falar a verdade. Não ri com a conclusão do mistério, mas acertei quem era o assassino de Sereia!

  4. Amanda Aouad 22 janeiro, 2013 at 19:49 Responder

    João Miguel dá show mesmo, principalmente na cena final do personagem. Adoro.

    Quanto a minissérie, o primeiro capítulo achei corrido também, mas depois acho que pegou um ritmo interessante. Apesar de concordar com vocês que a direção de arte, fotografia e cuidados técnicos em geral acabaram sendo o melhor dela.

    Tinha lido o livro bem antes da minissérie surgir e o que mais gostava nele, era exatamente o clima meio noir das investigações e a própria história da personagem que alcança o estrelato, mas… (para não dar spoilers para quem não viu). Achei que a comoção pela morte dela, que no livro é muito bem trabalhada, ficou também muito solta aqui. Mas, no geral, achei um bom produto.

    • Kamila Azevedo 22 janeiro, 2013 at 19:55 Responder

      Amanda, eu concordo com você sobre o João Miguel. O trabalho desse, nessa microssérie, foi fenomenal. Pelo seu comentário, vejo que o livro deve ser melhor que a microssérie. Especialmente porque não senti esse clima noir nas investigações da morte dela. Acho que a grande história aqui acaba sendo a ascensão de Sereia e, nisso, a microssérie foi muito bem.

    • Kamila Azevedo 23 janeiro, 2013 at 16:21 Responder

      Renato, também gostei da série e não li o livro de Nelson Motta. E concordo também com seu comentário sobre a sensação de correria. Abraços!

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