Moonrise Kingdom

Um dos diretores mais aclamados do cinema independente, a verdade é que Wes Anderson não faz filmes para o público em geral. Seus longas possuem características bem diferentes e são dados a um lado meio bizarro. É preciso abraçar o que é considerado incomum para poder apreciar o tipo de cinema que ele faz. Sua obra mais recente, “Moonrise Kingdom”, é o seu filme mais diferente, especialmente porque é um longa mais ambicioso do ponto de vista visual. É a sua obra mais bem trabalhada, especialmente do ponto de vista técnico, e uma prova de que o cineasta norte-americano está buscando o amadurecimento como diretor.

O roteiro de “Moonrise Kingdom”, segunda colaboração entre Wes Anderson e Roman Coppola, enfoca a história de amor vivida entre um jovem casal: Sam (Jared Gilman) e Suzy (a expressiva Kara Hayward). Os dois possuem várias características em comum, como o fato de serem meio desajeitados e tímidos e de viverem às margens dos grupos aos quais pertencem. Além disso, ambos vêm de ambientes cheio de regras e bastante repressivos (Sam é escoteiro, enquanto Suzy tem pais muito autoritários).

“Moonrise Kingdom” acompanha, por boa parte dos seus 94 minutos de duração, a fuga de Sam e Suzy. O curioso é que eles não decidem fugir porque o amor deles é proibido. Pelo contrário, eles tentam escapar é da mediocridade das suas vidas, uma vez que o sentimento que os une acaba sendo o único lugar seguro que eles irão conhecer e é justamente nisso que eles irão se apoiar. O lado bizarro comum aos filmes de Wes Anderson, em “Moonrise Kingdom”, aparece quando todas as outras personagens do longa iniciam uma busca - que chega a ser desastrosa e desastrada, em vários momentos - pelo jovem casal.

Como já mencionamos, “Moonrise Kingdom” é o filme mais diferente dirigido por Wes Anderson. A obra se passa nos anos 60 e o que chama a atenção no decorrer do longa é o excelente trabalho de reconstituição de época, especialmente no que diz respeito à direção de arte, à fotografia e os figurinos. As locações parecem ter sido escolhidas a dedo pelos produtores. Porém, o que “Moonrise Kingdom” acaba tendo de mais positivo é a visão inocente e ingênua de uma relação amorosa que acredita, piamente, que nada de mal pode atingi-la. E esse é um ponto de vista que vai de encontro direto ao mundo cínico em que vivemos. Uma realidade que o próprio Wes Anderson era especialista em retratar, vide longas como “Três é Demais” e “Os Excêntricos Tenenbaums”.

Indicação ao Oscar 2013
Melhor Roteiro Original -
Wes Anderson e Roman Coppola

2 comments

  1. vianapatricio 22 fevereiro, 2013 at 01:34 Responder

    Um filme que não tem outra denominação “ruim”, totalmente sem nexo. Filme é antes de tudo “contexto”, “conteúdo” e “história”. No começo pensei que parecia ser um bom filme, mas o Diretor apela para coisas que são ridículas, é um filme totalmente “sem noção”, está difícil até julgar qual seja o lado bom do filme, gostei bastante da atuação da Kara Hayward. Acho que foi ela e a boa fotografia, que, salvaram o filme de ir para a lista de “piores filmes”.

    • Kamila Azevedo 22 fevereiro, 2013 at 01:39 Responder

      , realmente, o filme é ruim e totalmente sem nexo. Achei uma obra muito confusa e sem um foco bem definido. Também gostei da atuação da Kara Hayward e acho que o filme tem uma parte técnica excelente. Especialmente a fotografia que você cita. Beijo! 🙂

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