Oz: Mágico e Poderoso

Muito antes de Dorothy, do Espantalho, do Homem de Lata e do Leão-Covarde se conhecerem, no clássico “O Mágico de Oz”, filme de Victor Fleming, e decidirem seguir a estrada de tijolos amarelos para encontrar o maravilhoso Mágico de Oz, em busca da realização de seus pedidos especiais, existiu uma outra história relatada no livro de L. Frank Baum, que fala sobre como o Mágico de Oz surgiu na Cidade das Esmeraldas e na terra mágica de Oz se tornando esta figura tão mítica. É justamente a essa história que assistimos no filme “Oz: Mágico e Poderoso”, do diretor Sam Raimi.

Oscar Diggs (James Franco) trabalha como mágico num circo. A sua ética de trabalho e de relacionamento com as pessoas mais próximas é um tanto discutível e Oscar, dono de uma personalidade um tanto sedutora, acaba se metendo em confusões com muito mais frequência do que ele pensa. Após uma delas, envolvendo uma mulher (claro!), Oscar acaba se vendo preso num tornado, dentro do balão no qual ele fugiu da parada circense no Estado do Kansas. A viagem no meio do olho do furacão o leva até o mundo mágico de Oz. Lá, ele encontra duas irmãs chamadas Theodora (Mila Kunis) e Evanora (Rachel Weisz), além de descobrir que ele mesmo pode ser parte de uma profecia que libertaria o mundo de Oz das garras da Bruxa Malvada.

O roteiro escrito por Mitchell Kapner e por David Lindsay-Abaire aborda justamente a maneira como Oscar lida com os problemas à medida em que eles vão se revelando para ele. Curioso perceber que a maioria dos problemas de Oscar (o maior deles está ligado ao fato de que ele tem relutância em assumir responsabilidades e, principalmente, tomar grandes decisões), no mundo mágico de Oz, é somente uma extensão de tudo que ele já tinha que enfrentar no circo e no Kansas com uma diferença em particular. Inserido num mundo que lhe é desconhecido e tendo que construir relacionamentos - os mais importantes com Finley (dublado por Zach Braff), com a China Girl (dublada por Joey King), com Knuck (Tony Cox) e com a Bruxa Boa Glinda (Michelle Williams) -, Oz começa a descobrir um lado que ele não sabia que tinha e que envolve muita coragem e força, aproveitando tudo aquilo que ele já tinha de bom, de forma a ele poder desempenhar o seu novo papel com muita graça e personalidade.

De muitas maneiras, o trabalho que Sam Raimi desenvolveu em “Oz: Mágico e Poderoso” remete muito ao que foi realizado pelos cinco diretores que trabalharam durante as filmagens de “O Mágico de Oz”. O preto e branco do Kansas de Oscar Diggs lembra o Kansas cor de sépia de Dorothy. É impossível ver Oscar no vendaval e não pensar em Dorothy, ou ver o colorido do mundo de Oz e não recordar do impacto visual que é o mundo com o qual Dorothy se depara (lembrando que “O Mágico de Oz” foi um dos primeiros filmes a utilizar a tecnologia a cores, em 1939). Personagens como Glinda (Michelle Williams está com uma aparência tão etérea que parece inatingível) e o próprio Oz mantêm a sua essência principal, àquilo que assistimos no longa de 1939.

Uma obra lançada no ano de 2013, 74 anos após o lançamento original de “O Mágico de Oz”, “Oz: Mágico e Poderoso”, uma prequel do clássico filme de Victor Fleming, reverencia a lenda que é o filme original e conta com um elemento fortíssimo a seu favor: o fato de que a realização técnica do filme é impressionante. Sam Raimi conseguiu transpor para a grande tela todo o carisma de uma história que, não só é mágica, como também emocionante, pois evoca valores simples do caráter humano (como a amizade, a honra, a justiça e a lealdade). Além disso, Raimi foi muito feliz ao escalar seu elenco. Tanto James Franco, quanto Mila Kunis e Rachel Weisz, além de Michelle Williams, estão perfeitos e souberam captar toda a aura especial que esta história possui.

16 comments

  1. celosilva365 13 Março, 2013 at 00:17 Responder

    Acho um filme apenas divertido e meio vazio. O seu visual não me agrada, ao meu ver, a artificialidade dele me lembra um brinquedo de parque de diversões, ainda mais quando visto em 3D. O que mais me agrada é o inicio do filme. No mais, a cartilha de lições de moral didáticas da Disney prevalece. Raimi deve ter sido um tanto podado.

    • Kamila Azevedo 13 Março, 2013 at 00:23 Responder

      Celo, discordo que seja um filme vazio. Gostei muito do visual e não vejo artificialidade no filme. Porém, concordo que Raimi deve ter tido sua liberdade criativa podada, assim como ocorreu com Tim Burton quando realizou “Alice no País das Maravilhas” com a Disney.

  2. Clóvis Tayllon 13 Março, 2013 at 01:03 Responder

    Sou um grande fã de “O Mágico de Oz”, um dos meus filmes prediletos, mas não tenho muita expectativa quanto a “OZ: Mágico e Poderoso”. Vou ao cinema já sabendo que não vou encontrar um filme à altura do clássico de 1939. Depois volto aqui e dou a minha opinião. Abs.

    • Kamila Azevedo 13 Março, 2013 at 01:06 Responder

      Clóvis, também sou grande fã de “O Mágico de Oz” e fui assistir a este filme do Sam Raimi sem expectativas. Acabei me surpreendendo de verdade.

  3. Pablo 13 Março, 2013 at 02:14 Responder

    Eu adorei o filme, que quando terminou me deu muita vontade de assistir o clássico O Mágico de Oz.
    Um filme muito bem feito, que vai agradar desde os adultos como as crianças, e principalmente quem já teve a oportunidade de assistir o filme clássico, pois mostra detalhadamente como surgiu O Mágico de Oz.
    Além de tudo, deixa mensagens muito bonitas, como o fato de acreditar em si mesmo, mesmo quando as situações ao seu redor diz para não acreditar.
    Depois da temporada do Oscar, o melhor filme que eu vi esse ano.

  4. cleber eldridge 13 Março, 2013 at 15:26 Responder

    Eu acho que não tem como esperar nada a altura do original, não é? Até porque seria tolice da minha parte pensar dessa forma, de qualquer jeito confiro o filme quando sair em DVD, esperando que seja um filme ao menos bom.

  5. Amanda Aouad 13 Março, 2013 at 19:16 Responder

    Eu também gostei bastante do resultado, acho que respeita o original e tem seus atrativos, ainda que nada de realmente novo ou único. Um filme que diverte, envole e até emociona pelos valores simples, como você falou.

    • Kamila Azevedo 14 Março, 2013 at 00:44 Responder

      Pablo, também deu vontade de rever “O Mágico de Oz” depois que eu assisti a esse filme. Não diria que foi o melhor filme que eu assisti em 2013, mas sim que foi uma das boas surpresas do ano, até agora.

      Cleber, sim, não tem como esperar algo no nível do filme original, mas esse longa entretém e tem uma mensagem muito legal e faz uma ponte interessante com “O Mágico de Oz”.

      Amanda, concordo contigo!

  6. Otávio Almeida 14 Março, 2013 at 18:50 Responder

    Gostei dessa de ‘liberdade criativa podada’. Senti isso também sobre Tim Burton em “Alice”. O mesmo para Raimi. Ele é bad ass. Só pode ter sido “ajustado” pela Disney. Tanto que nem volta para a continuação. Acho que Raimi se empolga mais na escuridão. Quando faz as madeiras pontudas rasgarem a cesta do balão durante a sequência do furacão. E a bruxa velha assustando a boazinha na sacada no clímax do filme – isso é Sam Raimi.

    Enfim, o começo do filme é muito bom. No Kansas. Depois fica confuso meio indefinido. Estamos em Oz? Pandora? Terra-Média? O reino dos Smurfs? Muito colorido. Parece desenho animado até nossos olhos se acostumarem. O filme se recupera no final, quando já estamos situados. A solução que homenageia os primórdios do cinema me pegou de jeito.

    Gostei das atrizes como bruxas. Michelle Williams está uma graça como a bozainha, sem exageros de um filme de Tim Burton . Rachel Weisz está maligna demais. Mila Kunis é mais bruxa em “Cisne Negro”, mas tudo bem. Só que… não consigo gostar do James Franco. Sempre com cara e jeitão de Pinneapple Express. Menos em “127 Horas”.

    Bjs!

  7. Rafael Carvalho 14 Março, 2013 at 22:27 Responder

    O filme foi uma grata surpresa pra mim porque, ao mesmo tempo em que faz referência ao filme anterior, sem desvirtuá-lo em nenhum momento, a história aqui caminha com suas próprias pernas, e resgata o mesmo espírito de ingenuidade e do acredite em você mesmo. Há ainda uma bela celebração final do cinema enquanto artefato de magia e ilusão.

    • Kamila Azevedo 15 Março, 2013 at 13:26 Responder

      Otavio, mas foi isso que deve ter acontecido mesmo. E, apesar da “liberdade criativa podada”, acho que Raimi conseguiu realizar um trabalho bastante consistente. Gostei muito desse “Oz: Mágico e Poderoso”. Entendo as críticas que algumas pessoas fazem à obra, mas acho que ela tem mais qualidades do que defeitos. Amei o elenco.

      Rafael, eu também achei esse filme uma boa surpresa. Concordo com seu comentário.

      Bruno, vai bater sim. Comigo, me deu vontade de rever “O Mágico de Oz”, um dos meus filmes favoritos.

  8. Guilherme 15 Março, 2013 at 22:42 Responder

    Estava acompanhando a liberação do material promocional todos os dias! Enfim, estava muito animado para ver. E não me desapontou. Só achei que deveria ter mais cenas com as Bruxa Malvadas (o filme não teria graça sem as duas). É o meu primeiro filme favorito de 2013 (mas estão vindo mais por aí…). Claro que não é nada muito grande, afinal, Hollywood não é mais a mesma, e nós estamos falando de Disney, mas eu sou assim, quando tem personagens que eu gosto, grandes efeitos especiais, figurinos lindos e muita fantasia fantástica, o resto tá bom. É claro que não é tão encantador quando o original. Eu tenho 13 anos, assisti o filme com 2 ou 3, por isso não me lembrava de muita coisa, então assisti recentemente outra vez por causa do filme do Raimi, e eu me senti uma criança, tamanho o encanto e simplicidade esse filme tem (mas eu gosto mais do novo, veja bem). Quando ao elenco, só gostei da Williams, Weisz e do quarteto que tem amizade com o Oscar (o velhinho, o anão, o macaco e a boneca). Eu gosto da Kunis, e ela faz parte do elenco de dubladores de uma das minha séries prediletas, mas ela é aquele tipo de atriz que foi feita especialmente para aquele certo tipo de filme para aquele certo tipo de personagem, por isso ela não ficou tão boa assim. A Rachel é maravilhosa. Ela consegue fazer qualquer coisa que exijam dela. Não gosto do James. Não sei porque.

    • Kamila Azevedo 16 Março, 2013 at 00:32 Responder

      Guilherme, eu também estava muito animada para assistir a este filme, especialmente porque amo “O Mágico de Oz”, que considero um de meus filmes favoritos. Acho que todos, quando assistimos a “O Mágico de Oz”, independente da nossa idade, nos sentimos crianças novamente e sentimos segurança naquela história mágica e que tanto nos ensina. Do elenco desse “Oz: Mágico e Poderoso”, gostei muito da Michelle Williams e do James Franco e acho que Rachel Weisz e Mila Kunis fizeram um excelente trabalho também. Acho que muita gente não gosta do James porque ele tem uma cara e um jeito meio marrentos…

  9. Victor Nassar 19 Março, 2013 at 01:32 Responder

    Poxa, ainda não consegui ver Oz. Não estava muito animado, porque toda vez que via algo sobre, sempre me vinha à cabeça um deja vu de Alice, como se tivessem usado o mesmo “template” do filme. Depois de umas críticas até positivas, tirei essa “crica”, até porque o elenco é mesmo para se botar fé! =]

    • Kamila Azevedo 19 Março, 2013 at 01:51 Responder

      Victor, de uma certa maneira, “Oz: Mágico e Poderoso” é mais bem-sucedido do que “Alice”, especialmente se levarmos em consideração o fato de que Sam Raimi também teve sua liberdade podada pela Disney, assim como ocorrido com Tim Burton. O filme de Sam Raimi tem magia e carisma. Além de ser muito bem feito. Por isso mesmo, vale a visita!

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