Curvas da Vida

“Curvas da Vida”, filme dirigido por Robert Lorenz, não é a primeira obra do cinema hollywoodiano que utiliza o esporte como metáfora para falar da vida. “Curvas da Vida” também não é o primeiro filme em que Clint Eastwood interpreta um senhor ranzinza e carrancudo. A grande novidade, então, advinda do longa é o fato de que este é o primeiro filme desde “Na Linha do Fogo”, de Wolfgang Petersen, em que Eastwood atua, mas não divide essa tarefa com a de diretor. Isso está explicado, pois Clint, provavelmente, queria oferecer apoio à Lorenz, que foi seu diretor assistente em filmes como “Dívida de Sangue”, “Sobre Meninos e Lobos” e “Menina de Ouro”.

Tendo como pano de fundo o beisebol, um dos esportes mais populares dos Estados Unidos, “Curvas da Vida” tem uma trama que está centrada na figura de Gus (Clint Eastwood), um olheiro que trabalha para o Atlanta Braves, time integrante da Divisão Leste da Major League Baseball (MLB). Numa época em que programas de computador desvendam as estatísticas de jogadores que se encontram desde o campo de várzea, até os times do colegial, passando pelos times da faculdade, até chegar aos profissionais, Gus pode ser considerado um olheiro à moda antiga, na medida em que ele pega o seu carro e vai, pessoalmente, assistir aos jogos do interior para poder descobrir os futuros talentos a serem aproveitados pelos grandes times.

De uma certa maneira, “Curvas da Vida” é um filme que confronta o olhar do velho contra o novo, especialmente no campo profissional, principalmente se levarmos em consideração que Gus trabalha, constantemente, com a ameaça de se tornar obsoleto (ainda mais após começar a desenvolver uma doença que afeta diretamente a sua visão). O tema continua com o enfoque na tentativa de ascensão profissional da única filha de Gus, a advogada Mickey (Amy Adams, na sua segunda boa atuação de 2012), com quem ele tem um péssimo relacionamento; e com a entrada de Johnny (Justin Timberlake), um ex-jogador de beisebol que teve a sua carreira abreviada por causa de uma contusão e ainda não se reencontrou profissionalmente, na trama.

Todas essas personagens irão se encontrar numa viagem de trabalho que Gus fará, com a filha, ao interior dos Estados Unidos para acompanhar as finais da liga colegial norte-americana. Por ter esse formato de road movie, a característica principal de “Curvas da Vida” acaba sendo o retrato de uma trama em que Gus, Mickey e Johnny irão descobrir coisas novas sobre si mesmos e que serão fundamentais para que eles possam trabalhar os relacionamentos entre eles e esses conflitos profissionais que eles possuem. Apesar de um tanto previsível, o que acaba pegando a gente em relação à “Curvas da Vida” é justamente a sensação de que estamos assistindo a um filme sobre gente como a gente, com conflitos bastante comuns e com os quais nos identificamos de imediato.

8 comments

  1. Pablo Caldas 17 Abril, 2013 at 01:23 Responder

    Clint Eastwood mesmo com mais de 80 anos ainda consegue provar que é um gênio da setima arte. E nos últimos anos, ele parece que esta interpretando a si próprio nos seus filmes, o que para mim, deixa o filme mais real possivel.
    Nesse filme, além de clint, ainda tem Amy Adams e Justin Timberlake com duas grandes atuações.
    Curvas da Vida foi um dos melhores filmes que eu vi no cinema em 2012.
    Durante o filme eu fiquei torcendo para que esse filme não seja o último da brilhante carreira de Clint.

  2. Paulo Ricardo 17 Abril, 2013 at 04:10 Responder

    Considero essa a terceira grande atuação de Amy Adams( “O Mestre” de PTA e “Na Estrada” de Walter Salles).Esse filme me lembrou “O Homem Que Mudou o Jogo”.O filme é centrado no olheiro Clint Eastwood e no manager Brad Pitt,tem como pano de fundo o beisebol,trata de conflitos familiares(com a filha de ambos),confrota o olhar do velho contra o novo.”Curvas da Vida” é um filme muito agradável,e talvez esse seja o defeito.Robert Lorenz poderia aprofundar os conflitos de pai e filha.

    • Kamila Azevedo 17 Abril, 2013 at 16:45 Responder

      Pablo, não acho que ele interprete a si mesmo nos filmes que faz, até porque interpretar o ranzinza e carrancudo foi uma coisa que ele sempre fez. Para mim, Clint Eastwood funciona melhor atrás das câmeras do que na frente. Com certeza, não será o último filme de Clint. Pelo menos, não como ator.

      Matheus, também gostei da dinâmica entre pai e filha. E não achei o filme monótono.

      Paulo, não acho que seja uma das melhores atuações da carreira da Amy Adams, mas, com certeza, é uma das sólidas performances da atriz. Também lembrei de “O Homem que Mudou o Jogo”, mas acho que os dois filmes só têm mesmo em comum o fato de que possuem o beisebol como pano de fundo. No resto, não vejo muitas similaridades entre os dois filmes. Porém, concordo que “Curvas da Vida” é um filme muito agradável.

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