Oblivion

publicado em:17/04/13 12:01 AM por: Kamila Azevedo Cinema

“Oblivion”, filme dirigido e co-escrito por Joseph Kosinski, se passa numa realidade que é bastante típica dos filmes de ficção científica. Nela, a terra encontra-se dizimada após uma grande guerra ocorrida em decorrência de uma invasão alienígena que exterminou a Lua. Os poucos sobreviventes que restaram vivem numa colônia em Titã, uma das luas de Saturno. Guardando a Terra dos invasores (liderados pelo personagem interpretado por Morgan Freeman) que ainda tentam obter os recursos humanos estão Jack Harper (Tom Cruise) e Victoria Olsen (a talentosa Andrea Riseborough, conhecida por “W.E. – O Romance do Século”), dois soldados que estão subordinados à Sally (Melissa Leo), a comandante da Tet, nave espacial que fica sobrevoando a órbita do planeta Terra.

Um fator importante para nos ajudar a tentar compreender a difícil trama de “Oblivion” (que se baseia no comic book escrito pelo diretor Joseph Kosinski e por Arvid Nelson) é prestar atenção à tradução do título do filme em português. Oblivion significa esquecimento. Antes de participarem da missão como guardiões da Terra, a memória de Jack e Victoria foi completamente apagada. Enquanto ela não parece ser atormentada pelas lembranças do seu passado, Jack tem pesadelos constantes com uma vida e uma mulher que ele não consegue saber quem são e o que representam. Além disso, a personagem interpretada por Tom Cruise tem um verdadeiro fascínio pelo planeta Terra e pela cultura dos humanos. Quando Julia (Olga Kurylenko) é resgatada por Jack após sofrer um acidente com uma nave espacial que cai na área cuidada pelos dois soldados, esses questionamentos que Jack possui ficam ainda mais fortes e é justamente isso que determina o destino de “Oblivion”.

Já faz um bom tempo, mais precisamente desde o início da década passada, quando ele se separou da atriz Nicole Kidman e sofreu com algumas crises de opinião pública, que muitos decretaram a decadência na carreira de Tom Cruise. Entretanto, chega a ser curioso perceber que, neste mesmo período, Tom Cruise trabalhou com alguns dos diretores mais notáveis da indústria cinematográfica (como Steven Spielberg, Edward Zwick, Michael Mann, J.J. Abrams, Robert Redford, Bryan Singer e James Mangold), em filmes em que ele interpretou tipos que ele nunca havia feito, como o Vincent de “Colateral” e o Les Grossman de “Trovão Tropical”. O que quero dizer com isso é que Tom Cruise, apesar de toda a torcida contrária (por causa mesmo do desgaste em torno de sua imagem), é um profissional que está sempre buscando desafios, em filmes em que ele dificilmente repete tipos e trejeitos.

Em “Oblivion”, ele trabalha com um jovem diretor, que está no segundo longa-metragem de sua carreira (e, ao mesmo tempo, sua segunda obra seguida no gênero de ficção científica – a primeira delas foi “Tron – O Legado”). Aqui, Joseph Kosinski trabalha, pela primeira vez, com um roteiro que ele mesmo ajudou a adaptar. E se encontra nessa área o ponto mais fraco de “Oblivion”. A trama do filme é muito confusa e existem elementos que nunca ficam explicados de forma clara para o espectador. Kosinski compensa isso com aquilo que ele sabe fazer melhor: criar um visual impressionante para o seu filme, com uma trilha sonora marcante (e que contou com a colaboração do grupo de música eletrônica francês M83) e atuações bem consistentes do elenco, com destaque para Andrea Riseborough, o próprio Tom Cruise e Melissa Leo.


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Kamila Azevedo

Jornalista e Publicitária



Comentários


Na verdade, achei o roteiro uma mistura de diversos outros já visto. Tem muitas referências em cada pedaço do filme. Mas, no geral, achei um entretenimento interessante.

Quanto ao Tom Cruise, concordo com você, as pessoas pegam no pé do coitado, mas ele continua firme e forte.

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Kamila,o roteiro desse filme lembra muito a ficção cientifica “Lunar”.Mas enquanto esse custou 120 milhões de dólares,o filme de Duncan Jones saiu por 5 milhões.Será que temos um caso de plágio?

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Até quero ver, mas vou esperar pelo DVD mesmo!

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Amanda, verdade. O filme mistura vários elementos que já conhecemos de outros filmes desse gênero. Também achei um filme interessante, mais pelo fato de ter elementos técnicos bem chamativos.

Paulo, não assisti a “Lunar”, por isso não posso fazer comparações entre os dois filmes.

Raspante, se eu fosse você, tentava assistir a este filme no cinema mesmo.

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Sou fanzaço de Cruise e o acho ótimo ator. Na verdade, acho que ele poderia fazer escolhas mais ousadas (Alô Brad Pitt!), mas é inquestionável que manter-se um astro relevante por quase três décadas é um feito e tanto. Ainda não vi “Oblivion”, mas tenho cá meu otimismo com o filme.
Bjs

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Eu gostei do filme, a trama é meio rocambolesca, mas faz jus a Graphic Novel que a inspira.

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Reinaldo, também gosto do Tom Cruise. Gosto mais do lado ator dele. Discordo de algumas coisas que ele defende por causa do seu ponto de vista pessoal, que é um pouco diferente do que eu acredito. Mas, isso não importa. Acho que “Oblivion” agradará em cheio aos fãs dos filmes de ficção científica.

Celo, a trama é muito rocambolesca. Como não conheço a graphic novel que origina o roteiro, não posso tecer comentários sobre esse assunto.

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Parece que o roteiro deixa um pouco a desejar. Uma pena. Esperava bastante do filme, que tem pretensões muito interessantes. Mas as críticas estão convergindo para o filme apenas bom. Engraçado vocês comentarem sobre a mistura de referências. Lembro que o trailer me lembrava um fio de Wall-E haha e não fui o único. No mais, vejo o filme semana que vem, creio. Mas sem a mesma expectativa de antes.

Bjs Kamila!

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Victor, não acho que “Oblivion” tenha paralelos com “Wall-E”, apesar dos dois filmes se referirem à seres que trabalham numa terra desabitada e que possuem um fascínio com a cultura humana. Porém, a questão principal dos dois filmes é bem diferente. Assista ao filme sem expectativas. Foi como eu o assisti e consegui apreciar algumas coisas e ver o filme sob outro prisma.

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eu gostei de boa parte do filme, a trilha sonora realmente é ótima… mas além da confusão que vc citou, achei que exageraram na quantidade de temas de sci-fi… e isso atrapalhou bastante, pois não conseguiram desenvolver muito bem nenhum deles.. (futuro pos apocaliptico, guerra com aliens, a temática do escolhido, clone, viagem no tempo, romance, mensagem ambiental e por a vai)…

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Bruno, eu também gostei do filme, em algumas partes. A trilha sonora, sem dúvida alguma, é um destaque. Porém, o roteiro, a confusão do roteiro prejudica – e muito – “Oblivion”.

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É déjà vu, Kamila. Parece que o filme começa de forma ambiciosa, tentando mostrar algo novo e intrigante. Mas cai no lugar comum, com suas reviravoltas forçadas. Para não deixar de agradar a garotada. Mas não é uma porcaria. Só é uma pena porque “Oblivion” podia ter rendido um filmão.

Bjs

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Otavio, pois é. De uma certa maneira, concordo contigo. Mas, acho que o filme tem coisas que são muito positivas. O roteiro que acaba prejudicando muito “Oblivion”.

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