Cruzada

publicado em:25/06/13 1:29 AM por: Kamila Azevedo Filmes

As Cruzadas foram uma série de expedições que possuíam o objetivo de assegurar o domínio cristão sobre os lugares sagrados que eram controlados pelos muçulmanos. As lutas duraram dos séculos 11 ao 14. O filme “Cruzada”, do diretor Ridley Scott, se passa durante a Terceira Cruzada, ocorrida nos anos de 1189 a 1192. Nessa época, cristãos e muçulmanos conviviam pacificamente em Jerusalém. Resultado dos esforços dos Reis Saladin (muçulmanos) e Baldwin IV (cristãos).

A primeira hora de “Cruzada” é determinante para o resto do filme. São nestes momentos que iremos conhecer Balian (Orlando Bloom, protagonizando um filme pela primeira vez), um ferreiro que está de luto pela morte da esposa e do filho. Balian está sem perspectivas na vida quando recebe a visita do Barão Godfrey de Ibelin (Liam Neeson, em uma participação marcante), que se apresenta como seu pai e o convida a se tornar um cavaleiro e a defender o Reino Latino de Jerusalém, governado pelo Rei Baldwin IV (Edward Norton, escondido por trás de uma máscara de ferro), um homem condenado à morte devido à lepra que tira suas forças.

Godfrey sabe do momento difícil pelo qual Balian está passando, por isso apresenta a ida a Jerusalém (apresentada, no filme, como o mundo novo, aonde existe amor ao invés de ódio) como uma jornada de redenção, na qual o filho irá se redimir dos seus pecados e salvará a alma da esposa suicida. Diante de tal argumento, Balian não tem como recusar a proposta do pai e embarca nessa viagem de autodescoberta na qual ele surge como um novo raio de esperança para o povo de Jerusalém.

Apesar da convivência pacífica existente entre cristãos e muçulmanos, eram muitos aqueles (de ambos os lados) que queriam ver a luta armada entre os dois povos. Os Cavaleiros Templários, a mando do Papa, contavam com a ajuda de Guy de Lusignan e de Reynald de Châtillon (Brendan Gleeson) para assassinar muçulmanos. Tais ataques causavam ira em Saladin (o excelente ator sírio Ghassan Massoud) e fragilizavam a relação que ele tinha com o Rei Baldwin IV. A guerra não tardaria a acontecer. Com a morte de Baldwin e o ataque à irmã de Saladin, ela começou e resultou na retomada do controle de Jerusalém pelos muçulmanos.

“Cruzada” é um filme que quebra muitas convenções do cinema. Pela primeira vez, vemos os muçulmanos serem retratados como pessoas normais sem serem taxadas de terroristas ou causadores do mal do mundo. E há muito tempo que não vemos um filme no qual não existem mocinhos ou vilões (com a exceção de Guy de Lusignan e Reynald de Châtillon), um lado vencedor ou um lado perdedor. Cada uma das partes retratadas têm uma justificativa para os seus atos. Você pode até não concordar com elas, mas não irá julgar as decisões que foram tomadas.

O filme possui muitas virtudes: um cuidado com o visual e com as cenas de luta (uma marca do diretor Ridley Scott), um roteiro que contém mensagens belas e é bastante atual e um excelente elenco de apoio. É essa última virtude que expõe o grande defeito de “Cruzada”: Balian é uma personagem tão apática quanto a atuação de Orlando Bloom. A platéia se engana quando pensa que ele é o herói do filme. Esse posto pertence aos reis Saladin e Baldwin IV, homens nobres e de extremo caráter, que provaram que a diplomacia e a tolerância são a principal saída para os conflitos do Oriente Médio. Se isso foi possível há mil anos atrás, o que impede que isso ocorra novamente nos dias de hoje? É essa a grande mensagem que “Cruzada” nos deixa.



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Kamila Azevedo

Jornalista e Publicitária



Comentários


Gosto do filme. O Merten diz que tem uma versão de cinco horas que transforma “Cruzada” numa obra-prima. Gostaria de ver essa edição.

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Concordo com seu texto, é um bom filme que perde pontos com a escolha de Orlando Bloom para o papel principal. Seus trabalhos posteriores confirmaram que ele não tem talento para segurar um filme como protagonista. Aqui o ótimo elenco de coadjuvantes compensa a apatia do ator.

Até mais

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Otavio, também gosto muito desse filme. Não sabia dessa versão de cinco horas de “Cruzada”. Fiquei curiosa, agora.

Hugo, obrigada! O Orlando Bloom, para mim, é um ator muito apático e com muita falta de talento. Não consigo me lembrar de nada memorável que ele fez. No entanto, ele tem muita sorte em sua carreira. Isso ninguém pode negar.

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O estranho sobre essa história é que existe uma trilogia (livros) chamada “As cruzadas”, 1º A Caminho de Jerusalém, 2º O cavaleiro templário e o 3º O novo reino do autor Jan Guillou (ele é suéco), nessa série o personagem principal se chama Arn, no 2º livro ele vai para Jerusalém servir na ordem dos templários, nesse 2º livro a história é a mesma do filme as cruzadas, até os personagens são os mesmos, a diferença é que Arn é o personagem principal, e não o personagem do Orlando Bloom, Arn é o herói da história. A trilogia foi lançada enter 1998 e 2000, ou seja, antes do filme As cruzadas. Será coincidência ou o diretor do filme leu os livros e mudou o personagem principal para não ter que pagar os direitos autorais? Existe um filme chamado Arn o cavaleiro templário, é um filme suéco, de um conferida. Abraço.

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Eraldo, eu desconhecia essa informação sobre essa trilogia de livros… Não sei se é apenas uma coincidência as semelhanças entre livros e filme. Fato é: o roteiro de “Cruzada” é original, escrito sem base em material previamente publicado, o que faz seu comentário ser mais curioso ainda.

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