De Repente 30

publicado em:2/07/13 8:01 PM por: Kamila Azevedo Filmes

Todos irão concordar com a afirmação de que a adolescência é uma das fases mais difíceis e delicadas da vida de qualquer ser humano. Claro, existe muita diversão e “irresponsabilidade” neste período, mas o elemento constante nele é o aprendizado que o jovem vai ter, ao ter que aprender a lidar com as mudanças, com o surgimento de novos sentimentos e com o ambiente escolar competitivo e – até certo ponto – cruel ao seu redor. A sensação que se tem é que, ao fim de tudo isso, as coisas serão mais fáceis. Ledo engano: a adolescência é só o começo de uma dura jornada. É isto o que Jenna Rink, a personagem principal de “De Repente 30” irá aprender.

No início do filme, Jenna é uma adolescente que vive num subúrbio de Nova Jersey. O melhor amigo dela é também o seu vizinho e fotógrafo oficial da escola, Matt. O que Jenna mais desejava era ser aceita no grupinho das seis alunas mais populares do colégio (as que são sempre retratadas como garotas cruéis e desprezíveis) e namorar o menino mais bonito da escola. Para tanto, Jenna fará de tudo, mas o principal é armar uma bela festa para comemorar os seus 13 anos. Ela garante a presença das meninas e do paquera ao assegurar que fará para elas um trabalho escolar.

Entretanto, nem tudo sai como o planejado e Jenna vê sua festa indo por água abaixo quando é enganada pelas garotas populares. Envergonhada de si mesma, ela deseja ter 30 anos (a idade perfeita segundo uma matéria que ela leu na “Pose”, a sua revista favorita), ser feliz e poderosa. No outro dia, o desejo de Jenna se torna realidade e ela acorda em um belíssimo apartamento em Nova York, com o corpo de Jennifer Garner (atriz que entrega uma excelente atuação ao mostrar os sentimentos mistos da garota diante daquilo que lhe é novo), namorando um famoso jogador de hóquei e sendo uma das editoras mais importantes da revista “Pose”.

A partir daí, o filme segue Jenna – com o corpo de uma mulher de 30 anos e a mentalidade de uma garota de 13 – tentando lidar com as repentinas responsabilidades (amorosas e profissionais) que adquiriu e com a pressão do chefe (Andy Serkis, o eterno Gollum da trilogia “O Senhor dos Anéis”) para solucionar a crise da revista na qual ela trabalha (e que está prestes a fechar as portas se nada for feito); estranhando a reação e incompreensão das pessoas ao seu redor com o seu “novo” comportamento; e contestando algumas das decisões que ela tomou na vida, como se afastar dos pais e de Matt (agora interpretado pelo ótimo Mark Ruffalo). No geral, Jenna irá descobrir que se tornou uma pessoa detestável, assim como eram as garotas populares do colégio.

“De Repente 30” é a versão feminina de “Quero Ser Grande”, um filme estrelado por Tom Hanks na década de 80. E vem desta década algumas das cenas mais engraçadas (e, por quê não, memoráveis) de “De Repente 30”. Mas, se engana quem pensa que o filme tem como objetivo mostrar que a vida como adulto é legal e divertida. Pelo contrário, “De Repente 30” mostra o quanto que o processo de amadurecer acaba com a nossa inocência perante o mundo e as pessoas; e o quanto é bom nós revisitarmos o passado, procurar colocar as falsas impressões de lado e enxergar o que tivemos e sentimos de importante, pois é assim que esta sensação de inocência e fé nas coisas são mantidas.



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Kamila Azevedo

Jornalista e Publicitária



Comentários


Gosto muito de “De Repente 30” e passei a apreciá-lo um pouco mais ao revê-lo recentemente com os comentários em áudio do diretor Gary Winick (que infelizmente faleceu após alguns meses do lançamento de “Cartas Para Julieta”, seu último longa-metragem). Mais interessante do que o fato dele ser um diretor independente trabalhando pela primeira vez em um filme de grande orçamento, é legal saber que o processo de realização rendeu um filme divertido que jamais deixa de provocar uma sensação de nostalgia e uma resolução bacana sobre a importância de vivenciarmos com intensidade e dignidade cada etapa de nossa existência (por mais chata que ela possa parecer). Outro ponto interessante é que a todo o momento estamos diante de uma protagonista que é, na verdade, uma grande vilã (mais que a própria personagem da Judy Greer). Eu subiria ao menos um ponto para cada aspecto do filme, especialmente direção e atuação.

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Um filme bem legal, na estilo sessão da tarde.
A mensagem do filme, de que hj em dia as pessoas crescem e esquecem do passado, pode ser muito perverso tanto para a própria pessoa como para as pessoas que estão ao redor dela.
Foi o último filme bom que Jennifer Garner fez.

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É um filme gostoso mesmo sobre a vida e suas mudanças. E você tem razão quando fala sobre a perda da inocência e a necessidade de se lembrar quem é.

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Alex, eu também gosto muito de “De Repente 30”. Gostei dos pontos de vista levantados pelo seu comentário. É bem isso mesmo: a Jenna se transformou, pelas experiências mesmo que ela viveu, naquilo que ela não gostaria de ser. E isso é muito interessante. Bem notado, Alex.

Pablo, também acho esse filme muito legal. Gosto muito da Jennifer Garner aqui.

Amanda, obrigada! Também gosto muito desse filme.

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