Diários de Motocicleta

publicado em:30/07/13 1:37 AM por: Kamila Azevedo Filmes

A vida da gente é feita de momentos. Alguns deles são bons, outros ruins; existem até mesmo aqueles momentos que são de satisfação, de realização, de alívio, de contestação, de amor, de paz e de guerra. O filme “Diários de Motocicleta”, do diretor Walter Salles e do produtor executivo Robert Redford, fala justamente sobre um momento na vida de um homem; um momento definidor e que vai marcar a vida desse homem para sempre.

O homem em questão era o então estudante de Medicina argentino Ernesto Guevara de La Serna (Gael Garcia Bernal) que, às vésperas de se formar médico, decide viajar com o amigo e bioquímico Alberto Granado (Rodrigo de La Serna, que vem a ser primo em segundo grau de Che Guevara na vida real). Na viagem, os dois amigos têm o objetivo de conhecer a fundo a América Latina a bordo da “Poderosa”, a motocicleta de Granado.

Desde o seu início, a viagem de Ernesto e Granado dá pistas de que será uma grande aventura, especialmente depois da “Poderosa” não agüentar as estradas esburacadas e o dinheiro que eles carregam consigo for insuficiente. Logo após uma parada estratégica para visitarem Chichina (Mia Maestro), a namorada de Ernesto, os dois amigos começam a sua jornada e conhecem diversas cidades da Argentina (de onde eles partem), Chile, Peru – país aonde permanecem por um longo tempo trabalhando e cuidando de leprosos – e Venezuela.

Nesta época, Ernesto Guevara ainda não era o grande Che, o revolucionário que conhecemos e que marcou seu nome na história ao ser um dos líderes da Revolução Cubana, movimento que levou Fidel Castro ao poder. Na aventura pela América Latina, Ernesto era apenas um jovem de 24 anos, vulnerável (devido à asma que lhe atacava) e que se preocupava mais com as garotas. Entretanto, à medida em que o tempo vai passando, Ernesto se dá conta da realidade do seu continente e de seu povo, que mesmo sofrido e vivendo na miséria, com diferenças e com a exploração, ajuda aqueles a quem mal conhecem.

“Diários de Motocicleta” registra o momento de transformação de um jovem num homem consciente de seu papel na sociedade. E fazer com que a platéia entenda este momento de transformação é o grande propósito do filme. A equipe técnica (direção, fotografia, edição, música, roteiro e atores) abraçou esta idéia. No final de “Diários de Motocicleta” não é só Ernesto Guevara que não é mais o mesmo; todos nós seremos pessoas diferentes e teremos uma nova perspectiva do nosso continente. Nós acordaremos e veremos que somos os agentes de transformação.


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Kamila Azevedo

Jornalista e Publicitária



Comentários


Gostei de seu parágrafo final. Grande acerto de Walter Salles. Mesmo sendo guerrilheiro, Che tem uma admiração por parte de muitas pessoas, que, ao verem esse filme, não se arrependem de prestar-lhe tal sentimento. Grande performance de Rodrigo de La Serna.

Beijos

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Elton, obrigada! Também gosto muito desse filme.

Brenno, Che virou uma figura mítica, especialmente para aqueles que acreditam nessa possibilidade de mudança. E acredito que este filme mostra um lado diferente dessa figura, um lado mais humano. Também gosto muito da atuação de Rodrigo de la Serna.

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