Em Busca da Terra do Nunca

publicado em:6/08/13 7:27 PM por: Kamila Azevedo Filmes

O dramaturgo James M. Barrie (Johnny Depp, em uma atuação indicada ao Oscar 2005 de Melhor Ator) era um dos autores de peças teatrais mais conhecidos da Inglaterra. As suas obras eram esperadas com antecipação pela platéia, mas ultimamente algo andava errado e Barrie parece que perdeu as chaves para o sucesso. Suas peças não eram mais boas e eram um fracasso de crítica e público. Ele – e o produtor Charles (Dustin Hoffmann) – necessitavam de um sucesso urgentemente, porém o escritor não encontrava a inspiração necessária.

Barrie era um homem bastante intrigante. Sua esposa, a atriz Mary (Radha Mitchell), era o conservadorismo em pessoa e se interessava mais pelos contatos sociais que a posição do marido lhe iria proporcionar. Barrie, ao contrário, fugia do conservador. Seu escritório de trabalho era um parque, seu companheiro diário era um cachorro (imponente no tamanho e grandioso no coração) e sua ferramenta mais valiosa era a imaginação.

No parque que freqüentava diariamente, Barrie irá conhecer a família Llewelyn Davies, a qual é formada por Sylvia (Kate Winslet, maravilhosa) e seus quatro filhos. Os Davies acabaram de sofrer uma grande perda: a do pai e marido, e ainda estão tentando reerguer suas vidas – com a ajuda da rígida mãe de Sylvia (interpretada por Julie Christie). Barrie se enxerga, de certa maneira, nos quatro meninos Davies, pois, assim como eles, quando era criança, perdeu alguém que ele amava: o irmão David. Foi neste momento que ele se viu obrigado a crescer, que ele perdeu a sua inocência, que ele deixou de ser criança e que ele transportou o menino James para um lugar que ele batizou de Terra do Nunca.

Barrie verá o menino James nascer de novo quando ele começa a se relacionar com os meninos Davies. O escritor brincará com eles de índio, pirata; empinará pipas e se colocará dentro dos lugares mais inusitados (como um navio de piratas malvados e um circo). Enfim, ele estimulará a imaginação dos meninos, visando manter neles a inocência, querendo que eles vivam a infância e que eles não percam esta fase tão importante na vida de uma pessoa. Podemos dizer até que Barrie não quer que os meninos sucumbam à vida de conservadorismo que dita as normas da existência dele, de Mary, da mãe de Sylvia e da própria Sylvia.

O relacionamento que irá se estabelecer entre Barrie e os quatro meninos – especialmente com Peter (a revelação Freddie Highmore), o mais cético dos irmãos – também servirá de inspiração para o escritor na redação daquela que é considerada a sua obra-prima: “Peter Pan”, peça que contava a história de um menino que nunca crescia e que morava na Terra do Nunca.

Uma nova abordagem para uma clássica obra. É isto que vemos no filme “Em Busca da Terra do Nunca”, filme do diretor Marc Forster, indicado a sete Oscar 2005 (incluindo as categorias de Melhor Filme e Roteiro Adaptado). Um filme dirigido com tamanha naturalidade por Forster, que nunca questionamos o fato de que Barrie é um homem que passa a maior parte do tempo se relacionando com crianças do que com a própria esposa; e, muito menos, o tipo de conexão platônica que se estabelece entre Barrie e a viúva Sylvia.

Em Busca da Terra do Nunca” é um filme emocionante, que relata a história de todos nós, crianças que um dia crescem. Barrie queria que todos nós mantivéssemos a inocência, que encarássemos o mundo e os objetos do nosso dia-a-dia com leveza e imaginação e que não deixássemos as adversidades tomar conta do nosso ser. No entanto, o maior valor de “Em Busca da Terra do Nunca” reside no fato de que ele é o representante máximo da magia do cinema e do fascínio que ele exerce em todos nós.


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Kamila Azevedo

Jornalista e Publicitária



Comentários


Gosto muito desse filme também. É de fato muito bonito, e é muito bem feita a forma como ele trabalha o mito de Peter Pan e aquilo que o teria inspirado. A cena final é uma das mais belas e emocionantes.

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Amanda, também gosto de “Em Busca da Terra do Nunca”. Acho um filme muito bonito e emocionante, especialmente nessa cena final que você cita e que me comoveu muito!

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é realmente um filme muito bonito. Me emocionei tanto a primeira vez que assisti que comprei o DVD, que chegar o CD já esta arranhado de tanto que eu assisto. E realmente a cena final é emocionante, a cada vez que assisto desperta em mim uma nova emoção, sentimentos que somente J. M. Barrie consegue extrair de nós.

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Ângelo, eu também me emocionei muito quando assisti pela primeira vez a este filme e também tenho o DVD. A cena final sempre acaba comigo.

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