Allan Kardec: Um Olhar para a Eternidade*

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Hippolyte Léon Denizard Rivail. Se você ouvir falar neste nome, provavelmente, não vai saber de quem se trata. Porém, se mencionarmos a alcunha Allan Kardec, com certeza, você vai saber sobre quem estamos comentando. Foi esse o pseudônimo que Hippolyte adotou a partir do momento em que se transformou no codificador, no sistematizador e no propagador da Doutrina Espírita, no século XIX, na Europa. Acompanhar o processo de transformação de Hippolyte em Allan Kardec, de uma certa maneira, é o objetivo da peça teatral “Allan Kardec: Um Olhar para a Eternidade”, dirigido pela atriz (e espírita) Ana Rosa.

Em cerca de uma hora e meia de espetáculo, “Allan Kardec: Um Olhar para a Eternidade” mostra para a plateia alguns dos encontros e fatos mais marcantes da vida do chamado pai da Doutrina Espírita. Desde a sua juventude, quando ele foi enviado pela família para fazer seus estudos na Escola de Pestalozzi; até o momento em que ele retornou a Paris para dar prosseguimento aos seus trabalhos pedagógicos e acadêmicos; terminando, enfim, com o exercício da difícil missão a qual ele foi chamado a cumprir: divulgar a Doutrina Espírita.

O lado importante de “Allan Kardec: Um Olhar para a Eternidade” é a forma como o espetáculo mostra como Hippolyte estava sendo, praticamente, predestinado ao caminho que acabou seguindo – apesar de sua origem católica e do seu ceticismo inicial diante do fenômeno das mesas girantes – de forma que, quando o encontramos no ato final da peça, Allan Kardec se revela um homem forte nos princípios em que acredita e pronto para enfrentar as dificuldades de sua missão, uma vez que a Doutrina Espírita foi muito contestada, principalmente após a publicação de “O Livro dos Espíritos”, bem como das outras obras que fazem parte da codificação do espiritismo, na Europa.

“Allan Kardec: Um Olhar para a Eternidade” tem um formato narrativo muito interessante. Os momentos e encontros que eles consideram como os mais marcantes da vida de Allan Kardec são introduzidos para nós, da plateia, por meio das intervenções dos atores, em passagens de tempo e espaço que são muito dinâmicas. Por falar no elenco da peça, junto com a bonita mensagem contida no texto escrito por Paulo Afonso de Lima, eles são o grande destaque do espetáculo. Está visível em cada cena da peça o grande trabalho também desenvolvido por Ana Rosa na direção dos atores. Parece que esse grupo foi escolhido a dedo, pois está estampado na emoção deles ao final do espetáculo o quão envolvidos todos eles estão com essa história. E isso acaba passando de uma forma positiva para o público, que também se envolve da mesma forma que eles com o relato da vida e obra de Allan Kardec.

Allan Kardec: Um Olhar para a Eternidade (2012)
Texto: Paulo Afonso de Lima
Direção: Ana Rosa
Elenco: Rogério Fabiano, Anja Bittencourt, Érica Collares, Marcelo Alonso, Leandro D'Melo

*Peça vista no Teatro Riachuelo, em Natal-RN, no dia 01 de Setembro de 2013.

3 comments

  1. Gutemberg 12 janeiro, 2017 at 15:03 Responder

    Os atores são maravilhosos, valorizam o texto, tornando o espetáculo bastante agradável. A Direção de Ana Rosa é segura e competente. Recomendo!!!

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