A Menina que Roubava Livros

Baseado no aclamado best-seller mundial escrito pelo austríaco Markus Zusak, “A Menina que Roubava Livros” se passa durante a II Guerra Mundial, na Alemanha, e descreve o relacionamento de uma jovem garota com seus pais adotivos, com os seus vizinhos e com um jovem judeu que é escondido pelos seus pais adotivos no sótão da residência em que a família vive. A adaptação cinematográfica dirigida por Brian Percival mantém a mesma essência da sinopse do livro escrito por Zusak.

De uma certa maneira, “A Menina que Roubava Livros” tem um viés parecido com um outro filme que também se passa durante a II Guerra Mundial: “O Leitor”, de Stephen Daldry. Ambas as obras possuem como personagens principais duas pessoas bem solitárias, que não deixam os outros se aproximarem delas, que possuem dificuldades de leitura e que, curiosamente, encontram nos livros a saída para um mundo diferente que elas não conheciam, para a conexão com outras pessoas que vão se tornar extremamente importantes para elas e que vão ajudar no processo delas de amadurecimento e de crescimento, num período histórico altamente complicado e que dificultava justamente o espaço para o nascimento de um pensamento próprio - uma vez que as pessoas eram praticamente levadas a pensar o que o regime nazista gostaria que elas tivessem em mente.

Por isso mesmo, um dos lados mais interessantes em “A Menina que Roubava Livros” é que a obra oferece um ponto de vista diferente sobre um acontecimento histórico tão bem explorado pelas diversas formas de arte, como a II Guerra Mundial. Entretanto, reconhecemos em Liesel Meminger (Sophie Nélisse), sua personagem principal, não só traços de Hanna Schmitz (a personagem que Kate Winslet interpretou em “O Leitor”), como também de Anne Frank, jovem autora de um dos livros mais contundentes sobre o Nazismo na Alemanha da II Guerra Mundial - “O Diário de Anne Frank”.

Fica difícil avaliar uma adaptação de um livro que não tive a oportunidade de ler, mas a sensação que ficou em mim ao assistir ao filme “A Menina que Roubava Livros” foi a de que ficou faltando alguma coisa durante a transposição da narrativa literária para a cinematográfica feita pelo roteirista Michael Petroni. O trabalho de Brian Percival como diretor foi muito bem feito, com a ênfase no cuidado com a reconstituição de época (notadamente com a direção de arte, os figurinos e a fotografia), e com a linda trilha sonora composta pelo lendário John Williams. Porém, a história do filme, por mais que tenha alguns momentos verdadeiramente emocionantes (como o reencontro entre Liesel e Max, por exemplo), nunca decola e nunca envolve o espectador por completo. O que é uma pena, especialmente se tratando do legado que o livro de Markus Zusak possui.

7 comments

  1. Pablo 18 fevereiro, 2014 at 01:43 Responder

    Kamila, estou lendo o livro agora e aproveitei a oportunidade para assistir o filme antes de terminá-lo. Fiquei com a mesma sensação sua, o filme não decola. A história do livro é tão bem feita e narrada, e na transposição para a tela grande, relegaram ao segundo plano o personagem principal do livro, A Morte, que é quem conta a história.
    Fiquei bastante decepcionado com o filme, pois eles tinham uma grande história para contar, e tiraram boas partes da história, mudaram outras e subtraíram algumas que ajudam a entender o passado de Max e de Hans, e o porque de Max procurar a casa de Hans para se refugiar durante a guerra.
    Mais uma adaptação que tinha tudo para dar certo, mas que acabou decepcionando não só quem leu o livro, mas quem não conhece a história.

  2. Amanda Aouad 19 fevereiro, 2014 at 16:39 Responder

    Faltou o narrador, rs. Quer dizer, ele está lá, mas perde a força que tem no livro, muda o viés da coisa. De qualquer maneira, eu acho que ficou digno, gerando um filme interessante, ainda que não maravilhoso e com potencial para muito mais. Não me decepcionei tanto quanto o Pablo aí em cima.

    • Kamila Azevedo 20 fevereiro, 2014 at 00:05 Responder

      Pablo, pois é. Eu não entendi o propósito da existência do narrador, por exemplo.

      Amanda, como disse ao Pablo, não entendi a presença do narrador no filme. Eu não diria que fiquei decepcionada com o filme, mas fiquei sem me envolver demais com a história, pois faltou esse algo mais.

  3. Reinaldo Glioche 20 fevereiro, 2014 at 01:43 Responder

    Não li o livro, nem vi o filme, mas gostei da sua aproximação de “O leitor”. De qualquer maneira, esse sentimento de que “faltou algo” me parece dominante na percepção majoritária sobre o filme.

  4. Paulo Ricardo 20 fevereiro, 2014 at 16:11 Responder

    Eu li o livro e imaginava um tom de fantasia um pouco de “O Labirinto do Fauno”,no meu imaginário Rosa seria interpretada por Tilda Swinton e Hans por Jackie Earle Haley.Um livro muito bonito e uma deliciosa leitura.Vou conferir o “livro filmado”.

  5. Clóvis Tayllon 20 fevereiro, 2014 at 23:46 Responder

    Estou lendo a obra original há mais de um mês e a história ainda não decolou. O autor tentar emocionar com algumas passagens aqui e ali, mas até agora tem sido uma experiência fria, vazia e bastante entediante. Quando terminar de lê-lo, assistirei ao filme e volto aqui pra expor as minhas conclusões.

    Abs.

    • Kamila Azevedo 25 fevereiro, 2014 at 01:29 Responder

      Reinaldo, pois é.

      Paulo, depois, fale sobre a sua visão de quem leu o livro.

      Clóvis, não li o livro e nem fiquei curiosa para ler depois de assistir ao filme, para ser bem sincera.

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