A Mentira

Existe um famoso ditado popular que afirma o seguinte: “a mentira tem perna curta”. Isso não parece se aplicar à Olive (Emma Stone), personagem principal do filme “A Mentira”, dirigido por Will Gluck. No roteiro escrito por Bert V. Royal acompanhamos a jornada de Olive na medida em que ela se transforma de uma aluna comum, quase invisível no ambiente cruel que é o colegial, em uma das alunas mais populares do colégio - não pelos melhores motivos, e sim pela descoberta dos seus colegas daquilo que eles acreditam serem as proezas amorosas e sexuais da nossa personagem principal.

Tal premissa é muito condizente com o conflito principal de uma fase tão importante quanto a adolescência, momento em que só queremos ser aceitos pelos colegas - e, para isso acontecer, como comprova a jornada vivida por Olive, muitas vezes vemos as pessoas se transformando em algo que elas não são, de forma a serem bem-vindas no grupo ou obterem um lugar de destaque no ambiente em que estão inseridos. No caso particular de Olive, uma coisa a ser notada é que a mentira dela não só não tem pernas curtas como só vai ficando cada vez maior, especialmente a partir do momento em que ela decide jogar pra valer o jogo em que ela mesma se colocou.

Um dos elementos mais inteligentes em “A Mentira” é a analogia que o filme faz entre a situação vivida por Olive e a trama do livro “A Letra Escarlate”, obra escrita por Nathaniel Hawthorne, que se passa numa rígida comunidade, no século XVII, e fala sobre uma mulher que vive uma relação adúltera que gera uma criança ilegítima e é obrigada a andar sempre com a letra “A" de adúltera bordada em suas roupas. Como uma Hester Prynne dos tempos modernos, Olive também se veste com a letra “A" bordada em suas roupas, mas não por ser adúltera, e sim como uma forma de protesto contra a celeuma e o julgamento que o seu alegado comportamento causa entre os seus colegas, professores, orientadores e diretores.

Lançado em 2010, “A Mentira” foi a primeira grande oportunidade que Emma Stone teve em sua carreira - após a sua estreia em “Superbad - É Hoje!”, filme de Greg Mottola. E ela aproveitou e agarrou a chance com unhas e dentes. Aparecendo em quase todas as cenas, Stone encarou com louvor a responsabilidade de carregar o filme em suas costas. Ela é o grande destaque de “A Mentira”, com uma performance honesta e irônica nos momentos certos e que, merecidamente, rendeu-lhe uma indicação ao Globo de Ouro 2011 de Melhor Atriz num Filme de Comédia/Musical.

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