Bling Ring: A Gangue de Hollywood

Hollywood é a terra do luxo e dos sonhos. Desde a era do star system – método de criar, promover e explorar as estrelas de cinema, com um ênfase total na construção de uma imagem impecável dos atores e atrizes, muitas vezes de forma a esconder escândalos que fossem prejudicá-los – que existe uma cultura muito forte de idolatria às celebridades. Com a popularização de figuras como os paparazzi (que ganham a vida ao flagrarem os artistas em seus momentos mais íntimos e comprometedores) e, mais ainda, com o advento da Internet (meio de comunicação em que a informação se propaga de forma avassaladora), isso virou um fenômeno cultural ainda mais forte.

Reality shows como “The Hills”, “The Real Housewives of Beverly Hills” (ou Atlanta ou New Jersey) e “Keeping Up With the Kardashians” e a popularização de personalidades como Nicole Richie, Audrina Patridge, Nicky Hilton, Heidi Montag, Paris Hilton, Kim Kardashian, Khloe Kardashian e Kourtney Kardashian causam uma influência muito grande especialmente no público jovem, que olham para essas garotas como modelos a serem seguidos e é o estilo de vida luxuoso e esbanjador que elas vivem que todos aspiram ter para si próprios.

São os efeitos desta realidade que “Bling Ring – A Gangue de Hollywood”, filme dirigido e escrito por Sofia Coppola, mostra. Baseado no artigo “The Suspects Wore Loubotins”, publicado na revista Vanity Fair, o longa fala a respeito de uma gangue formada por jovens de classe média alta habitantes de Los Angeles e que, no período de Outubro de 2008 a Agosto de 2009, foi responsável por uma série de roubos a casas de celebridades que resultaram em quase $ 3 milhões de dólares de prejuízos aos ricos e famosos.

A visão de Sofia Coppola para esses jovens – Rebecca (Katie Chang), Marc (Israel Broussard), Nicki (Emma Watson), Chloe (Claire Julien) e Sam (Taissa Farmiga) – é muito clara: fascinados por essas personalidades e pelo estilo de vida que eles levavam, o grupo de adolescentes praticou todos esses roubos por uma simples razão: para financiarem o seu próprio estilo de vida sonhado, de forma a se parecerem um pouco com todas essas pessoas que eles admiravam.

Em alguns momentos, “Bling Ring – A Gangue de Hollywood” chega a ser lamentável de se ver. Se Sofia Coppola consegue enxergar com perfeição o vazio e a inconsequência de uma geração jovem atual, ela não mostra o mesmo cuidado com a forma como estrutura seu filme. As cenas são redundantes e a maneira como ela conduz o seu ato final, especialmente, desperdiça o potencial reflexivo que esse longa teria caso fosse bem dirigido. Sofia transforma “Bling Ring – A Gangue de Hollywood” em uma obra tão vazia quanto as suas personagens. Não dá nem para ter pena desses pobres meninos ricos, com suas realidades ocas e forjadas. Está na hora de Sofia Coppola parar de se repetir e de tentar novos ares, longe dos seus fantasmas hollywoodianos – como filha de uma das grandes lendas do cinema.

8 comments

  1. Matheus Pannebecker 17 maio, 2014 at 01:05 Responder

    Kamila, tivemos as MESMAS impressões quanto a esse filme. Tão vazio quanto os personagens, redundante e apressadíssimo no final, desperdiçando uma bela chance de ser devidamente reflexivo. Impressionante como a Coppola vem decepcionando cada vez mais filme após filme. Muito me estranha como o povo massacrou “Um Lugar Qualquer” mas caiu na farsa que é esse “Bling Ring”. Bom saber que não estou sozinho!

    • Kamila Azevedo 17 maio, 2014 at 01:07 Responder

      Matheus, para mim, a Sofia Coppola é um verdadeiro engodo. O único filme que ela fez que eu realmente gosto é “Maria Antonieta”. O resto pode jogar fora. Para mim, “Um Lugar Qualquer” e “Bling Ring” possuem os mesmos defeitos: os filmes são vazios demais…

  2. Paulo Ricardo 17 maio, 2014 at 22:31 Responder

    Kamila eu discordo da sua crítica.A personagem Nicki ( que aliás existe na vida real) é vítima das cobranças de sua mãe(interpretada muito bem por Leslie Mann) e a obrigada a tomar antidepressivo e glorificar Angelina Jolie.Nicki é rica,fútil,mas sua mãe tem,vive confortavelmente em Los Angeles e a unica coisa que faz da vida é comprar roupas.Em um momento quando ela passa batom em frente ao espelho ela diz para suas amigas “quero roubar Paris”,como se fosse algo normal,corriqueiro e Coppola filma com aquela distância,evitando qualquer julgamento.Sobre o ato final que você não gosta eu vejo por dois lados:Marc vai preso pela sua condição financeira e a cena que ele percorre o presídio de ônibus é lenta para demonstrar as consequencias dos seus atos,enquanto Niccki aproveita o escandalo para fazer daquilo um “reality show”(observe a vestimenta dela no tribunal).Um filme necessário e que diz muito sobre a mentalidade da juventude atual(que adora idolatrar celebridades).

    • Kamila Azevedo 17 maio, 2014 at 23:36 Responder

      Paulo, sinta-se à vontade para discordar. Sei que a Nicki é baseada num personagem real, assim como os outros do filme – uma vez que a história em si é baseado em algo que aconteceu de verdade. Mas, não acho que ela seja vítima das cobranças de sua mãe. Não existem vítimas nessa história. Todos esses jovens fizeram os roubos porque quiseram. Seja por causa do fascínio pelo estilo de vida das celebridades, seja pela vontade de financiar seus luxos. Todos tinham consciência do que faziam. Não passo a mão na cabeça de ninguém ali. Nem acho que seja um filme necessário. O filme, em si, é muito ruim!

  3. Fabrício 19 maio, 2014 at 16:35 Responder

    Oi Kamila, fiquei surpreso em saber que você não gosta dos filmes da Sofia Coppola, e respeito e acho válido a sua posição. Mas confesso que gosto muito dos filmes da Sofia, e você tem razão em informar que a diretora sempre bate na mesma tecla no temas dos seus filmes – ela precisa, como artista, sair da sua zona de conforto. Já sobre Bling Ring, eu gostei muito e não esperava pelo ritmo ágil – considero até o seu filme mais comercial e acessível.

  4. Hugo 21 maio, 2014 at 22:14 Responder

    Considero que a trama e a narrativa seguem razoáveis na primeira hora, porém na parte final se torna um drama raso. O filme vale apenas como registro de uma geração de pobres jovens ricos, que tem muito dinheiro e pouco caráter.

    Abraço

Deixe uma resposta