O Lugar Onde Tudo Termina

publicado em:21/05/14 1:26 AM por: Kamila Azevedo DVD

A nossa vida é o resultado de uma série de encontros e desencontros. Porém, principalmente, tudo aquilo que somos, além de remontar às nossas origens, é a soma direta das nossas ações e omissões, que, por sua vez, são os fatores primordiais por trás do sentimento de felicidade e de infelicidade que nos cerca. “O Lugar Onde Tudo Termina”, título poético do filme dirigido e co-escrito por Derek Cianfrance, fala, basicamente, sobre isso, tendo como pano de fundo a relação que se estabelece entre pai e filho.

Para tentar compreender o filme, é importante que a gente separe os seus diversos núcleos narrativos. Luke (Ryan Gosling, que trabalhou com Cianfrance em “Namorados para Sempre”) é um motociclista  exímio e misterioso, que trabalha numa espécie de espetáculo itinerante de globos da morte. Como ele não tem raízes fixas, seus relacionamentos são fugazes. De alguma maneira, Romina (Eva Mendes), uma dessas garotas com as quais ele se relacionou, é uma pessoa marcante para ele. A necessidade que ele tem de se reaproximar dela se torna ainda mais vital depois que ele descobre que ela deu à luz a um filho dele.

Por outro lado, para fugir da sombra do pai (Harris Yulin), um juiz muito importante, Avery Cross (Bradley Cooper), apesar de também ter se formado em Direito, decidiu seguir um caminho totalmente oposto e trabalhar como policial militar numa cidade do interior do Estado de Nova York. É lá que ele estabeleceu seu lar com a esposa (Rose Byrne) e o filho A.J. É lá que ele vive uma rotina muito tranquila, exercendo sua função com coragem e honestidade, tentando firmar a sua própria identidade.

Está claro em “O Lugar Onde Tudo Termina” que esses personagens têm um problema grande de referência masculina em suas vidas. Se Luke tenta colocar a sua vida nos eixos ao tentar ser um pai capaz, com a ajuda (mesmo que equivocada) de Robin (Ben Mendelsohn); vemos Avery em uma trajetória contrária que o coloca de reencontro ao que o pai dele representa como homem e como profissional. Os caminhos de Luke e Avery se cruzam quando o primeiro se torna um assaltante de bancos e começa a agir na área em que o segundo atua.

Por esta razão, a sensação que “O Lugar Onde Tudo Termina” nos passa é a de que estamos assistindo a três filmes dentro de um só. A história de Luke, a história de Avery e, posteriormente, a história dos dois filhos deles – que, curiosamente, lidam com a mesma questão de referência masculina que seus pais. É um filme que, por meio dessa jornada, tenta completar um ciclo, nos mostrando que, na vida, nada, nada mesmo é por acaso. Tudo tem um motivo para acontecer. Mesmo que, no caso do filme dirigido e co-escrito por Derek Cianfrance, isso nem sempre funcione bem.


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Kamila Azevedo

Jornalista e Publicitária



Comentários


SPOILERS!

Kamila sua crítica foi precisa e exata. “Por esta razão, a sensação que “O Lugar Onde Tudo Termina” nos passa é a de que estamos assistindo a três filmes dentro de um só”-“Para tentar compreender o filme, é importante que a gente separe os seus diversos núcleos narrativos” e concordo com o Celo Silva que o terceiro ato é fraco.Mas o filme tem qualidades,apenas um final que parece “novela” na qual os filhos de Avery (Bradley Cooper) e Luke (Ryan Gosling) se encontram.Me pareceu forçado.Quando Avery atira em Luke e mata o filme parece que se divide e pula pra outra história,poderia ter feito o que Inãrritü fez muito bem em “21 Gramas” que narra a história de três pessoas fora de ordem.Kamila,eu gosto muito da fotografia desse filme,e as atuações do trio Gosling,Mendes e Cooper.Bradley Cooper esta melhor aqui do que em “Trapaça”.Mas “O Lugar Onde Tudo Termina” tem suas qualidades e se foi esquecido das principais premiações ao menos foi lembrado pelo conceituado National Board.

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Celo, sim, o terceiro ato é muito fraco.

Paulo, obrigada! Achei o ato final muito previsível. Dava para saber que o filme seguiria aquele caminho. Talvez, se fosse uma narrativa sem ordem cronológica, resultasse num filme melhor. A fotografia desse filme é muito boa mesmo. Gostei das atuações também!

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