Transcendence: A Revolução

Para a filosofia, transcendente é algo que transcende a nossa própria consciência, permitindo, desta forma, que a nossa mente constitua objetos para nos fazer experimentá-los como objetos em primeiro lugar, da maneira como eles foram concebidos. Para o Dr. Will Caster (Johnny Depp), personagem principal de “Transcendence: A Revolução”, filme dirigido por Wally Pfister, o conceito de transcendência está diretamente relacionado com a inteligência artificial, na medida em que uma máquina tem o poder de, por meio de sua capacidade analítica, superar qualquer inteligência coletiva na sua forma humana em qualquer tempo da nossa história.

É uma premissa complexa, mas é a essa discussão que o filme se dedica em seus 119 minutos de duração, fazendo aquelas típicas concessões aos clichês hollywoodianos de forma a atrair uma plateia o mais diversa possível. “Transcendence: A Revolução” faz uma reflexão em cima de uma questão bastante conhecida no universo do gênero de ficção científica: a do uso da tecnologia pelo homem, especialmente nos seus limites éticos.

Entretanto, a uma discussão muito batida, “Transcendence: A Revolução” acrescenta elementos novos, como a existência de um grupo extremista (liderado pela personagem interpretada por Kate Mara) que luta contra os avanços tecnológicos utilizando, muitas vezes, táticas de guerrilha; e as pitadas de uma história de amor que é determinante para os acontecimentos principais vistos no filme, uma vez que é a impossibilidade de imaginar uma vida sem o ser amado que faz com que Evelyn Caster (Rebecca Hall) transforme a sua própria vida num grande experimento, em que ela é a prisioneira dos caminhos que escolheu.

Porém, existe algo mais importante na trama de “Transcendence: A Revolução” e é a isso que o filme se prende. A abordagem da dualidade entre o lado bom e ruim da inteligência artificial poderosa resultante da mente do Dr. Will Caster passa pela sua finalidade principal ao se perpetuar na rede, influenciando e modificando as vidas das pessoas com as quais entra em contato. Se o uso da tecnologia, de forma responsável e ética, tem o poder de mudar o mundo, por que não fazê-lo, como um grande - e verdadeiro - ato de amor?

“Transcendence: A Revolução” marca a estreia de Wally Pfister como diretor. Está claro que a sua maior influência foi o diretor Christopher Nolan, com quem ele teve a oportunidade de trabalhar em sete filmes. Pfister faz de seu filme um longa que é uma verdadeira peça de quebra-cabeças, com o (bom) uso da trilha sonora como suporte para os momentos de maior intensidade e que, seguindo a linha de “A Origem”, usa o amor como a força motriz para os conflitos principais de seus protagonistas. O problema é que, ao contrário de Christopher Nolan, que consegue sofisticar até o que é relativamente simples; Pfister não consegue “complicar” e intrigar, na medida em que o roteiro de Jack Plagen tem alguns buracos que ficam sem preenchimento.

9 comments

  1. Paulo Ricardo 1 julho, 2014 at 02:27 Responder

    Eu não vou ao cinema desde do ínicio da Copa(o último filme que eu assisti foi “A Culpa é das Estrelas”) e a fase de Johnny Depp me desanima:”O Turista”,”Sombras da Noite” e o decepcionante “O Cavaleiro Solitário”,no meio desses três temos um bom filme “Diário de um Jornalista Bêbado”,mas sinto falta de personagens como Sweeney Todd e John Dillinger.Aguardo o lançamento em DVD.

    • Kamila Azevedo 2 julho, 2014 at 00:04 Responder

      Reinaldo, pois é! Mas, disso eu já suspeitava. Nem precisava assistir a esse filme. rsrsrsrrs Obrigada!

      Paulo, Johnny Depp, realmente, teve uma queda em sua carreira. Acho que o grande problema foi que ele se transformou em uma caricatura de si mesmo.

  2. Amanda Aouad 2 julho, 2014 at 17:48 Responder

    É uma pena que uma premissa interessante tenha se perdido em meio a um roteiro confuso e outros probleminhas. Mas, realmente, o filme não é de todo ruim como muitos estão dizendo.

  3. Ravenna 7 julho, 2014 at 22:41 Responder

    Achei o filme maravilhoso. Se observado sob a ótica do budismo, assim como Matrix, é uma grande reflexão em relação a forma como vivemos o individualismo e como tememos perder esta individualidade mesmo que em nome de algo maior, mas como este “maior” nos é desconhecido, tememos e nos recusamos a fazer parte, embora o lugar onde nos encontramos não nos sirva mais.
    O que o personagem o cientista alcança é uma “iluminação” através da tecnologia.

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