Aqui é o Meu Lugar

publicado em:5/08/14 1:12 AM por: Kamila Azevedo DVD

“Aqui é o Meu Lugar”, filme dirigido e co-escrito por Paolo Sorrentino, é uma obra que chega a enganar o espectador, especialmente no seu primeiro ato. Nele, acompanhamos o desenho da rotina de Cheyenne (Sean Penn), um ex-astro do rock, com um visual que se assemelha muito ao de Robert Smith, líder do grupo inglês The Cure. Aos 50 anos, ele perambula pela cidade onde fixou residência, como se fosse uma espécie de Ozzy Osbourne (alguém cujos excessos lhe causaram um estado de aparente demência e lentidão de raciocínio). Mas, algo ali está bem aparente para a plateia: o desejo que Cheyenne possui de ajudar os outros – seja nos seus relacionamentos amorosos ou nos seus problemas mais íntimos.

É essa essência do personagem principal que faz com que a gente, de uma certa maneira, não se surpreenda com o grande ponto de virada da trama de “Aqui é o Meu Lugar”: após a morte repentina de seu pai, com quem ele não falava há muitos anos, Cheyenne assume como sua missão aquilo que era a verdadeira obsessão de seu pai: encontrar e se vingar de um oficial alemão nazista que havia humilhado-o profundamente num campo de concentração durante a II Guerra Mundial.

Desta maneira, “Aqui é o Meu Lugar” nada mais é do que um road movie na melhor acepção do gênero. A grande jornada de Cheyenne, durante o filme, é a que o leva rumo a um processo de auto descoberta, por meio do encontro com a intimidade do seu próprio pai, em que ele poderá se livrar daquilo que, um dia, ele foi; de forma a poder seguir em frente com aquilo que o futuro lhe reserva. Desta maneira, o grande destaque do longa acaba sendo a atuação de Sean Penn, especialmente no retrato das transformações pelas quais Cheyenne passa – o que acaba atenuando alguns furos que o roteiro escrito por Paolo Sorrentino e Umberto Contarello deixam sem respostas aparentes.



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Kamila Azevedo

Jornalista e Publicitária



Comentários


Eu não gosto muito do cinema de Paolo Sorrentino e não acho “A Grande Beleza” essa cocada toda,em um ano que tivemos “Azul é a cor Mais Quente” e ” A Caça” é dificil aceitar a estatueta de filme estrangeiro.”Aqui é o Meu Lugar” tem um roteiro bem fraco(muitas vezes implausível),um final sem muito sentido e Sean Penn não esta no seu melhor(estamos falando de um dos melhores atores do cinema americano e como fã dele eu espero sempre o melhor).O filme não me envolveu e o cinema de Sorrentino tem aquela “plasticidade gratuita” de belas imagens,como em “A Grande Beleza” que ele tenta evocar Fellini,mas soa como uma cópia pirata.Eu sei que o diretor tem fãs e vive um grande momento,mas pra mim não dá.

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Paulo, esse foi o primeiro filme do Paolo Sorrentino que eu assisti. Entendo quem reclama da vitória de “A Grande Beleza” na última temporada de premiações, especialmente levando-se em consideração os concorrentes da obra. O roteiro de “Aqui é o meu lugar”, pra mim, foi o grande problema do longa. Gostei muito da atuação do Sean Penn, no entanto!

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