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Planeta dos Macacos: O Confronto

Planeta dos Macacos: A Origem”, filme dirigido por Rupert Wyatt, tinha um roteiro que trabalhava diretamente com as similaridades entre o homem e o macaco, na medida em que também enfocava as diferenças entre as duas espécies, principalmente no que dizia respeito aos instintos de defesa animais e a agressividade que são comuns aos dois seres. De uma certa maneira, esse continua sendo o cerne por trás da sequência do filme: “Planeta dos Macacos: O Confronto”, dirigido com segurança e competência por Matt Reeves.

A trama do longa se passa num mundo pós-apocalíptico, em que a espécie humana foi quase dizimada por causa de uma epidemia da chamada “gripe símia” e os poucos sobreviventes humanos vivem em condições inóspitas, sem energia elétrica e uma infra-estrutura que traga o mínimo de dignidade para eles. Enquanto isso, uma nação de primatas geneticamente modificados vivem de uma maneira completamente oposta a dos humanos: plenamente organizada e estruturada politicamente, tendo como eixo principal a figura de seu líder Ceasar (vivido por Andy Serkis).

Se, em “Planeta dos Macacos: A Origem”, os humanos precisavam dos macacos como cobaias de laboratório para a descoberta da cura de doenças; em “Planeta dos Macacos: O Confronto”, os humanos precisam adentrar o território seguro em que vivem os símios de forma a poderem tentar gerar a energia elétrica necessária para que eles tentem o contato com outros grupos de sobreviventes humanos e, quem sabe, possam ser resgatados dali para um local com condições melhores.

Com uma trégua pacífica entre as duas espécies ameaçada pela tensão natural advinda do relacionamento entre o homem e o macaco, temos o desenho de um grande conflito que leva estes dois lados a uma guerra, não só pela sobrevivência, como também pela dominação - especialmente territorial. Neste sentido, é importante prestar atenção à dualidade existente entre os dois personagens centrais desse filme: Ceasar e Malcolm (Jason Clarke), que possuem o equilíbrio necessário entre a compaixão humana e a racionalidade da análise de uma situação que os colocam na posição de liderança em que eles se encontram.

Sem dúvida alguma, assim como no primeiro filme, o roteiro de “Planeta dos Macacos: O Confronto” trata de questões um tanto inteligentes (que passam pela discussão ética e política) e que causam uma reflexão interessante na plateia. Além disso, o grande destaque da obra continua sendo o trabalho de composição dos símios, principalmente o de Ceasar, que confirma o status de Andy Serkis como o ator que melhor sabe trabalhar com a técnica de captura de performance que poderá modificar os rumos do cinema no quesito atuação.

8 comments

  1. Paulo Ricardo 8 agosto, 2014 at 11:10 Responder

    Que a AMPAS siga o mesmo caminho da SBBC e reconheça o trabalho de Andy Serkis com uma nomeação ao Oscar de ator coadjuvante.

    • Kamila Azevedo 10 agosto, 2014 at 23:59 Responder

      Paulo, enquanto a AMPAS manter o seu caráter tradicional, acho muito difícil o Serkis ser reconhecido, infelizmente, apesar de merecer.

  2. Amanda Aouad 12 agosto, 2014 at 04:04 Responder

    Com as atuações desse filme dava para criar uma categoria especial de atores com captura de movimento, rs, sendo Serkis o destaque principal, claro. Mas, todos os macacos passam uma emoção impressionante. Nick Thurston como Olhos Azuis mesmo está ótimo.

  3. Otávio Almeida 18 agosto, 2014 at 00:00 Responder

    Achei ainda melhor que o anterior, Kamila. Andy Serkis sensacional, mas o filme tem um belo roteiro e um embate político incomum e interessantissimo para esse tipo de filme. Digamos que é melhor que precisava. Ainda bem.

    Bjs

    • Kamila Azevedo 19 agosto, 2014 at 00:31 Responder

      Otavio, achei tão bom quanto o primeiro filme, especialmente por causa da discussão política e ética que o longa faz.

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