Lucy

publicado em:6/10/14 11:36 PM por: Kamila Azevedo Cinema

A primeira cena de “Lucy”, filme dirigido e escrito por Luc Besson, é sensacional e fundamental para o destino da personagem nos próximos 89 minutos de duração do longa. Estamos num país asiático, na porta de um luxuoso hotel. Neste lugar, Richard (Pilou Asbaek) tenta convencer Lucy (Scarlett Johansson, ótima) a entregar uma maleta, cujo conteúdo nos é desconhecido, a um cara chamado Mr. Jang (Min-sik Choi). A direção de Besson, nessa cena, é perfeita. A edição e o uso da trilha sonora nos mostram logo de cara: “isso não vai dar certo”. Lucy suspeita a mesma coisa. Mas, de uma maneira surreal, ela acaba parando, não só no quarto do Mr. Jang, como também sai de lá com um emprego que ela também não queria: como uma mula, ou seja, alguém cujo propósito é transportar drogas dentro de seu próprio estômago.

É a partir desse momento que a grande viagem que “Lucy” é começa. Na medida em que a personagem principal vai absorvendo as drogas que carrega em seu ventre, ela se transforma no caso concreto de uma trama que é desenvolvida em paralelo pelo roteiro de Luc Besson: a que enfoca a pesquisa desenvolvida pelo Professor Norman (Morgan Freeman), em que ele destrincha a capacidade que o cérebro humano possui, caso ele seja usado em todas as suas potencialidades – coisa que o ser humano, diga-se de passagem, não faz; uma vez que o professor defende a ideia de que o homem só utiliza 20% da capacidade de seu cérebro.

No cinema, especialmente no que diz respeito à divulgação das obras, é muito comum a gente ver a palavra “visionário”. Na maior parte das vezes, essa palavra é muito mal aplicada. Mas, esse não é, definitivamente, o caso de Luc Besson. O diretor e roteirista francês tem uma obra muito particular, com temas que são sempre mostrados de uma forma visualmente muito rica. Não foi diferente com “Lucy”, uma obra que chama a atenção em sua concepção visual – especialmente na direção de arte e na fotografia.

Entretanto, em “Lucy”, Luc Besson exagerou na sua vontade de enxergar o presente e o futuro, tudo ao mesmo tempo. Seu filme, apesar de ter uma ideia central muito interessante, acaba sendo atropelado por tudo que tenta antecipar e mostrar. Por isso mesmo, a sensação que nos passa é a de que falta uma coesão e coerência maior na construção do roteiro.



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Kamila Azevedo

Jornalista e Publicitária



Comentários


Concordo com a sua crítica e esse filme me decepcionou muito.Primeiro porque a Isabela Boscov exaltou a obra na revista VEJA e discordei totalmente dela.Nem em comparação aos recentes filmes coreanos “Lucy” se sustenta.E ano passado eu gostei muito de “A Familia” principalmente na homenagem a “Os Bons Companheiros” e “Lucy” é inferior a “O Profissional” que até aqui continua sendo o melhor trabalho de Besson.Filme sobre mula bom é “Maria Cheia de Graça”,esse aqui é um filme de ação com um roteiro bem fraco e uma inspirada Scarlett Johansson(acertou no Lynchiano “Sob a Pele”),o elenco é bom,temos o Morgan Freeman com aquele vozeirão de Cid Moreira e o “Oldboy” Min-sik Choi se divertindo no papel Mas eu não me envolvi com a “pseudo ciência” de Luc Beeson que não chega aos pés de um Christopher Nolan que abordou temas semelhantes em “A Origem” e se saiu bem melhor.Uma bobagem só é boa quando diverte.Não foi meu caso.

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Paulo, “Lucy” não me decepcionou, pois eu já assisti ao filme sem esperar muita coisa, devido ao que eu já havia lido sobre o longa. Concordo com você que uma bobagem só é boa quando diverte – o que não é o caso desse filme.

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