Um Final de Semana em Hyde Park

O título original de “Um Final de Semana em Hyde Park”, filme dirigido por Roger Michell, faz referência ao local onde Franklin Delano Roosevelt, o 32º presidente dos Estados Unidos, nasceu, passou boa parte de sua vida (incluindo o seu mandato presidencial) e no qual ele foi enterrado. A casa ficava localizada no campo, numa paisagem remota e que oferecia a ele toda a privacidade que, na medida do possível, o presidente de uma nação como a norte-americana poderia ter.

O roteiro do filme, escrito por Richard Nelson, como o nome bem diz, enfoca uma temporada em particular passada por Roosevelt (Bill Murray) no local, quando, em 1939, ele coordena uma visita do Rei George (Samuel West) e da Rainha Elizabeth (Olivia Colman), da Inglaterra, aos Estados Unidos, pois os monarcas tinham o interesse de pedir o apoio dos norte-americanos contra as forças nazistas, numa época em que já se vislumbrava o início da Segunda Guerra Mundial.

“Um Final de Semana em Hyde Park” enfoca muito as diferenças culturais entre os norte-americanos e os ingleses, por exemplo. O fato de que os norte-americanos possuem um senso de humor peculiar, que permite que eles riam de si mesmos; enquanto os ingleses se levam muito a sério e reviram os olhos para qualquer tentativa de tirarem sarro da cara deles. Nesse sentido, uma das melhores cenas do filme é aquela que mostra o Rei George saindo de toda a pompa e circunstância para comer um cachorro quente oferecido pelo presidente Roosevelt durante um churrasco em sua homenagem.

Se ficasse com essa crônica leve e descompromissada sobre um momento político bastante perturbador e incerto, “Um Final de Semana em Hyde Park” seria um filme muito interessante. Mas, a obra acaba perdendo muito o seu foco quando insere em primeiro plano as aventuras amorosas extraconjugais de Franklin Delano Roosevelt. Isso acaba tirando o cerne daquilo que a obra tem de melhor: o embate entre o cinismo inglês e a soberba norte-americana.

3 comments

  1. Paulo Ricardo 4 novembro, 2014 at 12:47 Responder

    Primeiro eu sou fã de Bill Murray.É o meu “ator cult” de filmes como “Feitiço do Tempo”,o ator em decadência em “Encontros e Desencontros” ou o playboy que olha pro passado em “Flores Partidas” de Jim Jarmusch,Até quando Murray interpreta a sim mesmo ele é bom,como em “Zumbilândia” ou quando perde o trem em “Viajem a Darjeeling.Aliás Wes Anderson e Sofia Coppola sabem usar o talento desse ator que até alguns anos atrás era um comediante que precisava fazer drama para ser reconhecido(a gnt sabe como isso é complicado,Robin Williams soube fazer isso muito bem) .Um papel de Murray que eu gosto muito é do agente funerário de “Segredos de Um Funeral” com uma das melhores atuações da carreira de Robert Duvall,um filme que por sinal foi pouco visto. “Um Final de Semana em Hyde Park” foi lançado como o filme que daria o Oscar para Bill Murray,mas depois de uma passagem morna por Toronto o filme foi perdendo força,esquecido…até ficar com uma nomeação de melhor ator comedia no Golden Globe.E olha a sua crítica resume muito bem os pontos fracos da obra.Ao se concentrar nos relacionamentos do ex presidente o filme perde toda sua força,mas vale ressaltar que Laura Linney está ótima(Olha Kamila,pra mim ela e Julianne Moore são as eternas esquecidas da acadêmia).Eu prefiro o Bill Murray dos filmes citados acima do que como o presidente Roosevelt e esse ano ele está de novo cotado para a temporada de premiações por “St.Vincent”,mas o Érico Borgo do omelete conferiu o filme em toronto e não gostou muito.Pressinto que “St.Vincent” terá o mesmo destino de “Um Final de Semana em Hyde Pak”.

    • Kamila Azevedo 4 novembro, 2014 at 23:53 Responder

      Paulo, não sou a maior fã do Bill Murray. Mas reconheço o talento e a capacidade dele como ator. Laura Linney está ótima aqui, mas a storyline dela é a que faz esse filme ficar fraco, pois ele perde o foco por completo.

      Amanda, tente conferir, sim. Ele está disponível no Netflix.

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