Uma Viagem Extraordinária

As crianças chamam a nossa atenção pelo seu caráter genuíno. Elas são sinceras ao extremo e, mais do que tudo, possuem uma enorme criatividade - para não dizer imaginação fértil. T.S. Spivet (Kyle Catlett), protagonista de “Uma Viagem Extraordinária”, filme dirigido e co-escrito pelo francês Jean-Pierre Jeunet, tem tudo isso e muito mais: uma inteligência incrível e que nos faz perceber logo de cara que a pequena fazenda em que ele mora no Estado de Montana (Estados Unidos), com a sua família, será um lugar muito pequeno para ele, em breve.

Apaixonado por cartografia e dado a fazer inventos, T.S. Spivet, aos 10 anos, cria uma máquina que representa o movimento permanente e acaba ganhando um prestigiado prêmio científico oferecido pelo Smithsonian Museum, o maior complexo de pesquisa e de museus dos Estados Unidos. É aqui que tem início à viagem extraordinária a qual o título nacional do filme faz referência, pois Spivet tem que dar um jeito de chegar até a cidade de Washington para receber o seu prêmio.

Nesse ponto, é importante fazer um adendo: T.S. Spivet viaja sozinho, clandestinamente, dentro de um vagão de um trem, pois é muito diferente dos outros integrantes de sua família. Dono de uma personalidade retraída e ainda carregando um sentimento de culpa pela morte do irmão gêmeo, ele não sente confiança suficiente para dividir o que sente de bom e de ruim, nem a notícia do grande prêmio que ele conquistou, com a sua mãe (Helena Bonham Carter), nem com o pai (Callum Keith Rennie) e muito menos com a irmã Gracie (Niamh Wilson).

Portanto, “Uma Viagem Extraordinária” nada mais é do que um road movie infantil, mas com a mesma essência que permeia as obras desse gênero, na medida em que a jornada na qual T.S. Spivet vai embarcar, além de ajudá-lo a entrar em termos com tudo aquilo que ele sente, vai fazer com que ele ganhe toda a compreensão da sua família. O mais interessante nisso tudo é perceber que, mesmo fugindo um pouco dos temas principais que suas obras geralmente abordam, o diretor francês Jean-Pierre Jeunet manteve a marca do seu cinema aqui, uma vez que a viagem de T.S. Spivet é mais que extraordinária. É fantástica e permeada de todos aqueles elementos que fazem dele aquilo que ele é: alguém criativo, diferente e que se deixa levar por todo o seu pensamento.

6 comments

  1. Paulo Ricardo 22 novembro, 2014 at 05:17 Responder

    Eu comecei assistir esse filme,mas tive problemas na exibição por conta das legendas.A abertura com um livro infantil Pop Up e a narração do protagonista com a imagem de um lindo campo.Vou conferir “Uma Viagem Extraordinária”.Do Jean Pierre Jeunet eu gosto muito de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” que é um dos melhores filmes da década passada,”Micmacs” tinha um visual muito bacana e “Eterno Amor” esta “mofando” na minha coleção e eu ainda não conferi.Estou curioso pra conhecer esse trabalho em lingua inglesa de Jeunet.

  2. bruno knott 22 novembro, 2014 at 12:14 Responder

    seu texto é mais um que leio que elogia bastante o filme! fiquei curioso, mesmo não sendo muito fã do jeunet. quer dizer, até gosto de amelie e eterno amor, mas ladrão de sonhos e delicatessen foram experiencias bem sem graça pra mim.

    • Kamila Azevedo 23 novembro, 2014 at 22:01 Responder

      Amanda, exatamente.

      Paulo, gosto do Jean-Pierre Jeunet. Acho ele um diretor de técnica primorosa e que sabe lidar muito com esse elemento fantástico que está presente na obra dele.

      Bruno, não assisti ainda a “Ladrão de Sonhos” e “Delicatessen”.

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