Os Piores do Ano

OSPIORES
Já fui uma cinéfila que seguia a seguinte máxima: assistir ao maior número de filmes possível, independentemente de sua qualidade; afinal, para reconhecer o que é bom e o que é ruim, temos que entrar em contato com aquilo que representa ambas as características. Porém, na medida em que os anos foram passando, as responsabilidades foram aumentando e o tempo foi ficando cada vez mais escasso, fui me transformando em uma cinéfila mais seletiva, escolhendo melhor aquilo que eu assisto; até porque o tempo é precioso e temos que aproveitá-lo da maneira mais adequada e proveitosa possível.

Desta maneira, por incrível que pareça, fazer o post que destaca os Piores do Ano tem sido uma tarefa cada vez mais difícil. E o pior filme de 2014, na opinião do Cinéfila por Natureza, chegou justamente aos 45 minutos do segundo tempo! “A Noite da Virada”, filme dirigido por Fabio Mendonça, acaba sendo uma metáfora muito interessante para ilustrar o buraco em que se enfiou o cinema brasileiro – pelo menos aquele que se encontra no mainstream, atraindo grandes bilheterias – em 2014.

Longa baseado na peça teatral “O Banheiro”, que foi escrita por Pedro Vicente, “A Noite da Virada” retrata as loucuras ocorridas no meio de uma festa de ano novo. Neste filme, temos personagens que são verdadeiras caricaturas, como o músico fracassado sustentado pela esposa bem-sucedida, o casal rico que vive um casamento de aparências, os jovens que só sabem passar o dia inteiro fumando maconha, o casal que só pensa em sexo o tempo inteiro, a encalhada que só pensa em arrumar um namorado/marido, dentre outros. O roteiro coloca uma série de gags para esses personagens, explorando um conceito bem trabalhado pelo cinema brasileiro: o das comédias com apelo bastante popular.

A questão maior por trás de “A Noite da Virada” é que, por mais que você dê algumas risadas durante a obra, no final das contas, esse é aquele tipo de filme que não acrescenta absolutamente nada e que só funciona como uma diversão descompromissada para aquelas pessoas cujo nível de maturidade é diretamente proporcional ao deste longa. Definitivamente, esse NÃO é o tipo de cinema que desejamos ver o Brasil produzir.

O Pior Filme do Ano

A Pior Atuação Masculina de 2014: Johnny Depp, Transcendence – A Revolução (uma pena ver que um ator tão talentoso e camaleônico como Depp virou uma caricatura de si mesmo)

A Pior Atuação Feminina de 2014: Rebecca Ferguson, Hércules (dona do papel feminino mais importante do filme de Brett Ratner, essa atriz não conseguiu passar a densidade que Ergenia pedia. Quem sabe, ela não faz melhor em “Missão Impossível 5”)

11 comments

  1. Paulo Ricardo 30 dezembro, 2014 at 15:31 Responder

    Não conferi esse filme,mas o nivel das comédias ´brasileiras é péssimo.”O Candidato Honesto”,”Muita Calma Nessa Hora”,”E aí Comeu ?”,”Até que a sorte nos separe”,”O Concurso”,enfim…o nível é muito baixo.O Bruno Mazzeo se acha um gênio,mas é um roteirista medíocre,assista os extras de “E Aí,Comeu” e observe o ego inflado do rapaz.O cinema brasileiro carece de um comediante inteligente,que escreve bons roteiros,com inteligência,como Woody Allen ou o italino Nanni Moretti.Mas esse posto esta vago.Um gênero que começa ganhar força no cinema nacional é o terror e Marco Dutra e os ótimos “Trabalhar Cansa” e “Quando eu Era Vivo” é uma prova disso.Você tem razão quanto a Johnny Depp,que só erra,mas ao contrário de Mel Gibson,continua prestigiado pelos estúdios,ano que vem ele lança “Mortdecai”(com um tipão do Peter Sellers em “A Pantera Cor de Rosa”).A lista de fracassos de Depp inclui “O Turista”,”O Cavaleiro Solitário”,”Sombras da Noite”(marcando a fase mais fraca de sua parceria com Tim Burton.Saudades do Ed Wood e do Edward “Mãos de Tesoura”),o já citado “Transcendence” que é confuso e foi um fracasso de bilheteria.O prêmio para Depp foi justo pelos últimos filmes dele.

  2. Pablo 30 dezembro, 2014 at 23:55 Responder

    É Kamila, eu também estou que nem você… Antigamente eu assitia qualquer tipo de filme somente por assistir, nos últimos anos, eu não estou conseguindo nem assistir 100 filmes inéditos durante o ano. No meu caso, além de está selecionando mais os filmes que eu assisto, eu também estou preferindo assistir algumas series de tv, que possuem roteiros melhores do que muitos filmes.
    Esse ano, os melhor filmes que eu assisti foram Nebraska, Garota Exemplar, O Lobo de Wall Street, Frozen e Será que?

    • Kamila Azevedo 31 dezembro, 2014 at 01:06 Responder

      Paulo, pois é. Dessas comédias brasileiras que foram lançadas em 2014 as únicas que eu assisti foi “A Noite da Virada” e “S.O.S. – Mulheres ao Mar”. Acho imprudente a comparação entre Mel Gibson e Johnny Depp. Mel Gibson não goza de prestígio dos estúdios por causa das polêmicas em que se envolveu. Ao longo de sua carreira, Depp pouco se envolveu em escândalos profissionais ou pessoais. Por isso que ele tem prestígio dos grandes estúdios e continua a ser chamado para filmes de grande ponta.

      Pablo, pois é. Nesse ano, eu não cheguei nem perto dos 100 filmes vistos no ano, mas acho que isso ocorre em decorrência da reorganização das minhas prioridades e das responsabilidades, claro, que possuo. Infelizmente, fico com pouco tempo livre e, quando escolho um filme para assistir, me certifico que aquelas duas horas valerão a pena. Infelizmente, não consigo mais acompanhar as séries de TV. Nem as que mais gosto, como “Mad Men” e “Downton Abbey”. Compro o DVD ou coloco na minha lista do Netflix para assistir quando puder.

  3. Amanda Aouad 31 dezembro, 2014 at 02:10 Responder

    Vi muita coisa ruim esse ano, mas esse acabei não vendo. Acredito que seja uma bomba, até pelo trailer. Talvez um dia, tenha a coragem de conferir… Mas, espero mesmo que essa onda de “comédias bobas” no nosso cinema passe logo.

    • Kamila Azevedo 1 Janeiro, 2015 at 22:56 Responder

      Amanda, eu também espero que essa onda passe logo. O problema é que são essas comédias os grandes sucessos do nosso cinema e que atraem um enorme público pro cinema.

  4. Matheus Pannebecker 31 dezembro, 2014 at 22:19 Responder

    Kamila, cada vez mais, com o passar dos anos, tenho poupado tempo e dinheiro com filmes que, com a “experiência” que adquirimos, já podemos deduzir que são grandes bombas. Por isso, em 2014, nem uma lista com 10 títulos consegui fazer com o que vi de pior no ano… Se, pelo lado ruim, significa que vi menos filmes do que gostaria, por outro indica que me livrei de péssimas experiências cinematográficas. Meu tempo hoje clama por filmes maravilhosos. Um grande beijo e excelente 2015!

    • Kamila Azevedo 1 Janeiro, 2015 at 23:00 Responder

      Matheus, exatamente! Você me entende. Não consigo mais fazer listas de 10 piores filmes há anos, por causa justamente disso e das escolhas que tenho tomado. Acho que tempo é precioso e é preciso a gente priorizar em tudo na vida. Então, prefiro, como você, assistir a filmes maravilhosos! Muito obrigada!

  5. museudocinema 4 Janeiro, 2015 at 17:53 Responder

    É lamentável que o Brasil, país que produziu grandes obras-primas como Deus e o Diabo da Terra do Sol, O Pagador de Promessas, e mais recentemente Cidade de Deus, enverede por comédias bobalhonas que são requentadas dos EUA. Acho que, assim como deveriam taxar quem escolhe nomes estrangeiros para batizar algo, deveria tb tributar a mais esse tipo de película.

    • Kamila Azevedo 5 Janeiro, 2015 at 00:54 Responder

      Cassiano, pois é. Surpreendente ver o cinema brasileiro dando tanta bola a essas comédias sem qualquer conteúdo e que são mesmo requentadas do que assistimos no cinema norte-americano.

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