Irmã Dulce

Você, com certeza, nunca ouviu falar em Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes. Mas, definitivamente, você já ouviu falar em Irmã Dulce, nome que ela abraçou em homenagem à sua falecida mãe após fazer sua profissão de fé e votos perpétuos como freira da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Conhecida popularmente como Anjo Bom da Bahia, Beata Dulce dos Pobres ou Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, é essa personagem que é o ponto central da cinebiografia “Irmã Dulce”, filme dirigido por Vicente Amorim.

O longa se dedica ao relato da história de vida da Irmã Dulce (interpretada, na juventude, por Bianca Comparato e, na idade adulta, por Regina Braga), enfocando a sua abnegação e a sua dedicação ao próximo, por meio do trabalho filantrópico que ela desenvolveu junto à população mais carente do seu Estado natal, a Bahia - dentre os quais se destacam a fundação do Hospital Santo Antônio, que foi construído no lugar do galinheiro do Convento Santo Antônio (local que abrigou um dos primeiros pontos de atendimento de Irmã Dulce ao público carente) e que, atualmente, atende diariamente a mais de cinco mil pessoas.

Para entender a natureza altruísta de Irmã Dulce, o filme nos coloca diante do passado dela, quando ela entrou em contato com a pobreza por meio de visitas que ela realizava com familiares às favelas de Salvador. Visitas que ela também fazia, já freira, distribuindo alimentos e remédios aos mais necessitados. Daí para o conforto e cuidado aos doentes e o amparo àqueles que viviam na pobreza extrema foi uma transição natural para alguém que teve que enfrentar, não só a resistência da própria Igreja a qual ela servia, como também os interesses de políticos e outras figuras públicas.

Uma mulher de aparência frágil, chama a atenção o fato de que ela enfrentava todas essas barreiras como muita delicadeza e resiliência, nunca se colocando acima do trabalho que ela realizava - aqui, vale fazer um adendo para valorizar o trabalho maravilhoso desenvolvido por Bianca Comparato no primeiro ato do filme. Irmã Dulce foi uma serva de Deus, alguém que utilizou a sua fé para ajudar os outros e que dedicou a sua inteira existência a oferecer amor ao próximo, como o mandamento que ela tão fielmente cita em várias cenas do filme. Neste sentido, uma das maiores sacadas do roteiro escrito por L.G. Bayão foi sintetizar o impacto de Irmã Dulce na vida daqueles que ela ajudou por meio da relação entre ela e seu "filho", João (Amaurih Oliveira, numa grande atuação).

“Irmã Dulce” acerta muito ao nos mostrar o maior legado dessa incrível mulher: o senso de solidariedade que ela possuía e as diversas obras de caridade que ela deixou e que foram continuadas. O filme é emocionante e muito bonito, nas suas mais diversas passagens, e consegue deixar ainda o seu maior ápice para o final, com a visita do Papa João Paulo II à Salvador, em 1980. É uma obra que faz jus a um verdadeiro espírito de luz que passou pelo nosso plano e que foi uma das maiores ativistas humanitárias que esse mundo já conheceu.

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