Locke

“Locke”, filme dirigido e escrito por Steven Knight, é uma obra muito interessante. A história se passa durante uma viagem que o personagem que dá título ao filme (interpretado por Tom Hardy) faz da cidade onde ele mora, no interior da Inglaterra, até a capital londrina, onde ele passará por uma situação que mudará toda a sua vida e tudo aquilo pelo qual ele batalhou todos esses anos.

Algo tão definidor tinha que ocorrer naquele que é o momento mais importante da vida de Ivan Locke. Nas vésperas do maior desafio de sua carreira, um telefonema tem o poder de mudar tudo - em todas as suas esferas de vida (profissional e familiar). É importante prestar atenção, diga-se de passagem, a esse meio de comunicação, pois, por meio dele, vemos Locke interagir com as diversas pessoas que fazem parte de sua vida, o que faz com que a gente conheça um pouco mais sobre o background do personagem, bem como possamos ter uma noção sobre a delicadeza do momento que ele vive e o por quê de tanta apreensão e nervosismo vindos do seu olhar.

De uma certa maneira, “Locke" lembra muito “Por um Fio”, suspense dirigido por Joel Schumacher, no sentido de que, durante os filmes, ambos os protagonistas interagem com um telefone, na medida em que vão desenrolando os momentos pivotais de suas existências. As semelhanças não param por aí. Ambos os filmes são estrelados por (então, no caso de Colin Farrell, ator principal do longa de Schumacher) jovens atores talentosos em pleno crescimento em sua carreira.

Por isso mesmo, o grande ponto de destaque de “Locke” é a atuação de Tom Hardy. Durante os 84 minutos de duração desse filme, a câmera de Steven Knight focaliza todo o seu olhar para ele. É em torno de Ivan Locke e da incerteza e da angústia que ele se sente em torno do futuro da vida que ele construiu que gira toda a trama do filme. É dele a responsabilidade completa de nos passar todas as sensações que estão envolvidas naquele determinado momento de sua vida. Ou seja, Hardy tem o papel de carregar o filme completo em suas costas. E o trabalho dele, aqui, é notável. Uma obra que mostra o grande ator que ele é.

4 comments

  1. Paulo Ricardo 6 Janeiro, 2015 at 23:43 Responder

    Concordo em relação a Tom Hardy,o cara realmente carrega o filme nas costas.Quando eu assisti “Locke” não sabia que a história se passava toda no carro.Para uma trama como essa prender a atenção do espectador tem que ter um ator muito bom e Tom Hardy faz um trabalho digno de prêmios.Gostei da atmosfera do filme realçando a noite na cidade e o trânsito.Um belo filme de Steven Knight que escreveu dois filmes muito bons “Coisas Belas e Sujas” de Stephen Frears e “Senhores do Crime” de David Cronenberg.Vale lembrar que esse ano ele roteirizou “A 100 Passos de Um Sonho” de Lasse Hallstrom(um filme com muitas deficiências,mas com belas atuações de Helen Mirren e Om Puri).

  2. Marcelo 7 Janeiro, 2015 at 02:20 Responder

    Particularmente já recomendo que esse longa-metragem seja assistido por todos, só pelo fato de existir. Diferente de noventa e nove porcento das produções atuais, o espectador desavisado sobre certos aspectos do filme (a narrativa se passa inteiramente dentro do carro) pode sentir a estranheza desse desenvolvimento. É um drama minimalista. É certo que o resultado irá agradar a uma minoria. Mas a essa minoria, está reservado uma grande história bem preenchida, interpretada e envolvente. Vejo em “Locke” um filme tão corajoso quanto seu personagem, e o cinema precisa tanto disso quanto de convencionalismos.

    abraço

    • Kamila Azevedo 9 Janeiro, 2015 at 01:35 Responder

      Paulo, eu sabia que a história se passava num carro, por causa da descrição no Netflix. Concordo que, pra segurar a barra de um filme como esse, tem que se ter um ator muito bom como o Tom Hardy, e ele corresponde às expectativas por completo.

      Bruno, pois é. Concordo!

      Marcelo, perfeito comentário! Assino embaixo!

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