Até o Fim

“Até o Fim”, filme dirigido e escrito por J.C. Chandor, é aquele tipo de obra que causa empatia imediata com a plateia. Impossível não se colocar na pele do personagem principal deste longa (interpretado por Robert Redford), que se encontra a 1700 milhas náuticas do Estreito de Sumatra, num iate confortável, mas que, após sofrer uma avaria e enfrentar algumas tempestades, fica completamente destruído, fazendo com que ele fique ilhado num bote salva vidas, esperando por qualquer chance de socorro.

É até curioso que a gente sinta tanta empatia assim por esse personagem, uma vez que o roteiro escrito por Chandor não nos apresenta à sua história prévia e não nos diz se ele tem família esperando por ele em terra firme. Mas a verdade é que a força por trás de “Até o Fim” está justamente na resiliência de um homem que tenta de tudo para ficar são (mentalmente) e salvo (fisicamente), que tenta viabilizar qualquer tentativa que o ajude a sair da conjuntura em que ele está inserido e que se agarra a todas as oportunidades que possam levá-lo a ser encontrado, no meio de um oceano tão vasto.

Junto da atuação contida, de poucas palavras, mas de olhares que comunicam tudo de Robert Redford (que deveria ter sido indicado ao Oscar 2014 de Melhor Ator pela performance neste filme), “Até o Fim” é um trabalho primoroso de J.C. Chandor na direção, na medida em que ele faz um bom uso de todos os elementos da linguagem cinematográfica, com destaque para a pontual trilha sonora composta por Alex Ebert, para passar para a plateia toda a solidão e impotência que envolve a situação na qual o personagem principal se encontra.

6 comments

  1. Pablo 21 janeiro, 2015 at 00:37 Responder

    Realmente Kamila esse filme é espetacular… Foi o primeiro filme que eu vi esse ano de 2015 e não poderia começar o ano com melhor opção do que essa.

    Que interpretação unica de Robert Redford, não sei como a academia conseguiu excluir ele dos 5 indicados. Depois de assistir esse filme, eu prefiro essa atuação de Robert do que a de Matthew em Clube de Compra Dalas, pq não é todo ator que consegue ficar 100 minutos praticamente mudo num filme e conseguir tirar a monotonia que a história a principio pode passar e cativar o cinéfilo a ponto de me deixar torcendo por um final feliz do personagem.

    Só para terminar – Um Belíssimo filme!!!!

    • Kamila Azevedo 22 janeiro, 2015 at 01:41 Responder

      Pablo, pois é. Robert Redford merecia uma indicação ao Oscar por esse filme, mas acho que a ausência dele foi compreensível, pela “discrição” da atuação dele. O Oscar, normalmente, prefere aquelas atuações com momentos “showman”, que aqui não existem, devido ao personagem contido que ele interpreta.

      Amanda, exatamente. Acho que nessa falta de palavras reside a beleza de “Até o Fim”.

      Fabrício, sim, boa comparação! Não tinha me atentado a isso.

  2. Matheus Pannebecker 24 janeiro, 2015 at 00:08 Responder

    Este foi um filme que me surpreendeu muito, pois confesso que tinha certa preguiça com ele, mas que aula de direção a do J.C. Chandor! Gosto de basicamente tudo: a ótima trilha do Alex Ebert, a sutil interpretação do Redford… Pena que não foi devidamente reconhecido! Beijos.

    • Kamila Azevedo 25 janeiro, 2015 at 16:33 Responder

      Matheus, eu também me surpreendi muito com esse filme. Belíssima direção do J.C. Chandor, belíssima atuação do Robert Redford e belíssima trilha de Alex Ebert. Uma pena que atuações mais contidas sempre passem batido pelo Oscar, que prefere mais aquele tipo de atuação com momentos de “show”.

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