A Noite da Virada

publicado em:22/01/15 2:27 AM por: Kamila Azevedo Cinema

Baseado na peça “O Banheiro”, escrita por Pedro Vicente (também co-autor da adaptação cinematográfica), o filme “A Noite da Virada”, dirigido por Fábio Mendonça, é aquele tipo de obra que podemos classificar de uma reunião de gags (cenas e situações criadas com o único propósito de arrancar risos da plateia). Desta maneira, não espere coerência do roteiro escrito por Nina Crintzs, Cláudia Jouvin e Pedro Vicente.

“A Noite da Virada”, como o próprio título já diz, se passa na noite de Réveillon, mais precisamente, na casa de Ana (Julia Rabello) e Duda (Paulo Tiefenthaler), que organizam uma mega festa para celebrar o ano novo, reunindo gente de todo tipo, estilo e classe social. Tanta mistura é propícia para a intenção natural do longa, mas o que acaba acontecendo é que “A Noite da Virada” representa uma série de clichês.

Os personagens do filme representam tipos bem comuns, como o casal que vive um casamento monótono; o homem que, vivendo uma crise de meia-idade, decide deixar toda a sua vida na cidade grande em busca de uma rotina mais pacata numa cidade do interior do nordeste; o cara que trai a esposa sem que essa não faça a mínima ideia do que está acontecendo; os jovens que só pensam – o tempo todo – em curtir um barato advindo do uso de drogas; o casal que só pensa em fazer sexo – não importa o local; a mulher que vive com medo de ficar solteirona; etc.

O filme mantém a essência da peça, na medida em que o local mais importante para a ação não é a festa em si, e sim o banheiro no qual essas pessoas acabam buscando a privacidade necessária para expor todos esses clichês e tentar resolvê-los desastradamente, na medida do possível. O problema é que, além de ser uma obra inconsequente em tudo aquilo que mostra, “A Noite da Virada” nada mais é do que um filme vazio, que simplesmente não acrescenta nada a ninguém e que revela o triste nível das comédias que o cinema brasileiro insiste em lançar ano após ano, por causa do enorme apelo popular que elas possuem.



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Kamila Azevedo

Jornalista e Publicitária



Comentários


Esse eu também evitei ano passado. Fico triste em ver o Brasil investindo tanto nessas bobagens e deixando os bons filmes quase nas sombras…

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Amanda, faço a mesma reflexão que você. Acho que a única explicação plausível para esses filmes continuarem existindo é o fato de que eles atraem um grande público.

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