Tim Maia: Vale o que Vier

A minissérie “Tim Maia: Vale o que Vier”, dirigida por Luís Felipe Sá, é uma obra completamente independente do filme dirigido por Mauro Lima e que teve sua trajetória nos cinemas brasileiros em 2014. Livremente inspirada também em “Vale Tudo: O Som e a Fúria de Tim Maia”, livro escrito por Nelson Motta, a minissérie adiciona ao trabalho desenvolvido por Lima depoimentos das personalidades que conheceram o cantor e compositor Tim Maia, como Erasmo Carlos, Caetano Veloso, Roberto Carlos e o próprio Nelson Motta, além de cenas feitas especialmente para esse programa estreladas pelo ator Babu Santana, que interpreta Maia quando mais velho.

Assim como o filme, a minissérie (que abriu a programação da Globo em homenagem aos seus 50 anos) fala sobre a vida de Tim Maia desde a sua origem humilde, no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro; passando pelas primeiras oportunidades na vida artística, como as apresentações no programa de Carlos Imperial; as suas viagens aos Estados Unidos, onde ele descobriu a sua identidade como artista, com todas as influências que ele obteve da música negra; e culminando no seu período de maior sucesso como cantor, por meio dos hits “Réu Confesso”, “Gostava Tanto de Você”, “Descobridor dos Sete Mares”, “Dia de Santos Reis”, “Não Quero Dinheiro”, entre outros.

A minissérie é muito fiel às características mais marcantes da personalidade de Tim Maia, que tinha um temperamento muito explosivo e que influenciava diretamente naquilo que ele fazia. Nesse sentido, me lembro muito bem, quando eu era criança, dos especiais que mostravam Tim Maia na TV, nos quais ele vivia reclamando da qualidade do som do retorno e saindo abruptamente do palco quando havia algo que o desagradava. Por falar nisso, acho que a minissérie é bem incisiva no fato de que Tim Maia não veio para esse mundo para agradar a todos. Pelo contrário, “Tim Maia: Vale o que Vier” o retrata como alguém teimoso e impetuoso, que corria atrás daquilo que queria, independente de isso significar o ganho de inúmeras inimizades para ele.

As maiores críticas advindas ao trabalho desenvolvido por Luís Felipe Sá em “Tim Maia: Vale o que Vier” advém justamente daquilo que deveria ter sido o ponto mais original dessa minissérie: o fato de que ela expandia o que foi realizado por Mauro Lima no cinema, tendo como base a adequação à linguagem televisiva. Entretanto, muito incomodou a forma como o diretor trabalhou alguns dos pontos mais delicados da vida de Tim Maia, principalmente a relação dele com Roberto Carlos. Entretanto, esse é, de longe, um dos pontos menos negativos da minissérie. O problema maior de “Tim Maia: Vale o que Vier” é que a obra televisiva descaracterizou por completo o longa produzido diretamente para o cinema, ao ponto de nos fazer crer que estávamos assistindo a mais um episódio de “Por Toda a Minha Vida”, especial que a Globo promoveu, durante alguns anos, e que retratava um pouco da vida de personalidades importantes da música brasileira, aliando a parte ficcional à documental – como feito aqui por Luís Felipe Sá. E isso é muito pouco para alguém que foi tão intenso como Tim Maia. Sem dúvida alguma, a vida dele oferece material para algo muito mais profundo, forte e melhor que essa minissérie.

2 comments

    • Kamila Azevedo 5 Fevereiro, 2015 at 00:59 Responder

      Amanda, assisti à minissérie, pois perdi o filme no cinema. Mas, me surpreendi ao tomar conhecimento que a minissérie era uma obra totalmente independente do filme. Por isso, o programa me deixou mesmo foi com vontade de assistir ao filme.

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