Azul é a Cor Mais Quente

Azul é a Cor Mais Quente”, filme dirigido e co-escrito por Abdelatif Kechiche, não é a primeira obra a falar sobre o desabrochar da juventude e sobre a descoberta do primeiro amor. Mas, sem dúvida, o filme francês vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cinema de Cannes 2013, é uma obra que quebra padrões, especialmente na forma como retrata uma história de amor tão intensa e verdadeira quanto os seus dois principais vértices.

Para os franceses, a cor azul já simbolizou a liberdade na trilogia dirigida por Krzysztof Kieslowski. Aqui, no filme de Abdellatif Kechcihe, a cor azul tem um significado completamente oposto àquilo que está normalmente ligado (tranquilidade, serenidade, harmonia, frieza, monotonia e depressão). Para a jovem Adèle (Adèle Exarchopoulos), uma estudante do colegial, o azul da cor dos cabelos de Emma (Léa Seydoux) que tanto lhe chamam a atenção, passam a representar para ela o calor, o conforto e o companheirismo advindos da descoberta e da vivência do primeiro amor.

Na forma como é retratada, especialmente no início de “Azul é a Cor Mais Quente”, Adèle nos passa a imagem de uma adolescente confusa, que ainda precisa encontrar seu lugar no mundo. E ela tenta isso por meio dos relacionamentos amorosos que estabelece, primeiramente, com Thomas (Jérémie Laheurte), e, posteriormente, com Emma. A verdade é que, com Emma, Adèle experimenta o amor na sua forma mais plena, na medida em que ela passa por um grande processo de amadurecimento, se descobre como mulher, expande seus horizontes e encontra o seu caminho. São essas transformações em Adèle, por meio da vivência do mais belo dos sentimentos, que são retratadas, de uma forma muito real, no filme de Abdelatif Kechiche.

3 comments

  1. Paulo Ricardo 11 fevereiro, 2015 at 18:21 Responder

    Adorei sua analogia com as cores da bandeira francesa e a obra de Kieslowski.Eu gostei muito desse filme,é uma maldade a Adèle Exarchopoulos ter ficado de fora do Oscar.A descoberta da sexualidade é muito sutil e abdelatif não pinta o namorada de Adéle ruim,mas sim um cara bacana(ela chega a elogiar o desempenho sexual dele)mas ela não gosta de meninos e sim de meninas! Léa Seydoux dá um show e só acerta(ela está ótima em “Grand Central” e “Adeus Minha Rainha)”).Realmente foi um dos melhores filmes de 2013,mais que ficou marcado pelas polêmicas cenas de sexo.Mas é muito mais que isso:é sobre amor.

  2. bruno knott 11 fevereiro, 2015 at 18:48 Responder

    o filme tem quase três horas de duração, mas é impressionante como ele passa rápido. já vimos histórias parecidas, mas poucas vezes com tanta honestidade e naturalidade. grande filme!

    • Kamila Azevedo 12 fevereiro, 2015 at 00:30 Responder

      Paulo, exatamente. O filme é sobre o amadurecimento por meio da descoberta do primeiro amor. Concordo com seu comentário sobre a atuação da Adèle. Ela merecia um maior reconhecimento.

      Bruno, exatamente. Passa muito rápido. Gostei muito de “Azul é a Cor Mais Quente”.

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